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14/07/2008 15:00

Propaganda do bem (Kofi Annan)

Gisele Centenaro
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De que lado estamos nós, brasileiros, no cotejo com os demais países da América Latina? E do mundo? De que lado estão nossas empresas na comparação com o lugar ocupado pelos consumidores quando a reta do horizonte é traçada pela consciência sócio-ambiental? De que lado estão todas as corporações empresariais do mundo no momento de assumir sua parte de responsabilidade na busca de soluções para problemas de caráter político, econômico e de seguridade, causadores de males que atingem bilhões de seres humanos? Na opinião de Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, estão certos todos aqueles que perfilam entre os cooperantes, isto é, aqueles que cooperam em projetos por um mundo melhor. Não há grande novidade nesta assertiva do Prêmio Nobel da Paz. Intrigante e difícil é refletir, porém, sobre uma faceta dura dessa nova realidade: quem não está cooperando já está sendo considerado um competidor destrutivo. Foi este o tema central da conferência de abertura do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, cujos organizados pagaram, segundo fontes extra-oficiais, 150 mil dólares para ter Annan entre os palestrantes internacionais do evento.

Recepcionado por Ana Paula Padrão, Kofi Annan abriu os trabalhos do primeiro dia do evento logo após os agradecimentos feitos por Dalton Pastore, presidente da Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade), também empossado presidente do congresso. Segundo balanço de Pastore, 1.426 profissionais participam do IV Congresso de Publicidade (1.023 pagantes), entre eles 387 estudantes – até o momento, não foi divulgado o número de profissionais de cada área da indústria de comunicação, portanto, não se sabe ainda quantos executivos de empresas anunciantes decidiram acompanhar o encontro.

A palestra de Kofi Annan seguiu a tônica das apresentações que ele tem feito pelo mundo nos últimos anos, sempre estimulando a conscientização sobre o negativo impacto ambiental que vem sendo gerado por comportamentos irresponsáveis, sendo que, nesta segunda-feira, 14 de julho, ele se concentrou no universo capitalista para condenar a falta de cooperação em torno de questões de suma importância para homens, mulheres e crianças, principalmente residentes em países pobres, enfatizando que a globalização traz enormes vantagens, como a possibilidade dos países ricos transferirem tecnologia para os mercados subdesenvolvidos, mas que é sob as interconexões globais dos investimentos e divisão de lucros que também se intensificam muitas dificuldades, essencialmente em decorrência das atividades das companhias que ainda não entenderam (ou não aceitaram) que “fazer o bem faz bem aos negócios”.

“Se é válido e lícito termos a globalização do marketing, creio que não podemos deixar de estimular, simultaneamente, a globalização de valores”, pontuou Annam, no trecho de sua conferência no qual chegou mais perto das cruciais questões contemporâneas que têm preocupado a indústria da comunicação nesta primeira década no século XXI.

Como já era esperado, Kofi Annan insistiu na necessidade da luta incessante em defesa da liberdade, paz e dignidade humana, mostrando que há caminhos para que empresas e empresários cooperem com pequenas, médias e grandes causas, começando pela resolução dos problemas de impacto ambiental provocadas pelos seus processos produtivos, bem como pelo uso de seus produtos. Esta contribuição real, conforme sinalizado pelo Prêmio Nobel da Paz, tem “impacto positivo” sobre os negócios, pois é bem mais fácil fazer propaganda eficaz ou desenvolver programas de relações públicas para quem já é bem visto pelo público em geral.

Não há ingenuidade nos mercados, fundamentalmente nos mais avançados, entretanto, como alertou Annan, mesmo que custe caro o investimento na eliminação de fontes poluentes e devastadoras do meio ambiente, é isto que precisa ser feito se temos a pretensão de dizer que estamos “criando o futuro”, além de nos empenharmos para propiciar uma melhor divisão dos recursos naturais entre as nações, de modo que os mais pobres não continuem sendo penalizados em face do progresso dos mais poderosos.

O termo "poder" foi usado por Annan, aliás, também ao se referir a grandes potências, como Índia, China e Brasil. Desses povos, como ressaltado por ele, será cobrada, cada vez mais, responsabilidade desde a raiz de suas atitudes. O poder dos “emergentes” aumenta gradativamente, assim como se torna condição sine qua non o engajamento desses países no grupo daqueles que cooperam para que se atinja o “sonho, ainda distante, de um mundo balizado por valores morais e éticos em todas as dimensões".

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Ficha Técnica

Um autógrafo, por favor?
A palestra de Kofi Annan seguiu a tônica das apresentações que ele tem feito pelo mundo nos últimos anos, sempre estimulando a conscientização sobre o negativo impacto ambiental que vem sendo gerado por comportamentos irresponsáveis, mas, antes de discursar sobre o tema proposto pelos organizadores do congresso, ele brincou com os participantes, referindo-se à semelhança física que possui com o ator Morgan Freeman.

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