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10/02/2010 02:04

CHAMPIONS ONLY IN NEW ORLEANS?

Gisele Centenaro

Com a festejada surpresa, até no Brasil, pela conquista do título do Super Bowl XLIV pelo New Orleans Saints, no último domingo, fico em dúvida se, na leitura deste texto sobre a segunda e última parte da cobertura do Engage 2010, organizado pela Webtrends, nossos leitores não estariam tão ou mais interessados nas minhas observações sobre as redes sociais nas ruas da cidade, com ênfase na saborosa ardência da Bourbon Street, ou se o politicamente correto é conservar meu foco no palco do auditório do Hotel Roosevelt | The Waldorf Astoria Collection, onde se realizou o evento e fiquei hospedada a convite da CLM, que também custeou as passagens de ida e volta para viabilizar a reportagem.

Não sei o porquê, mas, desde muito cedo, sinto uma atração irresistível por prognósticos contrariados. Quando ouço ou leio algo sobre um acontecimento totalmente inesperado, quero logo saber mais a respeito, talvez para compreender porque os homens ainda não estão sendo capazes de lidar com determinada questão; ou, ainda, por ter a esperança de que, um dia, além de presenciar a ineficácia do puro racionalismo, se abrirá, diante dos olhos de outros curiosos como eu, uma porta para que se enxergue a comprovação da eficácia do que poderíamos chamar de impuro sensacionismo. De degrau em degrau, de dimensão em dimensão, encontram-se as duas correntes, numa escala harmônica, quando o racionalismo tende para a impureza e o sensacionismo, penso, vibra sob os acordes da pureza. Seja de frente para trás, seja de trás para frente...

No meu voo de New Orleans, em escala, para Miami, no final da tarde de sexta-feira, 5 de fevereiro, virei torcedora do time vencedor absolutamente sem querer. No aeroporto, me dei conta de que não levava comigo nada com a imagem da encantadora fleur-de-lis, símbolo da cidade. Estive com ela, a flor-de-lis, o tempo todo, desde a chegada – aliás, uma das gostosas distrações locais é apreciar as inúmeras formas e situações nas quais o símbolo é usado pelos moradores, comerciantes, empresários, artistas, meios de comunicação e autoridades. A cidade, mesmo após o Katrina de 2005, continua inspirando e exalando design. Nem preciso dizer que nas vitrines das joalherias toda fleur-de-lis se transforma em mimo tentador. Não diminui sua graça, porém, o estampando numa singela camiseta. Era um contra-senso, portanto, após cinco dias de intensa convivência, partir sem a companhia dela. E ao optar pelo confortável gorro de lã preto para proteger os olhos da claridade em voo, ostentando minha flor com altivez na testa, acabei torcedora do New Orleans Saints. Vocês não têm ideia do fervor dos torcedores de verdade do time que, no mesmo voo, rumavam para Miami com a intenção de se esbaldar com a vitória. Coisa de corinthiano, juro.

Achei bacana virar torcedora de um time que eu nem conhecia como brinde de despedida. Tem mais: os norte-americanos conseguem misturar futebol com política em qualquer campo, tudo por causa dessa perrenga entre republicanos e democratas. “Torce pra quem? Ah... logo percebi que você era republicano.” Mas a galera do New Orleans Saints vota em democrata, segundo dizem. Tudo bem. Virei, então, torcedora de um time campeão e de um presidente eleito, sem nem saber quanto tempo leva uma partida de futebol americano, sem nem título de eleitora pra eleger o melhor barman da cidade, muito menos dinheiro para contribuir com a campanha em continuidade do Obama pós-vitória.



Viram como é fácil, estando somente de passagem, aumentar a audiência de um site bem montadinho na web ou o número de seguidores de qualquer “campeão” no Twitter, no Facebook, em outras redes sociais da internet ou de plataformas de novos devices, começando por iPhones, Blackberries e rumando para um eBook, um iPad e mais outros que vêm por aí? Parece incrível, mas acontece na vida real; e no universo virtual, é absolutamente comum. Bruce Kenny, vice-president of engineering and hosted operations da Webtrends, abriu a sessão geral do evento na quarta-feira, 3 de fevereiro, justamente apontado as diferenças existentes entre as atuais e poderosas plataformas que têm caído no gosto popular – algumas delas da classe média para cima, em razão do preço – como meios eficazes de comunicação. As mais preferidas, como se pode notar, são aquelas que, além de possuir um design sedutor, propiciam aos cidadãos não apenas a comunicação rápida e funcional, mas também a formação de comunidades com esse sentido de inclusão, de “engage”, do qual marcas de produtos e serviços desejam, em meio a um cenário extremamente competitivo, participar e, ainda, nas quais querem ser bem-recebidas e até interpeladas.

Planos de marketing e comunicação que viabilizam ações estratégicas com essas propostas não podem prescindir de ferramentas como as que vêm sendo desenvolvidas pela Webtrends: primeiro, porque como assegurou Kenny, elas orientam a inserção das mesmas ações, isto é, de uma mesma campanha, por exemplo, em devices de composições tecnológicas diferentes, otimizando, além do tempo de presença das marcas e suas mensagens, o retorno objetivado, por meio do monitoramento feito por análises detalhadas do desempenho da estratégia em campo; segundo, porque confiar em números de audiência de acordo com os mesmos padrões que vigoraram, durante anos, para as mídias tradicionais, é investir às cegas, visto que somente uma análise técnica e especializada pode, de fato, apontar, caso a caso, on demand com ainda maior precisão, o que é muito bom e o que é muio ruim em termos de audiência para uma marca, sob a relação custo-benefício, nos meios digitais. No mundo real, palmeirenses não erguem suas bandeiras ao entrar na geral pelo portão errado e se deparar com os corinthianos, donos do espaço, mas nos campos virtuais...

Eu gostei de torcer pelo New Orleans Saints e de ter sido eleitora de Barack Obama por um voo, como uma digna democrata amante do esporte. Sinceridade. Também amei comer beignet no Café du Monde, com cara de turista, antes de passear às margens do Rio Mississipi, sentindo-me lisonjeada ao ser cumprimentada pelos demais transeuntes ao longo da caminhada – um afável costume local. Não peguei o bonde na Canal Street, não naveguei de barco caracterizado e quase perdi a chance de acenar para o maquinista do trem – a vergonha foi embora quando vi que ele, festeiro, acenava pra mim; daí, dei tanto tchau que ele quase saiu dos trilhos. Não joguei no cassino, mas fiquei com a cara grudada no vidro da porta, babando, ao avistar, de fora, as luzes de tantas máquinas com aqueles seu sonzinhos maravilhosos de dinheiro tilintando. Guiando-me pelo feeling, pelo cheiro e, claro, por ícones e placas da cidade, me comportei como Justin Garrity, director of user experience da Webtrends, tem visto os consumidores se comportarem em suas casas, nos empregos, nas escolas, nas ruas, na internet, nas mídias digitais: buscando apoio visual e até ergonométrico para ir de encontro ao que procurava. Quanto mais simples essa informação me for fornecida, melhor. Quanto mais simples, bela e atraente, melhor ainda, pois, muitas vezes, essa informação visual é o estímulo que estava faltando para que um consumidor dê mais um passo na direção esperada pela estratégia de comunicação de um anunciante.





Garrity fez sua conferência logo após Kenny desfilar todo o poder de sua tecnologia. Trafegando por um mundo mais onírico, mais associado ao emocional, ao psicológico das pessoas, ele demonstrou a importância do apelo visual não apenas para atrair e facilitar a navegação ou a comunicação entre as pessoas nas diversas alternativas de plataformas do mercado, mas também para manter organizados e estrategicamente posicionados os dados que compõem a estrutura dos planos de ação e relatórios analíticos. A proposta das tarefas que desenvolve é ampliar as possibilidades de entendimento dos gestores na leitura desses dados, de modo que ao refletir sobre as informações colhidas os tomadores de decisão possam ter novos insights no planejamento de cada nova etapa da campanha ou projeto em andamento.











Não se pode dizer que o trabalho de Garrity é fácil quando se exige algo com o mesmo alto padrão de qualidade apresentado por ele no palco, todavia, difícil, mas difícil, mesmo, é a vida de Eric Rodenbeck, founder e creative director da Stamen Design. Em poucas palavras: não ouse pensar em enfrentar um furacão, um tufão, um terremoto, um tsunami sem, antes, consultar os gráficos elaborados por ele ou sob sua supervisão. A missão deste gênio é, simplesmente, representar, graficamente, dentre outros acontecimentos, o terror! Tarefa que tem de ser cumprida com o maior realismo possível, com grande carga de expressividade, com vivacidade, inteligência e, até, sagacidade. Cruz credo! Vodu nele! Não, não, porque, com a mesma tecnologia que transforma gráficos em organismos vivos para reproduzir fenômenos naturais, geográficos, sociogeográficos, geopolíticos etc., há empresas precisando se valer de talentos como os do time de Rodenbeck para entender, visualmente, momentos específicos ou toda a trajetória histórica de suas marcas. Mais: a interatividade exige, hoje, arte mesclada com avanços tecnológicas para disponibilização de entretenimento, por meio, por exemplo, de games.





Tudo ficaria mais tranqüilo, para Rodenbeck, se sua inspiração pudesse estar o tempo todo conectada apenas com a ficção, a fantasia, o conto alegórico, porém, numa cidade como New Orleans, reconstruída após uma enorme tragédia, é de rápida assimilação, pela plateia, durante a exposição do designer, a relevância do trabalho que executa e como é grande a torcida para que, cada vez mais, gráficos do gênero possam adiantar, com bastante antecedência, informações capazes de conter ou, no mínimo, diminuir o risco de vida das populações em todo o Planeta.





Um dos convidados de honra subiu ao palco na sequência, o jornalista Stephen Baker, autor do livro The Numerati, publicado no Brasil pela ARX – ele trabalha na BusinessWeek desde 1987, cobrindo a área de tecnologia, sua grande especialidade, como também atestado no blogspotting.net. A sinopse de sua obra mais famosa (Baker é autor de outros livros) traduz perfeitamente a palestra feita por ele em New Orleans, onde ele recordou sua própria história em busca de padrões de comportamento em inúmeras atividades, como na arquitetura, mas essencialmente naquelas que permitam aos investigadores da era digital (por ele denominados numerati) detectar as tendências ou sinais que indicam o que as pessoas estão querendo ou vão querer comprar amanhã, em quem vão votar, que tipo de doenças estamos propensos a desenvolver. Meios como a internet facultam aos pesquisadores e desenvolvedores de webtrends rastrear dados relevantes e, sob uma abordagem de caráter matemático, fazer cálculos que conformam a estrutura e a dinâmica das sociedades atuais e futuras.





Baker é uma mente brilhante, sem dúvida alguma, mas o book é de 2008. Uma ponte japonesa ou uma catedral sob a visão de Monet – exemplo de imagem escolhida pelo próprio jornalista ao substanciar seus argumentos – é uma obra aberta, eternamente, em cada uma de todas as versões que o pintor lhe concedeu, com mais ou menos raciocínio sobre as sensações nele provocadas, bem como no espectador, por cada milímetro das impressões com vida própria que, em conjunto, compõem um todo indelével, absolutamente permanente e existente num transe entre emoção e pensamento epifânicos. Já no universo digital, no qual, como bem lembrando por Baker, menos de 18 meses são necessários para que um chip ou software super smart se transforme num superbobo, rever conceitos é um exercício intermitente. De qualquer modo, foi bem pontuado por ele o fato de a comunicação cibernética estar contribuindo para o aumento do lixo no mundo: o lixo cultural e, óbvio, o lixo-objeto, ambos facilmente descartáveis, contudo, “navegando” pelo limbo sem destino certo, exceto, no primeiro caso, corromper a natureza humana e no segundo, bem, mamãe... a natureza.





Antes de Casey Carey, vp de produtos, e Jascha Kaykas-Wolff, vp de marketing, voltarem ao palco para, em nome da Webtrends, revelarem as últimas novidades da companhia em seus portfolios, dentre eles a anunciada realização de mais um Engage nos EUA, desta vez em San Francisco, de 28 de fevereiro a 3 de março de 2011, moderado por Sam Whitmore, da Sam Whitmore´s Media Survey, foi realizado um confronto de opiniões entre Alan Citron (Buzzmedia), Paul Berry (Huffington Post) e Lewis Dvorkin (True/Slant), durante um painel de mídia dedicado ao futuro das publicações.



Não se pode dizer que o papo tenha sido muito animado. Menos ainda animador do ponto de vista jornalístico. Resumindo: nem recebendo cachê, eu gostaria de estar sentada na cadeira de um dos três convidados. Não por medo de falar em inglês, porque na mímica a gente também se entende. Aliás, pra falar a verdade, o que mais têm feito, senão micagem, os pobres coitados dos jornalistas que acabam nessa esbórnia que é a internet, tentando levar a sério um mundo que nunca o foi?



“Engajamento”? Opinião é engajamento? Alguém pode dizer que está engajado com alguma coisa somente porque escreveu três linhas sobre um assunto na web?”, chacoalhou o jornalista Dvorkin, enquanto os companheiros de palco tendiam mais para a doçura ao avaliar a social media. “Mas social media é publicidade, ou não é?”, afinetou, mais uma vez, o guerreiro, cujas armas, compostas de letras, estão à disposição dos leitores no http://trueslant.com/.



Berry (http://www.huffingtonpost.com/), embora aparentemente menos combativo, também mostrava certo desconforto com o risco que o jornalismo vem correndo, no mundo todo, atualmente, em face de uma desqualificação injusta, pois, ao mesmo tempo em que a internet democratiza o acesso à informação e à livre manifestação de ideias, ela pode vir a tornar quase impossível a separação do joio do trigo nos momentos em que se fizer essencial a validação da transmissão de uma informação por uma fonte segura, além de abrir espaço para ciladas, armadilhas, jogos de interesse individuais e coletivos, com prejuízo para muitos e lucro para poucos.



Até este momento, porém, como assinalado por Citron (http://buzz-media.com/), os aspectos positivos têm se sobressaído, inclusive com o apoio de ferramentas que aferem audiências, perfis das audiências, comportamento dos usuários dos portais, sites, blogs, emitindo relatórios e análises confiáveis.





No Galatoire´s, que fica no 209 da Bourbon Street, de shorts você não entra, mesmo sendo uma senhora de respeito acompanhada do esposo. Eu vi. O casal voltou, indignado, para a rua. Confete, serpentina, pluma, paetês, batom vermelho, muito rouge, canções nos lábios, muitos risos, muita alegria... Yes, we can. A comida é deliciosa (mil estrelas para o pão e a manteiga, antes da farra começar), um ambiente charmosíssimo e um atendimento de primeira, sem perda das características tradicionais, apesar de todos os turistas pelo salão. “Quem procura acha”, dizia minha avó.



Deslizando pela calçada, ai que vontade que dá de parar pra espiar cada cantinho, pra sentir melhor o cheiro, experimentar um novo sabor, beber sem ter sede, trocar de espelho, aprender a dançar um passo novo... arrependo-me, mas, sei lá porque, não foi desta vez que provei um bourbon, dá pra acreditar?

No Antoine´s, ali pertinho, no 713 da St. Louis St., la même chose. Aberto em 1840, este é um dos mais antigos restaurantes dos Estados Unidos. Confesso que não visitei, por causa da pressa, os demais salões, isto é, fiquei com as damas e os cavalheiros no salão principal, praticamente todos já no clima do Super Bowl e das festas carnavalescas que se aproximavam, portanto, celebramos – eu com minha timidez de paulista costumeira.



Fleur-de-lis mais graciosa de New Orleans, a catedral St. Louis não se ergue majestosa, ao contrário de tantos outros monumentos com seu porte em outras cidades do mundo. Ela se ergue e se impõe pela delicadeza, como grande bênção esculpida no Jackson Square. Lá dentro, quando você olha para o alto, para os lados, para frente, ora e, então, olha para trás... bem, você descobre que símbolos não se perdem, que símbolos não são símbolos se são secretos, símbolos são símbolos, ocultos apenas diante de olhos fechados e de corações em ritmos velozes demais (neste caso, pode ser de mais também) para dar tempo ao tempo por amor ao saber, ao saber amar, por amor, puro amor, amor, pronto, ponto, afinal, for whom the bell tolls?

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O mundo trata melhor quem, mesmo?“Engajamento”? Opinião é engajamento? Alguém pode dizer que está engajado com alguma coisa somente porque escreveu três linhas sobre um assunto na web?”, chacoalhou o jornalista Dvorkin, enquanto os companheiros de palco tendiam mais para a doçura ao avaliar a social media. “Mas social media é publicidade, ou não é?”, afinetou, mais uma vez, o guerreiro, cujas armas, compostas de letras, estão à disposição dos leitores no http://trueslant.com/.

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