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25/11/2009 22:40

ESPERANDO O FUTURO CHEGAR? ELE JÁ CHEGOU ATÉ MESMO PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS

Gisele Centenaro

Mais que um presente de Natal, a AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente (www.aacd.org.br) recebeu hoje, 25 de novembro, um presente para toda a vida, entregue pela Indra, maior empresa de TI da Espanha e uma das principais do setor tanto na Europa como na América Latina, com atuação no nosso país desde 1996. Dinâmica na área de responsabilidade social, a Indra decidiu, ao lado da AACD, repetir no Brasil um empreendimento já realizado com sucesso em outros países: em associação com um parceiro local, contribuir para a inclusão social de cidadãos deficientes, inclusive crianças, por meio da difusão de tecnologia de ponta. No caso da AACD, que, como todos sabem, é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos que, ao longo de seus 59 anos, consolidou-se como referência nacional em tratamento e reabilitação de crianças, jovens e adultos com deficiência física, em foco está o HeadMouse, o Teclado Virtual e o Virtual Coach, cujo estudo teve início em 2007 e o desenvolvimento em 2008, por intermédio de uma das Cátedras de Pesquisa da empresa (Tecnologias Acessíveis), em colaboração com a Fundação Adecco e três universidades espanholas (Castilha – La Mancha, Politécnica de Madri e Lleida).

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“A inovação é a base do negócio da Indra, o eixo da sua sustentabilidade como companhia e a chave diferencial de sua oferta de soluções e serviços. É o fio condutor da responsabilidade corporativa da companhia, porque esse valor é o que melhor descreve a sua filosofia, cultura e trajetória corporativa e contribui para a criação de riqueza e o desenvolvimento sustentável no seu triplo sentido: econômico, social e meio-ambiental. A sustentabilidade se traduz nas respostas pela inovação diante dos desafios e das oportunidades que marcam a cada um dos seus públicos-alvo: acionistas, funcionários, clientes, fornecedores, sociedade e as comunidades onde operamos”, afirma o credo da Indra que, somente em 2008, investiu mais de 152 milhões de euros em sua expansão – são mais de 550 milhões de euros destinados, desde 2004, ao seu crescimento, o que, consequentemente, estimula os avanços nas áreas de soluções em TV conversíveis e aplicáveis a serviços que permitam um grau maior de autonomia às pessoas. As cifras citadas traduzem um esforço de investimento da ordem de 6% a 8% sobre as vendas.
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“A Indra visa aportar a curto e médio prazos novas soluções para a sociedade e para o mercado, tornando-se um modelo de referência internacional, tanto na busca da excelência no desenvolvimento de tecnologias acessíveis, quanto num modelo de colaboração e transferência tecnológica, universidade-empresa”, salienta o staff em comando da companhia.
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Nessa esteira, o HeadMouse é um mouse virtual que permite o uso do computador a uma pessoa com capacidade reduzida, mediante um webcam e os movimentos do rosto e de cabeça. O software é gratuito e pode ser baixado, com um click, pela internet (http://robotica.udl.cat). O Teclado Virtual é a extensão do HeadMouse, permitindo que uma pessoa com deficiência que não consiga utilizar o teclado convencional possa escrever textos, com as facilidades do sistema preditivo. Por sua vez, o Virtual Coach é um treinador virtual que assisti às pessoas que necessitem realizar, entre outros, exercícios de reabilitação.
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As novidades citadas fazem parte do ferramental trazido pela Indra para a instalação de salas montadas sob medidas nas atuais nove unidades da AACD espalhadas pelo Brasil, nas quais circulam, diariamente, cerca de 6.000 pessoas (pacientes e seus familiares): AACD Ibirapuera (SP), AACD Mooca (SP), AACD Osasco (SP), AACD São José do Rio Preto (SP), AACD Recife (PE), AACD Urbelândia (MG), AACD Porto Alegre (RS), AACD Nova Iguaçu (RJ) e AACD Joinville (SC). Vem aí, em 2010 e 2011, mais três unidades, duas delas na capital paulista, uma na Zona Sul, outra na Zona Norte, ambas custeadas em construção e infraestrutura pelo Governo do Estado de São Paulo; e mais uma na cidade de Poços de Caldas, contando com todo apoio da Prefeitura e da comunidade locais.

Nesses espaços, denominados, portanto, Sala Indra, estão sendo inseridos equipamentos com tecnologia de última geração que proporcionam um maior grau de autonomia para as pessoas com alguma deficiência, em termos de vida independente e acessibilidade à tecnologia. Ali, as pessoas com deficiência atendidas pela AACD poderão fazer parte das atividades das sessões de terapia ou, simplesmente, terem contato com o software e os equipamentos para adquirirem conhecimento e experiência com o intuito de se tornaram aptos a utilizar computadores para todos os fins em casa, bem como no trabalho.

O ato benemérito foi festejado na unidade Ibirapuera da AACD nesta quarta-feira, com a presença da imprensa e de William Saijo Nakashima Konishi, um jovem de apenas 17 anos de idade que, há um ano, como dançarino de street dance, sofreu um acidente durante uma manobra radical que o levou à cadeira de rodas, com lesões medulares seríssimas. Até então, William vivia como todo garoto da sua idade e, claro, tinha também um cotidiano conectado, apesar da paixão pela dança. Desde então, ele começou a fazer uso do computador e da internet apenas com auxílio de familiares e amigos, mas, agora, William já começa a ensaiar passos mais ousados até no Twitter, estando de posse das técnicas que lhe possibilitam, por meio do HeadMouse, teclar exclusivamente pelos movimentos dos olhos e dos lábios. (Na TV Portal, com imagens de Wagner Sousa, você assiste ao vídeo no qual Willian demonstra o uso da ferramenta, na sede da AACD Ibirapuera, onde há quatro meses ele vem recebendo os cuidados físicos e psicológicos necessários.)

Outras soluções impressionantes da Indra, personificadas no universo da responsabilidade social, são, por exemplo, o IdenSound, que permite às pessoas com problemas de audição saber se ao seu redor soa algum alarme, um telefone, uma campainha etc.; o Ganas (gerador de animações para a linguagem de signos); e o Emplea-T, que possibilita às pessoas com deficiência visual a aplicação interativa de TDT “Emplea-T”.

Junto ao Governo de Castilha – La Mancha, a Idra também participa, através da Fundação do Hospital Nacional de Paraplégicos de Toledo para a Pesquisa e a Integração e a Fundação Rafael del Pino, do projeto TOyRA (Terapia Ocupacional e Realidade Aumentada), cujo objetivo é levar a cabo uma plataforma que permita a aplicação avançada de sistemas tecnológicos para o desenvolvimento de terapia ocupacional.

Presente em 100 países e empregando cerca de 29.000 funcionários, a companhia ainda está vinculada a instituições de conhecimento no desenvolvimento de projetos relacionados com outro tipo de terapias, como eTIOBE, uma e-terapia inteligente para a obesidade infantil. Trata-se da primeira solução informatizada em nível mundial com a qual se motiva as crianças obesas a seguirem um tratamento adequado, ao mesmo tempo em que se favorecem mudanças no estilo de vida. Esta experiência está sendo desenvolvida por uma equipe de pesquisadores do Instituto LabHuman, pertencente à Universidade Politécnica de Valência; o Serviço de Pediatria do Hospital Geral Universitário de Valência; o Departamento de Psicologia da Universidade de Valência; a Universidade Jaume I de Castellón e a Indra.

Também em colaboração com LabHuman, a Jaume I e a Universidade de Valência, a Indra desenvolveu uma solução que contribui com as novidades da tecnologia da informação para o mundo da psicologia, com o objetivo de facilitar a terapia de pessoas que tenham sofrido algum tipo de traumatismo – violência, maltrato infantil, estupros etc. Mais dados sobre este tema estão no www.teconologiasaccesibles.com.

Especificamente sobre Teclado Virtual, vale ressaltar que a ferramenta permite escrever textos mediante qualquer dispositivo capaz de controlar o cursor da tela. O seu uso é totalmente intuitivo e não requer preparação prévia. Um aplicativo aparece na tela para que possamos escrever textos através do pressionamento de teclas virtuais. O sistema incorpora inovações tecnológicas que facilitam ao máximo que pessoas com deficiência motriz, impossibilitadas de utilizar teclados convencionais, possam redigir. Desta forma, dispõe de funções de predição de palavras cujos algoritmos aprendem o modo de escrever do usuário e aprimoram exponencialmente suas taxas de acerto.

Os testes realizados, escrevendo textos literários entre 15.000 e 20.000 palavras, demonstram uma economia de até 40% na utilização de teclas necessárias para a redação do texto, aproximadamente 7.000 palavras a menos. Ele oferece ainda cinco dicionários que incorporam as palavras mais usuais do castelhano, catalão, inglês, francês e italiano. (Em breve, também do português.) Adicionalmente, conta com um sistema de aprendizado automático que permite ampliar a sua base de palavras e criar novos dicionários em qualquer língua baseada no alfabeto romano. Portanto, o estilo de escrever dos usuários se atualiza automaticamente, permitindo ao aplicativo a utilização de vários dicionários no mesmo idioma e adaptá-los a usos específicos otimizados para a escrita de e-mails, textos técnicos, literários etc.

O desenvolvimento tecnológico desta ferramenta de trabalho é de acesso livre e gratuito. Pode ser instalado e executado em qualquer computador equipado com o sistema operacional Windows, no site http://robotica.udl.cat.

Joaquín Díaz, diretor da companhia no Brasil, atesta que “a Indra acredita no valor social que a inovação aporta mediante soluções e serviços que ajudam a melhorar a qualidade de vida em contextos como a saúde, o transporte ou a gestão do meio ambiente, reduzindo a brecha digital e contribuindo para resolver dificuldades ou limitações de acesso às tecnologias para grupos que de forma natural não são atendidas pelo mercado”.

A doutora Alice Rosa Ramos, superintendente técnica do Centro de Reabilitacão da AACD, acrescenta que as “tecnologias como as do HeadMouse e do Teclado Virtual contribuem no sentido de ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência física e, consequentemente, ajudam a proporcionar uma vida mais independente e autônoma, além de favorecer sua integração com amigos, familiares e a sociedade em geral”.

Os mercados de administração pública, telecomunicações na indústria e consumo são os principais nichos da Indra que, no mercado brasileiro, também se destaca nos setores de energia e utilitie. São 40 clientes no território nacional. Verticalmente, em nível mundial a atuação da Idra está assim dividida: telecomunicações (10%); serviços financeiros (13%); administração pública e saúde (14%); energia e indústria (16%); transporte e tráfego (18%); segurança e defesa (29%).

Você tem acesso a muito mais informações sobre os tópicos abordados nesta matéria ao assistir a quatro vídeos postados na TV Portal, com imagens gravadas por Wagner Sousa e Márcio Yamamoto.

1 – William Nakashima utilizando o equipamento mais um tour pela AACD, com comentários feitos pela coordenadora de marketing da associação, Priscila Delgado, e a inauguração da Sala Indra.

2 – Entrevista com Osvaldo Pires, diretor de recursos humanos para Brasil da Indra. Ele é formado Administrador de Empresas e Matemático pela UniFMU – Faculdades Metropolitanas Unidas, com especialização nas área de Sistemas e Finanças, respectivamente, pela UniFMU e FGV – Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Iniciou sua carreira no Grupo Vega nas funções básicas da área de recursos humanos e deixou o grupo na posição de gerente da área para a divisão de serviços e indústria. Desde então foi diretor de recursos humanos em empresas do segmento químico e financeiro. Há oito anos direcionou sua carreira para o segmento de tecnologia, passando pela Cobra Tecnologia, empresa do Banco do Brasil. Em 2006 assumiu o cargo de diretor de recursos humanos da Indra para o Brasil, função exercida atualmente. É também professor universitário de cadeiras de Recursos Humanos nas Universidades Estácio de Sá (UniRADIAL) e UNG – Universidade de Guarulhos.

3 – Entrevista com o ex-street dancer Willian Nakashima.

4 – Entrevista com o diretor voluntário de marketing, comunicação e captação de recursos da AACD, Jayme de Paula Junior (
jaymedepaula@terra.com.br).

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Aprendendo de novoO ato benemérito foi festejado na unidade Ibirapuera da AACD nesta quarta-feira, com a presença da imprensa e de William Saijo Nakashima Konishi, um jovem de apenas 17 anos de idade que, há um ano, como dançarino de street dance, sofreu um acidente durante uma manobra radical que o levou à cadeira de rodas, com lesões medulares seríssimas. Até então, William vivia como todo garoto da sua idade e, claro, tinha também um cotidiano conectado, apesar da paixão pela dança. Desde então, ele começou a fazer uso do computador e da internet apenas com auxílio de familiares e amigos, mas, agora, William já começa a ensaiar passos mais ousados até no Twitter, estando de posse das técnicas que lhe possibilitam, por meio do HeadMouse, teclar exclusivamente pelos movimentos dos olhos e dos lábios.

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