Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comMauro Alencar saiu do Brasil em junho de 2003, quando recebeu proposta da Blast Radius, de Vancouver, no Canadá, para cuidar das contas de Brand Jordan (a marca mais premium da Nike), DirecTV, Nintendo e Electronic Arts. Em junho de 2005, Alencar aceitou proposta da AKQA (www.akqa.com) de São Francisco, onde está atualmente como group creative director, sendo que aproximadamente 70% do seu tempo é dedicado à conta global de Xbox e os outros 30%, divididos entre projetos de Microsoft e concorrências de new business.
ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
MAURO ALENCAR – Os primeiros seis meses foram de adaptação aos processos e aclimatação à língua. Sempre fui muito ligado no mercado de propaganda da América do Norte e, por isso, não sofri um impacto muito grande para me adaptar ao trabalho.
O mercado daqui é extremamente multicultural e por isso ninguém faz muito alarde quando alguém de outro país chega. Mas tem uma piadinha default que todo mundo conta: “Nossa, vocês brasileiros estão se multiplicando. Daqui a pouco vai dar para montar um time de soccer”.
ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
ALENCAR – Na minha opinião, a maior diferença é que aqui as idéias maiores têm mais chance de se tornar realidade do que no Brasil. É até engraçado quando, às vezes, a gente tenta vender uma idéia e fica meio acanhado na hora de falar de execução e propomos: “Então, a gente pode fazer isso aqui em casa mesmo, com uma câmera de vídeo digital e uns carinhas que trabalham na agência”. Ao que o cliente responde: “Não. Vamos produzir com o Frank Budgen ou com aqueles caras que fazem aquele show de TV, o C.S.I.”.
ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
ALENCAR – A sensação que dá é que todo mundo admira os profissionais de criação do Brasil. Não necessariamente porque eles acompanham o trabalho feito no Brasil, mas principalmente pelo nosso desempenho nos festivais. De forma geral, existe bastante hype em torno dos criativos brasileiros.
ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
ALENCAR – Pimenta, dendê e farofa.
ABOUT – Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
ALENCAR – Nas empresas em que trabalhei desde que saí do Brasil sempre teve tanto estrangeiros quanto “nativos”. Talvez até mais. Obviamente, acho fantástico que a gente esteja tão em alta no mercado daqui, apesar disso não me surpreender. Acho que a nossa capacidade de adaptação e de improvisação, decorrente de virmos de um mercado com tantas limitações, será sempre o nosso diferencial.
ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
ALENCAR – No fim do ano passado, fizemos uma campanha para um jogo de tiro de primeira pessoa do Xbox360 chamado Perfect Dark Zero que foi bem legal, tendo sido selecionada para o anuário da Creativity como exemplo de integração de mídias. A campanha fez uso de e-mails, site e ligações telefônicas para envolver a audiência numa trama em que você “contratava” a personagem principal do jogo, chamada Joanna Dark, para assassinar (de brincadeirinha, é claro) um amigo seu. A “vítima” então recebia um e-mail misterioso e, quando clicava no link, assistia a uma cena de sua própria morte. No exato momento em que essa pessoa terminava de assistir ao vídeo, o “mandante” recebia uma ligação da assassina dizendo: “o serviço foi feito. Cheque seu e-mail”. No e-mail havia uma foto do cadáver com o nome da vítima na etiqueta presa no dedão do pé.
Outro projeto bem legal foi uma campanha que fiz para a Brand Jordan na qual filmamos uma série de vídeos com o Spike Lee para comemorar o vigésimo aniversário do tênis Air Jordan. As pessoas tinham de ir ao site na hora certa para poder assistir, criando uma espécie de horário nobre na web.
ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira?
ALENCAR – Em mídia interativa comecei oficialmente na AgênciaClick, em 1999. Depois disso passei por UpGrade e J. Walter Thompson.
ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
ALENCAR – A princípio, não tenho planos de voltar tão cedo. Ainda tem muita coisa que quero fazer por aqui. Só tendo a oportunidade de executar em nível global para conseguir o impacto que tenho em mente.
“A sensação que dá é que todo mundo admira os profissionais de criação do Brasil. Não necessariamente porque eles acompanham o trabalho feito no Brasil, mas principalmente pelo nosso desempenho nos festivais. De forma geral, existe bastante hype em torno dos criativos brasileiros” – Mauro Alencar, group creative director AKQA, em São Francisco.