Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comAlgum tempo atrás, Gisele Bündchen visitou o Xingu e conheceu a realidade de uma das tribos que compõem o Parque Indígena do Xingu. As imagens do local não saíram da sua cabeça, e, no início deste ano, ela decidiu fazer alguma coisa para ajudar. A idéia era conscientizar o maior número possível de pessoas sobre a atual situação das tribos do Xingu e arrecadar recursos para apoiar um projeto já existente e que auxiliasse essas comunidades.
A Grendene, parceira de Gisele há quatro anos, se envolveu no projeto tão logo soube da intenção da modelo e propôs o lançamento de um produto temático sobre o Xingu.
O projeto começava a criar corpo. O primeiro passo era escolher quem receberia o apoio e, para isso, Percival Caropreso, da Setor Dois e Meio, foi chamado como consultor para levantar opções. Após vasto trabalho, foi escolhido o Projeto Y Ikatu Xingu (“Salve a Água Boa do Xingu”), do Instituto Socioambiental (ISA).
O intuito é chamar a atenção da sociedade para o desmatamento das cabeceiras do Rio Xingu, símbolo da diversidade socioambiental brasileira. Nos últimos 10 anos, a devastação dessa área dobrou de tamanho, e muitas nascentes estão secando e afetando a qualidade de vida de 250 mil pessoas, incluídos nessa conta 18 povos indígenas. Pequenos e grandes produtores, ONGs, pesquisadores, lideranças locais e, naturalmente, índios já participam da campanha e lutam pela proteção e recuperação das nascentes e matas ciliares.
Dentre as tribos afetadas, os Kisêdjê foram os escolhidos para este projeto. Eles são conhecidos pelas suas músicas, aprendidas com os seres e espíritos que, segundo suas tradições, habitam aquelas terras, por suas manifestações de ideais de beleza, pela sua vida harmoniosa em comunidade e pela integração dos dois mundos que os cercam: o humano e o não humano. Além disso, lutam pela integridade do seu território e contra a ocupação desordenada das cabeceiras do Rio Xingu. A escolha dos Kisêdjê foi o segundo passo.
Em abril, começou a terceira etapa: o produto da Grendene começava a ser desenhado. Durante três dias, oficinas de grafismos em plena tribo Kisêdjê, envolvendo os próprios índios, começavam a definir os padrões que seriam usados nas sandálias. Anhi ro roptxi (“[fiz] uma onça em mim mesmo”), tepsôk nhõ sôgô (“pintura do botoque”) e anhi ro küntêmtêm (“[fiz] uma espiral em mim mesmo) foram os selecionados.
Projeto escolhido, tribo selecionada, sandálias em produção… Hora de levar Gisele Bündchen até a aldeia Kisêdjê. A produção do filme consumiu três meses e ele foi rodado em cinco dias.
Priorizando a veracidade do filme, não há atores ou figurinos preparados. Os atores são os índios da própria aldeia usando unicamente trajes característicos de festas e rituais. A trilha também é autêntica, composta e tocada por eles. Até a Ipanema que aparece nos pés da Gisele tem um toque Kisêdjê: os 3 grafismos obtidos na tribo dominam toda a superfície da sandália.
O filme mostra Gisele se adornando dentro de uma grande oca com a ajuda de outras mulheres da tribo, enquanto os homens, em uma grande roda do lado de fora, entoam um cântico e dançam.
Com vigorosas batidas de pés, chocalhos e movimentos ensaiados, os homens conseguem seu objetivo: a dança chama a chuva.
As mulheres também alcançam o seu objetivo: deixar Gisele uma “autêntica” índia, ainda mais bonita e muito mais misteriosa.
Um dos índios que dançava do lado de fora deixa a formação, pega uma caçamba que está no meio da roda e entra na oca das mulheres.
Ele se aproxima de Gisele, e notamos que a caçamba está cheia de água, funcionando como um espelho para que ela consiga ver seu reflexo.
