Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comA DPZ acusa a Bates Brasil de usar, no comercial de Natal das Casas Bahia, texto criado pela redatora Liliana Barabino em campanha institucional assinada pela agência, durante a Copa do Mundo de 2002.
O sucesso do texto fez, inclusive, com que ele fosse atribuído, na internet (apesar da diferença grande de estilo), ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, o que não deixou de lisonjear a redatora.
Silvio Matos, presidente e diretor de criação da Bates, depois de confirmado não se tratar de um texto de Drummond, aposta que a composição é de “domínio público” e que, inclusive, teria sido usada por uma agência do interior de São Paulo antes da DPZ, portanto, se a Bates plagiou, a DPZ também teria plagiado. Mas, a DPZ nega e garante que consultará seu departamento jurídico para tomar uma atitude quanto ao uso indevido da mensagem.
Sobre o caso, a DPZ divulgou nesta tarde o seguinte comunicado oficial:
Após verificar a informação de que o texto do filme de Natal das Casas Bahia é plágio
de um anúncio criado pela DPZ, a agência comunica: O texto utilizado no filme foi criado pela redatora Liliana Barabino, então na DPZ, e fez parte de uma ação institucional da agência durante a copa do mundo de 2002. O anúncio foi publicado nos jornais Meio & Mensagem (03 de junho de 2002) e Propaganda & Marketing (Edição 1.909) e na revista About (Edição 678), no ano passado. A DPZ adotará as medidas cabíveis diante da situação, caracterizada pelo uso indevido do texto, após consultar seu departamento jurídico.
O texto do anúncio da DPZ é o seguinte:
"Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina. Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo. Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então?
"E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer. Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante. Começou a torcer até para um time.
"Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. Nessas horas, você só torcia para não ter nascido. E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
"Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade. Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.
"Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço. Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado. Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. Seus pais torciam para passar logo essa fase.
"No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você. Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela. Primeiro, torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Passou a se torcer à noite na cama. Torceu para não broxar.
"Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho. Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele.
DPZ. Torcendo por você, torcendo pelo Brasil".
Texto de sucessoO sucesso do texto da redatora Liliana Barabino fez, inclusive, com que ele fosse atribuído, na internet (apesar da diferença grande de estilo), ao poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, o que não deixou de lisonjear a redatora.