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15/07/2008 19:00

Sem papas na língua (João Roberto Marinho)

Gisele Centenaro
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Todas as frases da apresentação preparada pelo jornalista João Roberto Marinho para o IV Congresso Brasileiro de Publicidade defenderam a democracia e, conseqüentemente, a liberdade de expressão – jornalística, artística e comercial. O vice-presidente e responsável pelas relações institucionais da Rede Globo, também presidente do Conselho Editorial que atende a todos os veículos do grupo, foi enfático em cada palavra: “Democracia é liberdade de expressão”. Elogiou a participação no evento de Roberto Civita pela manhã, manifestando sua concordância com as críticas feitas pelo editor-chefe de Veja aos abusos cometidos em âmbitos Legislativo e Executivo quando o Estado brasileiro se lança em batalhas inglórias – e vexatórias – como tutor da população ao lhe usurpar o poder de julgar, por si própria, a qualidade das informações que recebe, bem como o caráter dos difusores dessas informações, conferindo-lhes ou deles retirando crédito por se revelarem bons ou maus comunicadores. E, mais de uma vez, afirmou que ao agir desse modo, chamando para si decisões que cabem exclusivamente aos cidadãos brasileiros, o Estado infantiliza a sociedade.

Diversos exemplos de abusos foram citados por Marinho, entre eles a condenação em primeira instâncias da revista Veja e dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo em episódio recente, no qual os três veículos foram acusados de fazer propaganda dos candidatos à Prefeitura de São Paulo quando, em verdade, cumpriam sua missão de bem informar a comunidade por meio da publicação de entrevistas. O equívoco foi desfeito pelo TSE, entretanto, o jornalista da Rede Globo questiona: “Não devemos ver neste fato um desapreço à liberdade de expressão? Um desrespeito à democracia? Não é extremamente perigoso quando os poderes Judiciário e Legislativo confundem, numa nação, jornalismo com propaganda?”

Marinho recorreu também a exemplos norte-americanos para enfatizar que mudanças urgentes precisam ser feitas na legislação brasileira com o intuito de fortalecer os pilares da democracia no País, onde, só para começar a discussão, as emissoras de televisão são impedidas por lei de manifestar juízos de valor sobre candidatos a cargos públicos. Os jornalistas, nesse contexto, se vêem constrangidos no exercício de sua profissão por minorias que, espertamente, “fuçam” brechas nas leis para coibir denúncias em reportagens cuja divulgação contribuem para a valorização da ética e, obviamente, para a conformação de uma sociedade saudável.

“Limite à  liberdade de um é limite à liberdade de todos”, apregoou o conferencista, incitando os profissionais do mercado a se unirem em torno de interesses comuns aos setores da indústria da comunicação, inclusive planejando movimentos de retaliação à visão paternalista do Estado, para quem, segundo Marinho, o consumidor parecer ser “um desavisado”. “Muda-se hábitos com mais, não com menos propaganda”, assegurou.

Rechaçando a censura em todas as suas modalidades, Marinho manifestou ainda seu inconformismo com a imposição do Ministério da Justiça nos processos de classificação de programas televisivos por faixa etária, de acordo com a avaliação do conteúdo de cada atração por funcionários do órgão – invariavelmente, despreparados para a tarefa. “Ao Ministério da Justiça cabe à indicação da classificação, não a imposição do horário. O cidadão brasileiro é adulto. Ele não pode ser tratado como subalterno, ou seja, ele tem direitos de escolha e sabe fazê-las. Além disso, uma das chaves do sucesso das grades de emissoras de televisão atualmente está contida na seguinte premissa: saber no tempo presente, nem à frente nem atrás.”

Antes de finalizar, João Roberto Marinho lembrou que a teledramaturgia brasileira é um sucesso internacional, no momento ameaçada. Ameaça que não recai somente sobre a audiência ou o faturamento das redes de TV, mas, essencialmente, sobre sua qualidade criativa, o que, com certeza, compromete o fortalecimento do talento brasileiro tanto no mercado nacional como no exterior. “O artista brasileiro sabe ser audacioso sem ofender, sabe ser engraçado sem constranger, sabe ser ousado sem confrontar”, sentenciou.

Na sessão de perguntas da platéia, Marinho teve a oportunidade de listar os êxitos da Rede Globo em termos de audiência, de acordo com dados recentes do Ibope; e esclarecer que, diferentemente do que vem acontecendo com a área de entretenimento, o jornalismo dos veículos do grupo não tem sofrido qualquer tipo de censura por parte do Governo Federal.

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Ficha Técnica

A audiência não mente
Na sessão de perguntas da platéia, João Roberto Marinho teve a oportunidade de listar os êxitos da Rede Globo em termos de audiência, de acordo com dados recentes do Ibope; e esclarecer que, diferentemente do que vem acontecendo com a área de entretenimento, o jornalismo dos veículos do grupo não tem sofrido qualquer tipo de censura por parte do Governo Federal.

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