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18/04/2012 03:38

Tudo pelo social feliz

Gisele Centenaro
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O Brasil está querendo tanto ser feliz que já começa a atrair – pelo astral psicológico, numa primeira partida e, logo em seguida, pelas diversas esferas dos planos socioeconômicos – parceiros interessados em realmente fazê-lo ser feliz. Por quê? O Brasil quer ser feliz por que está triste? O Brasil quer ser feliz por que teme vir a ser um país triste? O Brasil já é feliz, todavia, não possui ainda suficiente autoestima para acreditar em sua própria felicidade, motivo pelo qual precisa, neste momento, mais do que nunca, favorecer sua própria vaidade?



São tantas as respostas para essas e muitas outras perguntas que gravitam pelo tema que, a bem da verdade, legitimam uma única: o Brasil foi, é e será feliz sendo complexa e simplesmente o Brasil? Já houve um tempo (houve?) que brasileiro “feliz de verdade” passava bem longe da Rua 46 em Nova Iorque, com medo de ser contagiado pelo brega. Mas também já houve um tempo em que uma rica, gostosa e famosa dava piti por falta de champagne em festa – jurando de pé junto que seus saltos chegariam em casa antes dos calcanhares ao se deparar com uma bandeja a lhe ofertar um copo de cerveja – e que, agora, mesmo não dizendo que adora, posa de loira fatal em comercial que promove uma geladinha retornável. Well… o que faria ela se, batendo pernas em cima dos mesmos saltinhos pela Avenida das Américas da Big Apple, em dia de primavera, ao se deparar com a fachada da Macy’s descobrisse, além da apóstrofe posada de vírgula ao contrário no biquinho do ipsilon, a “magical journey” em homenagem ao nosso país não apenas para brasileiros verem, mas também para ingleses, italianos, japoneses, franceses, mexicanos, tailandeses, sul coreanos, africanos, indianos… todos os turistas deles e também eles, claro, os americanos?



Esta rica, gostosa e famosa brasileira – muito provavelmente, além de cheia de charme, cheia de felicidade –, vai entrar correndo numa das lojas da rede de departamento líder dos Estados Unidos, revelando-se encantada com a iniciativa surgida da parceira entre a Macy’s e a Apex-Brasil, ou, parodiando as garotas convidadas do Rodrigo Faro, “vai deixar pra amiga”? Se ela deixar pra amiga, essa amiga pode ser Luciana Gimenez, poderei ser eu, poderão ser todas as brasileiras que estarão na boca do caixa pra comprar mais uma superbe lingerie da Victoria Secret’s – eu a-do-ro –, serão todos os alunos do nível básico do professor Matt no Kaplan ou apenas aqueles que gostam mais do professor David, que não gosta tanto de nada, mas gosta muito mais do MoMA só porque ainda não conheceu (não mesmo?) o MAM (hahahahahaha……)?



Brasileiro gosta é de brigadeiro, moçada, mesmo que não seja dia de festa, nem de lata! É ou não é? E gosta de pipoca. De farinha de mandioca. De se sentir in house quando está inclusive na terra do Mickey Mouse; de andar de Havaianas até em corda bamba; gosta de se esquecer que ele, como bom brasileiro que é, não é terrorista, nunca é, nunca ninguém precisa temer que ele o seja, e é aí que ele também se esquece que se não é terrorista, muito menos é artista pra conseguir manter tudo revelado na fita sem dar fora de turista. E brasileiro gosta de comunista, seja à moda antiga, seja à moda jovial? Ah! Não sei, Millôr, mas não custa perguntar inserindo o dedo no pulso do consumidor, que fica bem melhor quando passeia, não na rua, mas dentro de algum edifício, onde as câmeras gravam corredor por corredor, tipo os das lojas Macy’s, onde, durante a campanha “Magical Journey”, sorriso de brasileiro vai valer ouro, devidamente pago com cartão de crédito internacional… E pra quem não gostar dos produtos, em suas diversas categorias e características ímpares em design em exposição, nada de perturbar as relações de intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos, que têm tudo para avançar para patamares cada vez mais profícuos para ambos os lados, ainda mais considerando-se o fato de que se a Apex-Brasil está investindo 1,5 milhão de dólares para apoiar a campanha, em contrapartida nossa nação está recebendo da Macy’s, em doação, cerca de 1 milhão de dólares, por meio da Nature Conservancy, destinados à proteção e conservação da Floresta Amazônica. Noves fora, mesmo sem Nizan, foram apenas 500… mil dólares, no caso da Apex, porém, note bem, 500tinhos quando é do turista o bolsinho no retorno à pátria amada. Só, entenderam?



Obviamente, a estratégia de divulgação, promoção e vendas de produtos com design e fabricação brasileiros na rede Macy’s nos Estados Unidos, ao longo de 10 dias (a partir deste 22 de abril), em lojas localizadas em cidades como New York, Chicago, Philadelphia, Minneapolis e São Francisco, englobam uma série de empresas e marcas consagradas, como fornecedoras, e surte o efeito extra de se traduzir como uma eficaz campanha de imagem para impulsionar o turismo por aqui, visto que o esforço de comunicação também é grandioso, compreendendo comerciais em TV, na internet, anúncios em revistas e jornais, outdoors, materiais promocionais, entre outras peças.



O conceito “Be Brasil” e as mensagens de todas as peças para veiculação foram criadas pela house agency da Macy’s, como detalhou Martine Reardon, vice-presidente de marketing da Macy´s, em encontro com a imprensa em São Paulo, neste 17 de abril.



Mestre, fingir não falar português colou e cola pro lote de freguês. Nem bem verdade é, menos ainda o não entender pelo escutar, muito menos pelo ler, eis porque… stop. No more funny news. The good: não foi em compras que gastei o dinheiro que faltou para retornar às aulas. Foi em autoestima, não minha, mas do entorno… Do lado de cá do Equador, é forno. Mas para não envergonhá-lo, protagonizo o “Be Brasil” num vídeo “não-editado”, com imagens captadas por Bruno Kepper (sugere?), em entrevista com Martine Reardon, vice-presidente de marketing da Macy´s. Também ilustra esta matéria vídeo cedido pela assessoria de imprensa da Macy’s e da Apex Brasil com o designer Marcelo Rosembaum, do escritório de design e arquitetura Rosembaum.

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Ficha Técnica

Trajetória de líder no setor de consumo

Martine Reardon é vice-presidente de marketing da Macy´s, ícone do varejo nacional há mais de 150 anos, conhecido por sua moda e eventos internacionalmente famosos. Lidera o universo multifacetado de marketing da Macy´s, o que inclui propaganda; desenvolvimento criativo; mídias sociais, móveis e digitais; relações públicas de marcas; marketing relacionado a causas e de turismo; eventos especiais; planejamento de mídias; percepção do cliente e análises de dados para as mais de 800 lojas da rede, espalhadas por todo o território norte-americano. Além disso, ela lidera o icônico Desfile de Ação de Graças da Macy´s, e supervisiona eventos glamorosos de moda, exibições com fogos de artifício e Exposições de Flores por todo o país.



Profissional de marketing com grande experiência em varejo, Martine despontou da equipe da Federated Department Stores e Macy´s, Inc., tendo iniciado sua carreira no departamento de eventos especiais na Abraham and Strauss, e tornando-se CMO (vice-presidente de marketing) após ter atuado como vice-presidente executiva de marketing e propaganda da Macy´s. Sob sua liderança, a Macy´s foi nomeada a Empresa de Marketing Móvel do Ano, recebeu o Halo Dourado por suas ações de marketing relacionado a causas e alcançou um QI digital de Gênio em marketing varejista.



Membro do Comitê Executivo da Macy´s, Martine tem assento no Conselho da Fundação Make-a-Wish (Faça um Pedido); preside, desde 2006, o evento anual Todos de Vermelho pelas Mulheres da Cidade de Nova Iorque, organizado pela Associação Americana para o Coração; e participa como palestrante de diversos fóruns e conferências da indústria. Foi nomeada Profissional de Marketing Brandweek do ano e foi campeã do Virando o Jogo, organizado pela Associação de Publicitárias de Nova Iorque, dentre outras honrosas participações neste segmento.

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