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15/02/2007 18:24

Música de qualidade (Entrevita com os maestros Roberto Sion e Júlio Medaglia)

Carla Nogueira e Andressa Dantas
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O Museu da Casa Brasileira (MCB) anunciou nesta quinta-feira, 15 de fevereiro, a temporada 2007 do projeto “Música no museu” que, pelo segundo ano consecutivo, conta com o patrocínio da empresa Aços Villares. A curadoria ficou sob a responsabilidade dos maestros Roberto Sion e Júlio Medaglia, bem como do instrumentista Benjamin Taubikin, que comandarão individualmente cada um dos três ciclos do programa. Ao todo serão 40 apresentações gratuitas aos domingos, às 11:00, com início em 4 de março e encerramento em 16 de dezembro.

O projeto nasceu em 1997, sendo que em sua fase de début eram realizadas cerca de 10 apresentações a cada ano para no máximo 80 pessoas, sempre aos domingos, no hall do museu. Em 2003, Adélia Borges assumiu a diretoria da instituição e levou os espetáculos, já focado na diversidade cultural da música, para o terraço a fim de abrigar um público maior, permitindo, desse modo, que muito mais cidadãos usufruíssem do jardim encantador de 6.600 metros quadrados do museu.

“A música é uma linguagem artística universal, vibrante, emocionante, que toca muito de perto todas as pessoas, tradicionalmente bem mais do que as exposições. E isto tem atraído muita gente, tanto que o número de expectadores saltou de 4.625 para 19.906 em apenas três anos”, salienta a diretora do MCB.

Outra grande diferença no andamento do projeto refere-se aos recursos financeiros disponíveis. Até 2005 a verba era granjeada através de parcerias realizadas com várias instituições, porém, mesmo assim a quantia era variada e insuficiente. A partir do ano passado, esse cenário começou a mudar, como explica Adélia Prado: “Em 2006, o programa conquistou importante vitória ao obter pela primeira vez o patrocínio de uma grande empresa, a Aços Villares. Isso possibilitou o desenvolvimento de uma linha curatorial na programação dos espetáculos, com planejamento e antecedência, o que aumentou a qualidade das apresentações, além de permitir o pagamento de cachê a todos os músicos convidados pelo projeto”.

Sobre o patrocínio, Maria Elvira Viedma, supervisora de comunicação da Aços Villares, acrescenta: “Investimentos sociais na área cultural é uma vocação da Aços Villares para atingir o grande público, sobretudo nas cidades onde temos instalações, ou seja, São Paulo, Pindamonhangaba, Mogi das Cruzes e Sorocaba. Com eles, procuramos principalmente a inclusão social. Queremos democratizar a cultura, saber que ela se propaga e cativar um público que muitas vezes não tem acesso a atrações do gênero”.

Ainda neste ano, a Aços Villares também patrocinará a exposição “Nos trilhos do trem das 11”, prevista para o mês de julho no Sesc Santana, assim como o projeto sócio-cultural “Crescer com arte – desenhando com Daniel Azulay”, e lançará o “Circuito Aços Villares de Teatro”, sendo os dois últimos dirigidos ao público infanto-juvenil. A empresa também fechou parceria com a Pinacoteca de São Paulo para realizar a mostra cultural “Pinacoteca na praça”, que será levada às cidades do interior paulista onde possui instalações.

O Museu da Casa Brasileira (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705) faz parte da rede de instituições mantidas pelo Governo do Estado de São Paulo e vinculadas à Secretaria de Estado da Cultura.

Apresentações musicais variadas durante todo o ano

A divisão do projeto "Música no Museu" em três etapas oferece ao público a oportunidade de conhecer as diferentes vertentes musicais. Com uma proposta inovadora que engloba “big bands”, quartetos, quintetos, flautas, saxofones, violões, todos apresentando diferentes estilos musicais, os encontros matinais aos domingos irão, certamente, surpreender e agradar aos ouvintes.

A mistura de estilos, timbres e tamanho das formações de maneira contrastante traz à primeira temporada, que acontece de março a maio, um estilo experimental. O maestro Roberto Sion não poupou esforços para criar uma inusitada e variada programação. “Procuro gostar do que é bom, sem muitos rótulos. Tentei trazer um pouquinho de cada estilo, escolhi pessoas que fazem trabalhos bonitos, com uma variedade de estilos e gerações”, enfatiza o músico, ao se referir à diversidade sonora de sua proposta.

Entre variações do jazz e da MPB, da viola caipira e da guitarra, de violonistas clássicos interpretando músicas de Baden Powell e Djavan, o público apreciará uma seleção escolhida criteriosamente. Sion, que não deixa de lado sua paixão por tocar, já anunciou sua participação in loco. “Fiquei com vontade de participar dos concertos e achei importante estar presente para apresentar o trabalho e abrir o espaço para perguntas, e também dar uma ‘canja’ em alguma apresentação”.

O incentivo concedido pela Aços Villares é de extrema importância para os músicos – e também para o público, obviamente, pois, como acrescenta o maestro Júlio Medaglia, ouvir boa música em nosso país é um privilégio, atualmente, para poucos, em razão das condições socioeconômicas da população e das raras ocasiões nas quais esse gênero de atração é ofertada gratuitamente. E ele ainda provoca: “Música está em todo lugar. Entretanto, quanto mais música se faz pior fica, por isso não tenho rádio nos meus dois carros”. Por outro lado, como enfatiza o maestro Medaglia, vão proliferando os incentivos a trabalhos sem qualidade pelo Brasil.

Nos domingos de junho a agosto, o jardim do MCB ficará repleto pela leveza e espontaneidade da música de câmara, prática onde o artista mostra a profundidade de seu talento através de uma reveladora interpretação. “É importante espaços como este que possibilitam a apresentação de um alto repertório, com qualidade e música inteligente”, ressalta Medaglia, que inserirá na segunda fase da temporada o que há de mais fino na criação musical brasileira, com apresentações de intérpretes de larga experiência.

A última temporada, que será apresentada de setembro a novembro, foi idealizada pelo instrumentista Benjamim Taubkin, que pretende aproveitar todo o espaço oferecido para mesclar música e dança. “Vai ser uma mistura muito bacana. O universo da música tradicional brasileira... a mistura de pífanos... o boi... as pessoas dançando.”

O repertório de Taubkin compreenderá não apenas as músicas clássicas e tradicionais, como também uma fusão com sons eletrônicos. “O objetivo é aproximar as obras de autores como Mignone, Camargo Guarnieri e Cláudio Santoro daqueles que fazem música instrumental popular brasileira”.

O encerramento da programação de 2007 do projeto "Música no museu" será no dia 16 de dezembro.

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Ficha Técnica

Combinação de estilos
Os maestros Roberto Sion e Júlio Medaglia, ao lado do instrumentista Benjamin Taubkin, avaliam, neste vídeo, a diversidade de estilos que eles prepararam para a edição de 2007 do projeto “Música no museu”, patrocinado pela Aços Villares.

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