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10/09/2008 09:00

Cada um na sua

Karan Novas
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Dois fóruns de caráter político deram início às discussões segmentadas da Brazil Design Week nesta terça-feira, 9 de setembro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. "Políticas governamentais" foi o tema do primeiro encontro, que recebeu representantes de Coréia do Sul, Espanha e Reino Unido para que os profissionais pudessem ilustrar a realidade de seus países quando o assunto é apoio estatal ao design.

Tae-Wan Kim, que comanda a equipe de planejamento da KIDP (Korea Institute of Design Promotion), contou a história da evolução do setor em sua nação, que teve início em meados de 1970, com a criação de um pequeno centro de design. O profissional frisou que o crescimento no número de estudantes, empresas especializadas e, principalmente, valores movimentados, deu-se pela estratégia fundamentada no longo prazo, além do efetivo apoio financeiro de seu governo.

Em seguida, Elisa Sáins Ruiz, chefe-executiva do DDI (Desenvolvimento de Desenho e Inovação), deu ênfase à importância do design na sociedade e nos negócios, mostrando que seu Governo investe em programas que mostram sua relevância à sociedade e às empresas, como exposições, palestras e workshops, assim como em prêmios que destaquem o trabalho dos escritórios espanhóis em seu país e, principalmente, no exterior.

O britânico Michael Thomson, presidente do Beda (The Bureau of European Design Association) e diretor da Tangerine, um dos grandes escritórios de design do mundo, baseou sua apresentação em exemplos bem-sucedidos, iniciando com a concepção da bandeira do Reino Unido, união entre as de Inglaterra, Escócia e, posteriormente, Irlanda do Norte. Também citando grandes cases de sua empresa, como a reformulação da área executiva dos vôos da British Airlines – que movimentou cerca de 250 milhões de libras –, Thomson fez questão de destacar: “Há muito suporte do governo para o design no Reino Unido. O futuro do Brasil será brilhante nos próximos 10 ou 15 anos e este evento ilustra que o design pode seguir o mesmo caminho”.

Finalizando a apresentação, Fernanda Bocorny Messias, coordenadora-geral de design e gestão ambiental do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, listou as diferenças entre o apoio governamental recebido no Brasil e nas nações que compareceram ao fórum, porém, mostrando os esforços do PBD (Programa Brasileiro de Design), fundado em 1995, para que o assunto seja abordado com frequência e ênfase em nosso País. Messias citou planos como o de colocar o design já nas escolas e os esforços para que o setor ganhe visibilidade e atraia investimentos, como os presentes no www.designbrasil.org.br.

Porém, como interpretou o debatedor Gabriel Patrocínio, professor da Esdi (Escola Superior de Desenho Industrial), ao ver as dezenas ou até centenas de profissionais envolvidos as associações e programas das nações ilustradas, enquanto o PBD é tocado apenas por Messias e mais dois profissionais, “a gente ainda está brincando de fazer política pública no Brasil”.
#v1#
O segundo fórum complementou o primeiro, focando problemas e soluções para o mercado nacional. "Políticas de fomento ao design" foi o título que sintetizou o debate ao qual estiveram presentes Helena Tenório, chefe do departamento de políticas públicas do BNDES; Joel Weisz, consultor da Protec (Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica); Maurício Borges, diretor de negócios da Apex Brasil; Ricardo Wargas, gerente de inovação e acesso à tecnologia do Sebrae/RJ; e Paulo Sérgio Franzosi, conselheiro do Centro São Paulo Design do Sebrae.

Tenório traçou um panorama das presentes ações do BNDES para investimento em inovação, assim como as estratégias do banco de desenvolvimento para passar a investir também em projetos de bens intangíveis – sempre um risco para uma instituição financeira. Em seguida, Weisz, da Protec, detalhou como se deve desenvolver um processo para atrair investimentos e verbas provenientes de órgaos como o próprio BNDES, mostrando a importância de uma explicação “acadêmica” para elementos como objetivo, justificativa, escopo, metodologia, cronograma e estimativa de orçamento.

A dupla do Sebrae deu ênfase aos esforços para fomentar o design dentro das micro e pequenas empresas. Enquanto Wargas baseou sua apresentação na ilustração do painel atual das instituições de pequeno porte, que compõem mais de 90% das empresas formais brasileiras, Franzosi exemplificou como a entidade auxilia cada um dos diferentes perfis de empresas, com planos de incentivo direcionados àquelas que não conhecem o design; àquelas o consideram apenas estética; e àquelas que utilizam internamente com frequência.

Por sua vez, Borges, da Apex, procurou demonstrar como a entidade trabalha em conjunto com as associações especializadas em cada disciplina para auxiliar no desenvolvimento dos diferentes setores de uma determinada atuação. Afirmando que o papel da Apex é criar condições de negócios e capacitação para que os produtos e serviços brasileiros tenham destaque lá fora, ele pede ás nossas empresas: “O design também tem que ajudar, tanto melhorando, cada vez, mais, seus projetos, como tendo a iniciativa de chegar no exterior, baseando-se no nosso apoio. Procurem a Abedesign”, clama.

As imagens do evento foram gravadas e clicadas por Wagner Sousa.

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Ficha Técnica

Receita do professor
Neste vídeo, Gabriel Patrocínio, professor da Esdi (Escola Superior de Desenho Industrial) e um dos debatedores do fórum "Políticas governamentais", na Brazil Design Week, enumera as principais diferenças entre o apoio estatal brasileiro e de outros países concedido ao desenvolvimento do design, além de dar exemplos de como e o que podemos esperar do futuro de setor caso os investimentos, tanto do Governo quanto privados, se tornem mais significativos.

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