Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comComprei um fogão, sim, mas depois de ter pesquisado os preços pela internet." A frase foi de uma consumidora entrevistada no Jornal Nacional, em matéria sobre a retomada da economia brasileira.
A consulta a informações sobre produtos e serviços é uma prática freqüente entre os 33 milhões de brasileiros que têm acesso à internet, seja em suas casas, escritórios, universidades, cybercafés e centros públicos de acesso. Outras atividades, como trocar e-mails, escutar rádio on-line, fazer download de músicas, filmes e outros conteúdos digitais, somam-se à lista de preferências desses indivíduos, que já representam 19% da população total e colocam o Brasil entre os líderes da internet mundial em termos de sofisticação na forma e na intensidade de uso do meio. Somente em suas residências, em abril, os internautas brasileiros passaram 13 horas e 43 minutos navegando na rede; 22 minutos a mais que os internautas americanos e apenas 37 minutos a menos do que os internautas japoneses.
Apenas no segmento automotivo, o Ibope/NetRatings identificou que 75% dos compradores de carros novos pesquisam preços e modelos na internet, antes de se dirigirem às lojas para tentar obter descontos. Dados como estes revelam que a internet representa uma enorme oportunidade de relacionamento direto entre as grandes marcas e seus públicos e, também, que a web é uma importante ferramenta de persuasão para clientes que compram através de qualquer canal.
Além disso, a internet é um dos raros casos no Brasil de crescimento sustentado constante, com taxa muito superior à dos demais segmentos da economia nacional: o número de pessoas que têm acesso à internet em todos os ambientes em nosso país cresceu 72% entre o primeiro trimestre de 2002 e o de 2004. Trata-se de um recorde entre os 10 países cobertos pela Nielsen/NetRatings: depois do Brasil, os países que apresentam o maior crescimento são Espanha e Alemanha, com índices de 50% e 25%, respectivamente.
No entanto, enquanto a abrangência do canal eletrônico cresce numa velocidade de fazer inveja a qualquer segmento, a importância do canal internet ainda não foi percebida em toda a sua dimensão por boa parte das empresas nacionais. Embora a lista de anunciantes on-line tenha triplicado entre setembro de 2000 (início das operações do Ibope/NetRatings no Brasil) e os dias de hoje, muitas organizações ainda olham este meio com desconfiança.
Um dos fatores que levam as empresas a ainda desacreditar este meio é a abundância de números sobre a internet, que proliferam pela própria facilidade da coleta de dados. Enquetes feitas a partir da colocação de perguntas em sites diversos misturam-se aos números gerados por pesquisas sérias conduzidas por institutos reconhecidos por sua metodologia e estatística.
Além disso, a internet como indústria está na sua infância e, num mundo cada vez mais digitalizado, traz novos formatos com freqüência, aumentando ainda mais o desafio de medição e de compreensão por parte dos executivos que não estão diretamente ligados a este mercado.
Um caso emblemático foi o início da medição de aplicativos (como ICQ, Instant Messenger ou Windows Media Player) no painel de internautas do Ibope. Esta nova "medida" trouxe mais um recorde para a internet brasileira, já que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de uso de aplicativos, e, também, abriu uma nova perspectiva de formato publicitário para o mercado anunciante.
A discussão sobre métricas é extremamente importante para o crescimento do mercado e a inclusão da internet na cesta das outras mídias, além da mensuração de toda a dimensão do comércio eletrônico.
Mais que isso, novos consumidores estão crescendo fazendo a lição de casa apoiados nos buscadores, interagindo com seus colegas através de salas de bate-papo, escrevendo seus diários em "bloggers" e entretendo-se em jogos interativos. Para esta nova geração não existe a dimensão "off" e "on-line". Existe uma realidade que inclui a interatividade, e ponto final.
Garantir o crescimento das empresas e o relacionamento dos consumidores do futuro com as marcas inclui entender a dinâmica e os números da internet brasileira e da rede mundial de computadores.
Para que isso aconteça, a discussão sobre as métricas deve ser conduzida além do ponto de vista teórico e envolver um trabalho conjunto entre agências, anunciantes, veículos, associações e institutos.
fabia.juliasz@ibope.com.brFábia Juliasz é diretora-executiva do Ibope/NetRatings, instituto filiado à AMI – Associação de Mídia Interativa