Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comPassou a Copa do Mundo, passaram o Carnaval, o Dia da Sogra e de São João também. Temos pela frente mais uma eleição. Não tem mais para onde correr: é hora de conhecer e escolher o novo presidente da República deste país.
Tradicionalmente, isso apavora o eleitor-consumidor brasileiro, pela proximidade do temido horário eleitoral gratuito. Seja por ocupar o horário nobre da TV aberta e do rádio, deixando a novela para mais tarde, seja por expor-nos às cenas comuns no vale-tudo da propaganda eleitoral, isso muda — muito — a relação do espectador com o veículo. Para mim, o lado bom das eleições é que teremos mais uma oportunidade de atestar o poder da web e do comportamento dos internautas diante de um fato excepcional em nossas vidas.
A primeira diferença entre esses meios é quanto à liberdade de opção pelo conteúdo que se deseja receber. Na TV aberta e no rádio, que atingem a maioria esmagadora da população, não há opção: é desligar ou encarar. A internet, por seu lado, tem a característica de ser uma mídia sob demanda — assiste quem quer e quando quer.
Estamos acostumados a usar a rede no cotidiano. Acompanhar a cotação do dólar, das bolsas; comprar, ler, ouvir e ver está no dia-a-dia de muitos. Agora, eleger um novo presidente está longe de ser um fato cotidiano.
Teremos um fervoroso acréscimo na audiência de todos os veículos de comunicação, mas só os veículos on-line conseguirão atender à demanda ininterrupta por notícias que esses fenômenos extraordinários da vida podem produzir. Não há como negar a vantagem da internet sobre outros meios quando se fala de velocidade e diversidade de produção e transmissão de conteúdo.
Recentemente, vimos o comportamento da audiência dos portais em todos os lugares do mundo diante do noticiário sobre a catástrofe de 11 de setembro nos Estados Unidos. Servidores e backbones congestionados por milhares, milhões de acessos. No Brasil, o curioso fenômeno dos reality shows foi bem explorado pelos líderes de audiência na web, na busca de manter o público espiando cada movimento da Casa dos Artistas e do Big Brother. E a Copa do Mundo?
Não foi nada parecido com o cotidiano da internet. Acontecimentos excepcionais na mídia favorecem cada vez mais a rede, e os portais aproveitam com igual intensidade a tecnologia e interatividade para oferecer o direito à informação.
Em contrapartida, para transmitir a propaganda eleitoral dos candidatos a presidente da República, a TV e o rádio têm a facilidade da penetração nas classes menos favorecidas, a “massa”. Entre agosto e outubro deste ano teremos propaganda eleitoral gratuita nestes dois meios (além das inserções normais cedidas aos partidos durante o ano todo). É aí que os publicitários responsáveis pelas brilhantes campanhas dos políticos tentam ganhar a eleição: iluminando, sonorizando, editando e maquiando seu candidato para emocionar o povo.
Mas uma comunicação vertical e profunda entre candidato e cidadão (ou entre candidato e formador de opinião) só será possível com os recursos da web. Streaming media, textos, hiperlinks, fotos, downloads, chats, notícias em real time e a interatividade insuperável da rede darão aos publicitários asas à imaginação e uma incrível motivação criativa para conquistar os e-leitores. Rádio e TV serão o que sempre foram. Desafio aos criativos e à verdadeira democracia é a internet.
Edson Romão Gomes é sócio da Webforce (empresa criadora do hpG) e diretor de eventos da AMI