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POPAI BRASIL

24/10/2003 19:40

O governo quer mesmo gerar empregos?

Ronald Peach Jr.

Peço para algum dentre os milhares de militantes do PT, que agora são situação, para ler esta matéria e levá-la ao novo governo, visto que isto parece uma tarefa impossível. Há quase um ano, escrevi uma matéria na qual apontei, por meio de estudos da Ampro, do Popai, da ABA e de outras entidades, que um milhão de empregos poderiam ser gerados imediatamente, se o novo governo liberasse as promoções comerciais e sorteios no ponto-de-venda. Acho que a mensagem não ficou muito clara, por isso vou ser bem direto e simples, como aprecia nosso presidente:
"Sr. Presidente da República, peço encarecidamente, em nome dos brasileiros e da economia nacional, que se tire da competência da Caixa Econômica Federal o poder de legislar sobre promoções. Desde que essa instituição passou a aprovar promoções que ocorrem em supermercados e shopping centers, em maio de 2001, o Brasil perdeu 600 mil empregos diretos.
Dar um prêmio a uma dona-de-casa que compra uma caixa de sabão em pó ou meia dúzia de produtos, que deixa toda a sua família feliz, que transforma a compra em lazer e que movimenta todo o varejo nacional passou a ser tão difícil quanto aprovar sua reforma tributária. Pior, já que não temos acesso às pessoas que podem mudar isso, pois são surdas ao problema.
A Genab – Gerência Nacional de Bingos e Promoções Comerciais — responsável direta pelo problema —, que já foi procurada pelas associações por inúmeras vezes, se diz impossibilitada de fazer algo pelo setor, pois utiliza uma lei de 1971, época em que nem sequer existiam computadores, eletrônica ou internet, ou seja, o mundo em que vivemos hoje. E certamente não está muito preocupada com o problema, visto que os empregos de seu pessoal estão seguros.
Vivemos sob a égide do Talibã promocional, enquanto ouvimos pela TV que o novo governo quer empregar — direcionando todas as suas baterias para as montadoras, como se fossem as únicas grandes empregadoras do País. Quantos segmentos econômicos têm capacidade para gerar um milhão de empregos, entre diretos e indiretos, em curto espaço de tempo?
E o que é mais triste: até 2001, esses problemas não existiam, visto que o Ministério da Fazenda e posteriormente o Ministério da Justiça aprovavam promoções como aquelas em que se davam carros em shopping centers, entendendo que a legislação era arcaica.
O senhor se lembra, presidente? Pois então, procure algum shopping fazendo isso hoje em dia e não encontrará.
Quais os reflexos disso? A promoção brasileira está restrita a preços, uma guerra interminável que termina com o sucateamento do parque industrial e do comércio. A criatividade e a diversão foram para o espaço. Todos os empregos envolvidos, como os de promotores, motoristas, fornecedores de equipamentos, brindes, agências de promoção, veículos publicitários e do varejo, estão sofrendo diretamente na pele a falta desse recurso legítimo de vendas.
Presidente, rezarei todos os dias para que este artigo chegue em suas mãos. Pois como pequeno empresário, que viu sua empresa reduzir em 70% seu quadro de funcionários no período, sei do que estou falando.
Como presidente de associação, também.
E minha indignação aumenta quando descubro que para um brasileiro ganhar na megasena tem de pagar pela aposta para ter uma chance em 50 milhões. Enquanto isso, uma dona-de-casa, no supermercado, que não paga nada por sua aposta, poderia levar um prêmio na hora (e as empresas querem que leve, pois isso é marketing), mas a Caixa não deixa.
Dois pesos, duas medidas."

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