Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comNa Inglaterra desde janeiro de 2000, Thiago de Moraes é atualmente senior digital creative da Hall Moore CHI (www.chiadvertising.com), função que exerce desde o início de 2006. Além de criar e executar campanhas digitais, ele trabalha com criativos de propaganda tradicional em campanhas integradas e supervisiona o departamento de criação digital.
ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
THIAGO DE MORAES – Antes de me mudar para cá, trabalhava na Organic, em São Paulo, onde fiz muitos projetos nos Estados Unidos. Desta forma, tanto a língua quanto o fato de ter de criar para uma cultura diferente já me eram familiares. Em Londres, toda agência tem um monte de gente do resto da Europa. O mercado está acostumado a estrangeiros.
ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
MORAES – A cultura do mercado publicitário aqui é muito diferente. O dia-a-dia é mais tranqüilo e todo mundo lida com os problemas usando mais o bom senso. No Brasil, trabalhar em propaganda ocupa 24 horas da vida do profissional, enquanto aqui é um trabalho como qualquer outro. Claro que existem as exceções e emergências, mas a rotina é muito mais tranqüila.
ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
MORAES – Todo mundo considera o Brasil como um dos expoentes internacionais da mídia interativa, principalmente quando se fala de criatividade. Essa imagem, porém, foi abalada nos últimos dois ou três anos porque se considera que muitas das peças brasileiras que ganharam prêmios ultimamente são fantasmas.
ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
MORAES – No Brasil se tem uma atitude muito positiva em relação ao processo criativo. Tratar qualquer projeto com entusiasmo e tentar aproveitar ao máximo toda oportunidade criativa são características muito fortes dos criativos brasileiros, e encarar tudo desta maneira me ajudou muito aqui.
ABOUT – Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
MORAES – Sempre houve um grande contingente estrangeiro no mercado publicitário e de mídia interativa inglês, pois muitos profissionais europeus vêm trabalhar aqui. De alguns anos para cá, muitos brasileiros vieram também. Existem dezenas de profissionais interativos brasileiros no exterior fazendo um trabalho muito bom. Na costa oeste dos Estados Unidos, há vários diretores de criação brasileiros trabalhando em ótimas agências.
ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
MORAES – Umas das coisas mais interessantes que fiz em 2005 foi a campanha de viral marketing SuperChants, para o jornal The Sun (www.superchants.com). É uma ferramenta interativa que permite ao usuário criar um canto de futebol e mandar para um amigo, começando uma “guerra” de torcidas por e-mail. É interessante porque foi a única atividade que o cliente realizou para a campanha de futebol, e o retorno foi sensacional. Acho que isso é a prova de que, cada vez mais, a relevância do meio à idéia é o que importa em propaganda, e que meios e formatos tradicionais não são necessariamente os mais eficientes.
ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira?
MORAES – Comecei a trabalhar com mídia interativa ainda na faculdade (ECA/USP), em 1996. De lá, fui para uma agência interativa chamada pontoCOM, que tinha acabado de ser fundada por Paulo Puterman (na época, professor da ECA). Depois, passei dois anos na Organic, em São Paulo. Em 2000, me mudei para Londres e passei outro ano na Organic daqui, um ano na BBC e os últimos quatro, na TBWA\GGT (agora Tequila\London), antes de mudar para a CHI, no começo de 2006.
ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
MORAES – Não tenho a menor idéia... Se voltar ao Brasil, com certeza gostaria de fazer o que faço agora, mas não sei quando ou como vou voltar.
“No Brasil se tem uma atitude muito positiva em relação ao processo criativo. Tratar qualquer projeto com entusiasmo e tentar aproveitar ao máximo toda oportunidade criativa são características muito fortes dos criativos brasilerios” – Thiago de Moraes, senior digital creative da Hall Moore CHI, em Londres.