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AMI

15/09/2004 14:54

A marca interfere ou não na compra virtual?

Cristina Rother

Sabemos mesmo se os consumidores se comportam de maneira igual no ponto-de-venda, seja no supermercado, seja em uma loja de conveniência ou na internet? Esta é uma longa e empírica discussão, que nos leva à história de como chegamos à necessidade de realizar a "Primeira pesquisa comportamental de compras pela internet e as influências da marca na decisão no PDV virtual", assim como quais seriam as melhores ações para as empresas que querem investir no mercado digital.
 
Sei que parece que já temos essas respostas, mas lembro que temos mediante algumas aplicações isoladas, resultados avulsos, dos portais ou lojistas on-line, às vezes contraditórias às de nossos parceiros de varejo e sem algumas respostas quanto à aplicação do brand-awareness. No Brasil, não temos nenhuma informação que seja embasada em respostas com fundamentos teóricos, com modelos aplicáveis, reconhecidos, e uma base (amostral) definida que nos responda esta questão. Diferentemente dos nossos amigos americanos, que realizaram pesquisas nesse sentido. Mas, antes de entrar no assunto específico, gostaria de ilustrar como aconteceu; pois poderia bem entrar para um próximo livro, das "Histórias da Internet...".
 
Tudo começou de maneira bem típica ao nosso cotidiano: um e-mail encaminhado ao Popai, de um heavy-user (o Fernando Gomes, coordenador de marketing da minha equipe, na Globo.com) e sua imensa curiosidade geminiana e profissional, querendo saber como o Popai – Point of Purchase Advertising International encarava o ponto-de-venda on-line.
 
Por conta dessa curiosidade, ele acabou assumindo a cadeira de marketing da associação para responder sua própria pergunta. Por isso, hoje, além do ponto-de-venda "real", a instituição passou a se preocupar com o PDV virtual.
 
O Popai tem know-how reconhecido e inúmeros estudos sobre o ponto-de-venda e as atitudes dos consumidores, como se comportam antes, durante e depois da compra. Uma das pesquisas do Popai revela que 85% da decisão de escolha de uma marca é feita no ponto-de-venda, tanto em super como em hipermercados brasileiros. E que este número, levantado em 1998 com 1.860 consumidores, é o maior porcentual do mundo, em que somos recordistas nesse tipo de decisão!
 
O PDV envolve todo um comportamento típico e já conhecido, estudado e diagnosticado pelo Popai, mas que para mim é tão complexo e desconhecido, pois sou tipicamente uma consumidora de internet.
 
Você deve estar psicologicamente preparado para fazer parte desta amostra, que é o consumidor no PDV. É toda uma equação, que envolve: estacionar o carro, andar milhas dentro do supermercado, de salto alto pós-trabalho e cansada, andar nos intermináveis corredores, achar o que precisa (se souber o que precisa), colocar no carrinho (ih... de novo, a rodinha está emperrada!), trocar de carrinho, pagar com cheque ou cartão, puxa, esqueci de pegar o talão de cheques! E ainda sempre me perguntam se tenho cartão fidelidade X ou Y e questiono: "o que ganho com isso?". Geralmente a resposta é: "Nada, senhora", ou "as vantagens de ter o cartão X ou Y"; agradecer ao atendente, empacotar, levar para o carro, chegar em casa, desempacotar... ufa!
 
Por isso sou uma daquelas consumidoras que gastam três vezes mais quando compram pela internet (é estatisticamente comprovado que quando compramos pela web nos empolgamos, sofremos outros impactos, talvez dos odiados pop-ups ou pelas ofertas irresistíveis, através dos banners ou ainda pela falta de culpa, já que estamos a um click da compra).
 
Quem sabe o que passa na cabeça e o que influencia este ou aquele perfil de consumidor que está diante da tela do computador em comparação aos que, como meu marido, adoram ir ao supermercado e pesquisar novos produtos?
 
Chegamos, finalmente, ao nosso objetivo: a AMI visualizou a possibilidade de termos um cruzamento entre esses dois comportamentos, em que esse consumidor, no meio tradicional, é influenciado por degustações no PDV, gôndolas, embalagens novas, designs chamativos, propaganda, muitas promoções, sampling e inovadores versus nós, os consumidores.com.
 
Pretendemos, com este estudo, criar uma cartilha para indicar e avaliar as características do meio digital como ponto-de-venda e as ações ideais para cada segmento desse mercado.
 
A metodologia do estudo, que será realizada pela empresa Amyris Fernandez Consultores e Associados (www.amyrisfernandez. com.br), é inédita. A pesquisa está baseada em técnicas de estudos recentes, provenientes de diversas áreas da ciência: psicologia cognitiva, desenvolvimento de softwares e propaganda em meios digitais.
 
A pesquisa será vendida em forma de cotas de patrocínio, que já estão disponíveis, e a expectativa é que dentro de quatro meses o mercado tenha os primeiros resultados.
 Bom, tenho de terminar aqui, pois hoje é dia de tortura e preciso ir ao supermercado (físico)! Juro que a próxima é pela web, com minha listinha de compras pronta, arquivada, onde faço o download, acrescento alguns itens, que não sei bem se ao acaso, mas vou enchendo o carrinho com coisas que nem me lembro por que comprei...

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cris.rother@globo.comCristina Rother é diretora de planejamento de marketing da Globo.com e diretora de informações da AMI - Assossiação de Mídia Interativa.

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