Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comA exposição de produtos à venda em caixas e gôndolas a menos de dois metros dos checkouts das lojas pode ser proibida, se o Congresso Nacional aprovar a proposta de autoria do deputado Lincoln Portela (PL-MG).
O projeto tem como objetivo acabar com a prática, comum no varejo, de colocar à disposição do cliente mais produtos na hora em que ele já se prepara para fechar a compra. O deputado alega que a técnica é abusiva contra o consumidor, porque o incentiva a adquirir produtos dos quais sequer está necessitando, além de exercer forte pressão sobre o público infantil. O projeto está sendo analisado pela Comissão de Defesa do Consumidor, que tem como relator o deputado Simplício Mário (PT-PI).
A nota acima saiu em todos os jornais logo no começo de 2005. Já estamos acostumados a levar estes sustos vindos do nosso quadro político, que de tão pitorescos assustam mesmo. Assustam pelo absurdo da matéria e pela falta de noção de mercado. Por acaso os nobres parlamentares sabem que 55.000 padarias deverão arrancar o seu caixa do lugar e instalar mais de 30 tipos de produtos em outro lugar que não consegue ficar a mais de dois metros da área? Que 40.000 bares terão que arrancar sua decoração de seus balcões? Que 50.000 farmácias precisarão desmontar seus checkouts? Que todos os adesivos de bancos e cartões de créditos deverão ser arrancados dos caixas de milhões de lojas e botiques? Que todas as redes de fast-food terão que desmanchar sua comunicação? Que todas as bancas de jornal serão cortadas ao meio? Que todos os postos de gasolina e lojas de conveniência deverão se adequar? Que o varejo bancário também deverá limpar seus vidros nos caixas? E que todos os super e hipermercados terão que remover os caríssimos equipamentos de seus 180.000 checkouts?
Não precisa ser bom de conta para perceber que estamos mexendo com todo o comércio nacional. E não precisa entender de política para saber que estamos mexendo com a industria tabagista, de sorvetes, de doces, de baterias, de lâminas de barbear, de revistas, e de outras “trocentas” indústrias que dependem daquele pedacinho de exposição chamado caixa registradora, que numa exposição inerte, não obriga nenhuma criança a comprar se a mãe não quiser.
Vivemos num mundo de exposição em todos os sentidos e o impulso de compra silencioso acontece na mente de cada um de nós a todo o momento.
Agora, se resolverem que tudo o que provoca impulso de compra vai ser considerado comércio abusivo, então devemos acabar em primeiro lugar com o auto-serviço todo, voltando com os produtos para trás dos balcões como em 1930; em segundo, com a televisão que cria impulso de compra nas crianças já dentro de casa (mais abusivo impossível); e em terceiro, acabar com o horário político que costuma expor certos “produtos” que influenciam toda a população, prometendo as soluções dos problemas sérios da nação, mas que acabam gastando o tempo de muita gente com projetos assustadores e mercadologicamente impossíveis.
Regina BlessaRegina Blessa (www.blessa.com.br) é vice-presidente de pesquisa do Popai Brasil e consultora em ponto-de-venda.