Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comDesde abril de 2005, Alex Lins é diretor de arte na Syrup (www.syrupnyc.com), em Nova Iorque. A agência, além de desenvolver trabalhos de web, funciona mais como um bureau criativo com trabalhos para mídia impressa, identidade, interior design e motion graphics.
ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
ALEX LINS – A adaptação pela qual passei inicialmente foi a questão cultural/lingüística. Reaprendendo diversos termos e fluxos de trabalho de acordo com a visão daqui.
A agência tem uma grande variedade de estrangeiros, assim como grande parte do mercado aqui em Nova Iorque. Encontrar as pessoas e discutir as diferenças foi bem menos complexo do que esperava.
Acredito que ser brasileiro, ainda assim, traz alguma vantagem no sentido geral de ser um estrangeiro. Mas como a empresa tinha um “core” criativo de europeus, essa diferença foi um pouco mais marcante. E, por coincidência, um dos clientes que trabalhamos é departamento de futebol da Nike, o que sendo brasileiro ajuda...
ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
LINS – Não vejo muita diferença, a princípio. Mas a agência em que trabalho é pequena, o que faz com que a proximidade com o cliente e a dinâmica que preciso desenvolver com os outros profissionais sejam maiores.
Algo de se notar é que, apesar de trabalhar até mais tarde e em fins de semana, como no Brasil, posso contar com um planejamento e um relacionamento com o cliente que permitem que isso seja mais raro.
ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
LINS – É vista como um dos grandes pólos. Mas a falta de interesse pelos demais assuntos relacionados com o Brasil em geral se aplica. Se vêem muitos trabalhos desenvolvidos no Brasil ou por brasileiros. Mas eles são vistos como trabalhos de qualidade de qualquer parte do mundo. Não ganham mais crédito por serem brasileiros, nem menos. Só acaba percebendo a origem dos trabalhos quem é do país. O que importa, no final, é a qualidade.
ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
LINS – Acredito que são pontos de vista novos. Negociáveis dentro da estrutura da agência. O mercado brasileiro tende a arriscar mais que o americano em termos criativos, por exemplo, mas aqui se tem mais disponibilidade técnica e investimento no desenvolvimento das idéias. Então, leva vantagem competitiva aquele que tem inclinação a intuições mais arriscadas e sabe gerenciar expectativas e recursos para a realização delas.
ABOUT – Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
LINS – Acredito que resulta da disponibilidade de recursos para a realização de idéias que no Brasil não seriam viáveis, como um bom planejamento, acesso a profissionais superqualificados, recursos técnicos mais baratos.
Penso que existe um fator cultural (ou fiscal) que faz com que a qualidade do produto entregue seja vista como uma das prioridades. No Brasil, ainda falhamos por darmos importância muito mais ao produto que não será entregue. Nós perdemos numa série de reviravoltas e o produto final fica aquém das maravilhas dos passos iniciais.
É isso que acaba fazendo com que os brasileiros que viveram boas experiências fora tenham um desenvolvimento notável, segundo meu ponto de vista.
ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
LINS – Minha função dentro da agência é criar visualmente os trabalhos de acordo com o conceito estratégico desenvolvido com o diretor de criação e o(s) gerente(s) de contas. Além de fazer com que o trabalho seja realizado da melhor forma possível com os programadores, ilustradores etc. – contratados ou freelancers.
Os dois trabalhos em mídia interativa que estou envolvido ultimamente me parecem ser os mais interessantes. Infelizmente um ainda não está acessível e o outro acontecerá off-line.
No ano passado, o primeiro projeto que parou nas minhas mãos quando comecei a trabalhar na Syrup foi o GE ecomagination (www.ecomagination.com). Este site tem o propósito de divulgar a proposta “eco” da GE. É uma parte bastante importante da nova direção da empresa, uma vez que não se fala em mais nada, ainda mais para empresas gigantes como essa, que não esteja relacionado a alguma preocupação ambiental.
O que está sendo fascinante é o redesign do site para 2006. Com o sucesso do ano passado, quando conseguimos fazer para a GE – uma empresa grande e pouco acostumada a tentativas ousadas nas suas campanhas on-lines – um website com uma interessante integração de ilustrações e vídeo. Tendo o ceo da empresa (Jeff Immelt) apresentando o site.
Este ano, o projeto é mais ambicioso e estamos filmando vídeos em diversas partes do mundo. E acrescentando outras novidades bem interessantes ao site – que não posso comentar no momento. Estou bem orgulhoso, do ponto de vista profissional, de estar envolvido com o projeto.
Acredito que ambos os projetos reforçam o conceito de investimento nas idéias que se tem aqui fora. O que faz com que profissionalmente o seu trabalho dê um salto e suas perspectivas sobre a profissão ultrapassem um pouco as limitações que o profissional no Brasil acaba achando usual. Isso faz uma grande diferença para aqueles que depois de uma temporada em boas agências no exterior voltam ao Brasil. Aprende-se a acreditar no potencial e retorno das idéias.
ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira?
LINS – Em Salvador, no ano 2000, numa pequena agência. Logo depois, fui trabalhar em outro estúdio, ainda em Salvador, mas com clientes de São Paulo, onde tive contato com profissionais do resto do Brasil. O que fez com que eu tivesse a oportunidade de trabalhar na parte interativa da Thunder House – na época, acredito que um dos melhores lugares para se estar no Brasil.
Depois da Thunder, passei uma temporada na Globo.com. E, por um ano, antes de vir para Nova Iorque, fui sócio no estúdio Binatural (www.binatural.com.br), em São Paulo. Além de fazer trabalhos freelances que sempre pontuaram esses períodos.
ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
LINS – Meus planos, por enquanto, não incluem o Brasil. Ainda é uma incógnita para mim se e quando retornar ao Brasil. Tenho visto que muitas agências novas ou não tão novas estão desenvolvendo um trabalho cada vez mais interessante. Mas agora quero focar na minha carreira aqui. Desenvolver as possibilidades que estão surgindo e crescer o máximo possível como pessoa e profissional.