Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comSegundo um velho ditado, a humanidade se divide em dois grupos: os que choram e os que vendem lenços. Muitos empresários e funcionários viveram um pequeno inferno no biênio 2001/2002 e, até aqui, 2003 não se tem mostrado muito melhor. Surge uma dúvida enorme sobre a viabilidade, o retorno financeiro, a realização pessoal e outras coisas que são os termômetros materiais do sucesso. Pois bem, a regra do lenço não mudou. Sem querer ser ufanista, ainda vivemos num país lindo, bom para o turismo; temos água e sol de sobra; temos riquezas naturais em profusão, prontas para a industrialização; e temos um potencial de desenvolvimento inquestionável pelo nosso mix de culturas. Aqui, não promovemos guerras entre povos e etnias diferentes, pois sabemos que negros e brancos, judeus e cristãos, israelenses e palestinos são iguais perante Deus. Não temos terremotos, nem furacões. Portanto, estamos prontos para a globalização. E temos uma oportunidade histórica para isso, pois nossos preços estão bons lá fora. Na agricultura e em outros setores exportadores, o pessoal vai muito bem, obrigado. Tem gente vendendo lenços.
Temos, também, um segundo semestre promissor, pois as desculpas acabaram. A crise argentina se foi, a energética também, o Bin Laden sumiu, o Lula está eleito, a guerra no Iraque está enterrada. Setorialmente, a Caixa Econômica Federal parece estar querendo abrir o olho e fazer justiça ao liberar mais tranqüilamente as promoções comerciais que impulsionam vendas. Começamos a observar promoções interessantes em pontos isolados. Esperamos que seja um fato, não apenas um acidente. Somadas as intenções de reformas e de queda de juros, teremos o País voando em céu de brigadeiro. Isso, porém, exige algumas atitudes. Os brasileiros precisam perder um pouco de sua inocência. Somos muito bobos. Primeiro, porque não reclamamos de nada, aceitando passivamente os absurdos históricos de nossa classe política. De tudo que se produz no País, 35% vai para as diversas esferas governamentais na forma de impostos. Do que sobra, outra grande parte é absorvida pelos bancos na forma de juros e taxas. Resta ao povo o saldo desses dois enormes ralos, por onde escoam nosso trabalho e nosso suor.
Nos termos em que está sendo proposta, a nova reforma tributária é uma piada. Análise da Fiesp alerta para o aumento da carga de impostos e uma simplificação mínima na burocracia no novo modelo proposto. Quem vive em São Paulo sabe que a senha arrecadatória não tem sido sinônimo de qualidade de vida.
Nosso presidente precisa sair do palanque e começar a agir mais rápido, pois não está mais em campanha. A redução de juros de 0,5% não é suficiente para aquecer a economia, mesmo que seja um bom sinal. As indústrias não têm com quem tomar capital de giro, nem o consumidor. O comércio está parado, pois a taxa de emprego caiu. É hora, portanto, de investir no comércio e na indústria com linhas de crédito urgentes e baratas, que permitam comprar máquinas, produzir e trazer de volta os empregos perdidos.
Lula estará dormindo se não atuar sobre os bancos governamentais com mão-de-ferro, exigindo destes uma atitude pró-ativa na liberação do dinheiro. Afinal, se o Brasil está recebendo capital externo do FMI, por que não repassa a quem produz? Por que nosso governo não faz como o americano, que, na hora da crise, abaixa os impostos? Por que nós, os brasileiros, não protestamos mais, exigindo atitudes daqueles que elegemos após lindas promessas? E, finalmente, que tal se pararmos de falar mal do nosso país aos estrangeiros, atraindo os turistas tão necessários à nossa economia? Ou você acha mesmo que fora do Brasil não há assaltos, batedores de carteira e assassinatos?
O Popai Brasil está fazendo sua parte. Sempre que podemos, protestamos, cumprindo nossa missão de defender os interesses dos associados. Conforme prometemos há dez meses, nós estamos trabalhando muito forte em diversas frentes: palestramos em cinco grandes universidades; temos uma grade de cinco cursos de merchandising indo a campo; nosso novo site está no ar; e nossa premiação deverá ter um recorde de inscrições, recebendo o reconhecimento do mercado como referência de qualidade, profissionalismo e isenção. Em acordos inéditos com entidades e organizações como a Alshop, conseguimos espaços subsidiados em feiras como a BrasilShop. Premiamos stands na Apas e estaremos na Abad. Nossa participação na mídia tem sido muito maior e, apesar da guerra, pudemos ir ao GlobalShop e trazer informações novas aos associados. A edição do ano que vem será em Las Vegas.
Esperamos que os nossos atuais e futuros associados possam estar conosco, trilhando esses passos para um futuro melhor e vendendo muitos lenços, sem nunca perder a esperança.
ronald@merchandising.com.brRonald Peach Jr. é diretor da Droid, da Oficina de Merchandising e presidente do Popai Brasil