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15/03/2012 09:06

Machão só na TV?

Gisele Centenaro
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Poucos cidadãos talvez se lembrem ou deem importância ao fato de que nesta dada comemoramos o Dia do Consumidor no Brasil. Esse “descuido”, porém, não faz a menor diferença diante da constatação de que jamais o consumidor brasileiro será o mesmo após o equilíbrio das ofertas de preços em pontos de vendas com o controle do monstro da inflação e a disseminação de um meio de comunicação como a internet, primeiro, que lhes possibilitou o retorno do aprendizado do raciocínio em grupo seguido da ação advinda do poder de decisão – após o gesso impingido aos costumes durante anos por regimes autoritários em períodos anteriores –; e logo após as linhas de computadores abertas para coleta de informação e formação de redes sociais, vieram os práticos e rápidos mobiles turbinando o potencial da web, o principal deles sendo o celular com sua gigantesca capacidade de espalhar torpedos por um mundo todo de delícias e perversões, inclusive no universo do consumo, inclusive para coroar e para decepar, em lugar de reis e rainhas, marcas, produtos e serviços, dentre eles até mesmo outros meios de comunicação.

Mas há, ainda, uma certa “timidez” entre os consumidores brasileiros no momento de se revelar aos níveis profissionais na nossa escala social que movimentam a ciranda das comunidades urbanas, englobando mercados associados a todas as categorias da economia, mais as áreas de entretenimento, cultura, educação e comportamento social. Como jornalista, ao redigir este parágrafo eu mesma fico “tímida” ao ter de escrevê-lo. E uso o termo timidez pois não ficaria bem em pleno século XXI para uma nação do nosso porte, presidida por uma mulher, e que tanto avançou em territórios da política humanitária, ainda termos aqui empregada a palavra “medo”. Heresia? Por que cogitaria eu dizer que há a possibilidade, nos dias de hoje, dos cidadãos brasileiros consumidores terem medo de se manifestar sobre uma série de temas no Brasil, seja diante de uma autoridade, seja diante de uma câmera de reportagem? Por que cogitaria eu dizer que para combater esse medo e, de alguma forma, dar sua contribuição para uma avaliação justa do quadro social que possa estimular evoluções, os cidadãos consumidores brasileiros são capazes de se mobilizarem discretamente, agindo como decorrência de quem se comunica telepaticamente para fazer, do modo que dá, o que tem de ser feito, sem se expor a riscos para que a vida possa continuar sendo segura?

Que riscos seriam esses? Eles existem de fato ou são somente fantasmas que assustam nossos cidadãos consumidores, ainda como crianças aterrorizadas, acordando de pesadelos de anos de sofrimento pelo orçamento familiar em cifras abaixo do necessário para a sobrevivência digna, sem direito a lazer e sem ter com quem falar a respeito?

Entre os leitores mais velhos, muitos devem se lembrar de um dia ter ouvido um imigrante ou um descendente de imigrante dizer que o brasileiro não sabe o que é sofrimento de guerra, ao analisar o comportamento de um familiar ou vizinho por algum ato de compra ou gasto irresponsável, por exemplo. Sim, a guerra deixa suas marcas. Mas talvez já seja hora dos profissionais de publicidade, marketing e líderes empresariais de modo geral terem em mente que marcas psicológicas doloridas não são criadas somente diante de feridas que sangram literalmente. Talvez seja importantíssimo acordar para o fato de que, sim, o povo brasileiro sempre foi muito alegre, cordial, festeiro, amigável, receptivo, todavia, tem suas marcas de dores da alma também, como todos os povos as têm. Marcas que não só devem ser respeitadas, como precisam ser “terapeutizadas” socialmente, isto se de fato almejamos chegar ao status de potência mundial, perfilando entre as ricas nações que chamam pra si gandes missões, dentre elas a entrega de ajuda humanitária. Não basta ajudar a uma sociedade, intermanente, com melhor distribuição de renda, pagar as dívidas internas e externas e sair batendo no peito, em orgulho pleno, que já se pode emprestar dinheiro ao FMI, antes de aumentar e melhorar, prioritariamente também, a distribuição de carinho, atenção, dos cuidados essenciais que atingem ao coração, ao psicológico de um povo.

Somente as classes C, D e E estão “tímidas”? Engano. “Mulheres ricas”, por exemplo, têm, da mesma forma, seu pano para esconder marcas que constituem lados tristes do Brasil. Enquanto as áreas de propaganda, marketing, os meios de comunicação insistirem em não enxergar e respeitar essas “marcas da alma”, que influenciam comportamentos individuais e em grupo de toda natureza, às vezes beirando ao sarcasmo, não identificado em resultados falsos de pesquisas que não se “mancam” ao recolherem como dados “mentiras”; que influenciam comportamentos de compra em todos os segmentos, erguendo ou derrubando muros, ainda haverá muito sofrimento para que marcas de produtos e serviços atinjam estágios de segurança plena, no mercado nacional, em termos de imagem e credibilidade, por maiores que sejam seus investimentos em projetos de sustentabilidade.

Não é nada fácil enveredar por essas trilhas mais profundas das mentes dos consumidores. Há um desafio enorme nessa tarefa, porém, ele é espetacular, mais ainda para os profissionais que realmente amam a atividade da comunicação – e sem ter medo de ser piegas, posso dizer para os profisssionais cidadãos que realmente amam seu país. E tudo pode começar com um simples e pequenino inverter de ponto de vista. Por exemplo: em vez de escolher um brother e torcer por ele ao sintonizar o Bial na telinha da Globo, olhe bem para o coração de todos os integrantes do Big Brother Brasil que está no ar e, se ainda der tempo, pois a atração já está entrando na reta final, escolha um deles pra chorar com ele nos momentos de tristeza e falta de orientação.

Na TV Portal, ilustrando esta homenagem ao Dia do Consumidor, temos sete reportagens especiais, como imagens gravadas por Wagner Sousa, neste 14 de março, no Shopping Paulista, em São Paulo. Os entrevistados são: Laércio Souza dos Reis, 29 anos, bancário; Ana Bellucci Lopes, 19 anos, estudante universitária, e Leandro de Olivelira Lopes, 22 anos, funcionário público e estudante de Jornalismo; Sheime Denadai, 38 anos, área de construção civil, e Marcela Yamamoto, 27 anos, professora de inglês; Fábio Conceição de Jesus, 32 anos, compositor (fabinho.ssa@hotmail.com) e garcon; Gilcleia Fontes, 39 anos, diretora de operações da área médica; Itamar Dias, 26 anos, analista comercial; e Lilian Vendrame, 26 anos, editora de livros.

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Ficha Técnica

Profile

Laércio Souza dos Reis tem 29 anos, é bancário e vê a propaganda brasileira com bons olhos, porém, mesmo sendo homem não deixa de considerar certas mensagens publicitárias dirigidas ao público masculino extremamente machistas na exposição que fazem do papel feminino. Adivinhem a categoria de produto apontada como vilã?

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