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10/05/2010 18:10

Não basta patrocinar...

Gisele Centenaro e Wagner Sousa
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Como não entendo nada de futebol – calminha, sirvo como torcedora, embora não como jornalista especializada no tema –, após participar de uma coletiva de imprensa, às vésperas da divulgação dos nomes do jogadores convocados para a Seleção Brasileira, onde a estrela entre os entrevistados era Ronaldo, minhas duas melhores opções seriam: pedir ao repórter e cinegrafista Wagner Sousa que, além de editar as imagens captadas por ele no evento, realizado no hotel Emiliano, na capital paulista, escrevesse o texto; esquecer que o novo garoto-propaganda da Claro é um Fenômeno, seja qual for o time para o qual ele jogue, seja qual for o País, seja qual for o período do ano, seja qual for o peso do cara, seja qual for o estádio (de preferência neste aqui que faz fundos com meu quintal e janela de banheiro, o Pacaembu), enfim, deixar pra lá essa coisa de bola em campo, elevando o placar da casa ou subindo o moral dos adversários.

A primeira opção não rolou – eu ia ter de brincar de figurinha para que o Wagner tivesse tempo de escrever. A segunda ainda é uma hipótese nessa linha, afinal, posso me restringir a falar da Claro que decidiu contratar o Ronaldo como porta-voz da marca em ações que envolvem, entre outros temas, o futebol, com o intuito de estreitar o relacionamento com clientes e prospects por meio de diversas plataformas, começando pelo Twitter – de maio a julho, o @ClaroBrasil vira @ClaroRonaldo, tornando este espaço na rede social o endereço oficial do craque que se declarou, nesta manhã de segunda-feira, 10 de maio, com os pés muito mais fora do que dentro da Copa do Mundo, portanto, com as mãos com muito mais tempo livre para twittar. Viram, como é fácil voltar a falar de futebol, mesmo não querendo, quando o protagonista da história é um Fenômeno e, ainda por cima, brasileiro?

Sobre a Claro, além de dizer que se trata de uma das líderes de telefonia celular no Brasil – nesta ação apoiada por trabalho de planejamento estratégico e comunicação desenvolvido pela Ogilvy –, é importante, óbvio, salientar, que a companhia está agindo de modo campioníssimo com este investimento que, com certeza, será bem visto não somente por fãs do jogador e amantes do futebol, mas por apaixonados pelo esporte de modo geral, bem como por cidadãos otimistas que confiam na existência de um futuro no qual as marcas tentarão se fazer presentes na vida dos consumidores de forma sempre consciente, valorizando atitudes de responsabilidade social, transmitindo informações confiáveis, carimbando produtos e serviços de qualidade, incentivando boas relações entre seres humanos de todas as partes do Planeta, estimulando a concorrência saudável sem canibalismo, tudo sem correr atrás de matérias pagas para facilitar a vida das áreas de marketing e comunicação das empresas – simultaneamente, emburrecendo, enrigecendo e censurando financeiramente a imprensa de um país – e sem travestir matéria paga de produção de conteúdo, valendo as considerações críticas imediatamente anteriores igualmente sobre o tema, o que funciona como faca de dois gumes, pois, um dia, ah! um dia... um dia, as princesas (as empresas anunciantes assessoradas por agências de propaganda que dizem agir como espelhos de seus clientes) poderão acordar numa situação, digamos, de bruxinhas, olhar para os espelhos (as agências), fazerem a pergunta fatal e escutarem, como resposta, uma mentira fatal e, daí, ao pedir socorro aos jornalistas, descobrirão que, entre o ponto de interrogação e o de exclamação, já se passou uma longa história de terror sob a invasão dos patrocínios que não souberam respeitar as regras do jogo, ou, pior, “julgaram” mais fácil “patrocinar” também o juiz.

Wagner, eu não te disse que eu não entendo nada de futebol? Então, leitor, se você se arriscou, assim como eu – e o Ronaldo – a chegar até aqui em sua leitura, pra não ficar no prejuízo, tenho duas sugestões: especificamente no caso desta matéria, esquecer tudo que leu nos parágrafos anteriores e assistir aos vídeos gravados pelo Wagner Sousa, com as imagens da coletiva na íntegra, sem cortes, de modo que você mesmo tire suas conclusões sobre as novidades da Claro, a receptividade do Ronaldo entre os jornalistas convidados e o próprio desempenho do Fenômeno quando é submetido a pressão de ter de conversar com a imprensa, inclusive entrando no ar ao vivo, como aconteceu na última pergunta, feita por um repórter na TV Bandeirantes; minha segunda sugestão se refere ao comportamento do leitor como receptor dos noticiários publicados em todos os tipos de plataforma: seja mais exigente, isto é, esculhambe mais com quem anda esculhambando com coisas que nem mesmo merecem ser esculhambadas e, às vezes, está fazendo isso porque pediram pra fazer ou porque está torcendo pra alguém pedir pra parar de fazer... Na verdade, eu teria muito mais sugestões a fazer aos receptores de boas e más informações – do lado de cá, a praia já virou, tendeu?, e todo mundo pesca nela até sem isca em anzol –, contudo, pra que arriscar meu peixe (pescoço, eu?) se você, leitor, também pode sacar um Twitter, todinho teu, coladinho no do Ronaldo, que é pra “modenóisgritagoltudojuntinho?!" ou um belo "filhodap..."!!!!!!!"

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Ficha Técnica

Coladinho no Ronaldo

Leitor, se você se arriscou, assim como eu – e o Ronaldo – a chegar até aqui em sua leitura, pra não ficar no prejuízo, tenho duas sugestões: especificamente no caso desta matéria, esquecer tudo que leu nos parágrafos anteriores e assistir aos vídeos gravados pelo Wagner Sousa, com as imagens da coletiva na íntegra, sem cortes, de modo que você mesmo tire suas conclusões sobre as novidades da Claro, a receptividade do Ronaldo entre os jornalistas convidados e o próprio desempenho do fenômeno quando é submetido a pressão de ter de conversar com a imprensa, inclusive entrado no ar ao vivo, como aconteceu na última pergunta, feita por um repórter na TV Bandeirantes; minha segunda sugestão se refere ao comportamento do leitor como receptor dos noticiários publicados em todos os tipos de plataforma: seja mais exigente, isto é, esculhambe mais com quem anda esculhambando com coisas que nem mesmo merecem ser esculhambadas e, às vezes, está fazendo isso porque pediram pra fazer ou porque está torcendo pra alguém pedir pra parar de fazer... Na verdade, eu teria muito mais sugestões a fazer aos receptores de boas e más informações – do lado de cá, a praia já virou, tendeu?, e tudo mundo pesca nela até sem isca em anzol –, contudo, para que arriscar meu peixe (pescoço, eu?) se você, leitor, também pode sacar um Twitter, todinho teu, coladinho no do Ronaldo, que é pra “modenóisgritagoltudojuntinho?!" ou um belo "filhodap..."!!!!!!!"

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