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15/05/2006 00:00

Áthila Armstrong

Vivendo em Londres desde fevereiro de 2004, Áthila Armstrong é senior interactive designer da Unit9 (www.unit9.com), cargo que corresponde ao posto de comando da estrutura criativa de design da agência.

ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo?
ÁTHILA ARMSTRONG – A Unit9 é uma agência completamente internacional na equipe, isso facilitou muito a adaptação ao trabalho e a vida em outro país. Boa parte do time é estrangeira, mais de 50% é de fora do Reino Unido, de países como Brasil, Itália, Japão, Suécia, Alemanha, Estados Unidos, China, França etc.

ABOUT – E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
ARMSTRONG – A reação quanto à chegada de um brasileiro foi muito boa. Nos últimos anos, os designers brasileiros estão em alta no mercado internacional, muito pela flexibilidade e diferente enfoque no trabalho. Nossa cultura, também, chama muito a atenção deles, por ser, ao mesmo tempo, um tanto moderna e um tanto rústica – isso cria um diferencial imediato no trabalho.

ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
ARMSTRONG – O mercado é muito mais maduro, talvez porque a sociedade seja mais madura como um todo. Uma das principais diferenças é o acesso a tudo e a todos. A Unit9, por ser uma agência renomada no mercado internacional, criou uma relação muito interessante com agências de propaganda ao redor do mundo – tais como Wieden+Kennedy, Goodby Silverstein & Partners, TBWA/London, TYO-ID, Dentsu etc. – isso faz com que nós tenhamos acesso a trabalhos muito interessantes.
Além disso, o profissionalismo do mercado como um todo é um pouco mais elevado que no Brasil. Isso torna o dia-a-dia de trabalho muito mais fácil e faz também alcançar resultados mais satisfatórios.
Clientes e agências têm uma relação mais harmoniosa, e cada um sabe exatamente qual é seu papel no projeto. Por causa desse profissionalismo, tudo é muito amplificado e os profissionais envolvidos nos projetos conseguem ter um nível de comunicação muito mais consistente.

ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
ARMSTRONG – Pela quantidade de brasileiros indo trabalhar em agências fora do Brasil, o mercado deve ter uma boa reputação.
Eles entendem que temos um mercado publicitário de alto nível, mas têm poucas informações sobre o nosso país como um todo. Acredito que o interesse se renova a cada grande prêmio internacional, para o bem e para o mal, pois é uma discussão sempre em pauta a todo festival a quantidade de trabalhos não veiculados que o Brasil produz.

ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
ARMSTRONG – Nós temos uma cultura muito particular e, ao mesmo tempo, estamos inseridos num mercado global, tendo acesso a todo tipo de informação. Sou do interior da Bahia, o que faz ter referências e particularidades bem diferentes da média. Acredito que isso acrescentou bastante aqui na Unit9, pois nossa lógica traz alguns novos caminhos para um mercado de comunicação tão estabilizado como é o do Reino Unido.

ABOUT – A presença de profissionais estrangeiros nas empresas de mídia interativa daí é natural?
ARMSTRONG – Londres é o centro de mídia da Europa e acaba atraindo gente de todos os lugares do mundo, isso faz com que a presença de estrangeiros seja algo mais do que trivial e parte do estilo de vida da cidade. A Unit9 tem mais de dez nacionalidades numa equipe de 18 pessoas, isso é uma pequena amostra do que é o mercado aqui.

ABOUT – Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
ARMSTRONG – Os profissionais interativos brasileiros que estão trabalhando no exterior desempenham muito bem suas funções, por uma relação muito intrínseca que sempre tiveram com o mercado externo, mesmo quando estavam no Brasil. Isso fez a adaptação ser mais do que natural para esses profissionais.

ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
ARMSTRONG – O meu mais recente trabalho aqui foi o website para o Museu Victoria & Albert (www.vam.ac.uk/modernism), para a exposição sobre Modernismo, que é a maior exposição do ano no Reino Unido. O que acho mais importante nesse site é a geração de conteúdo relacionado com a exposição feita pelo usuário (posters) e a grande quantidade de informação complementar à exposição, o que torna o site uma ferramenta de estudo.
Outro projeto que julgo interessante é o Send an Elf para Discover Card (www.unit9.com/sendanelf/), que é um website em extensão a campanha feita na época do Natal pela Goodby, Silverstein & Partners para o Discover Card. O trabalho de desenvolver conceito, personagem, campanha e website para outro mercado, no caso os Estados Undidos, foi muito gratificante.

ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira? Por quais empresas passou depois desta primeira?
ARMSTRONG – Meu primeiro trabalho foi num pequeno estúdio em Salvador, que não existe mais. Depois, passei pela Domínio Virtual e Extrabold, até que fui contratado para ser diretor de arte na extinta Thunder House, em 2000. Fiquei lá por quase dois anos, saindo para uma breve passagem pela F/Nazca S&S.
Depois, fui para a JWT, onde fiquei por mais dois anos, até sair para ser um dos sócios-fundadores da One Digital, em setembro de 2003. Fui contratado pela Unit9 no fim de 2004 e desde o começo de 2005 estou trabalhando aqui em Londres.
Um pouco diferente do Brasil, atuo como senior designer, art director e creative director, dependendo das características do projeto. É uma estrutura bem independente, sempre com um executive producer, technical director e lead designer por projeto.

ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
ARMSTRONG – Meu plano é continuar desenvolvendo minha carreira internacional, de preferência em Londres. Trabalhar com outras mídias também é um objetivo, mas sempre mais associado a design.
Quanto a voltar para o Brasil, é sempre uma possibilidade. Entretanto, trabalhar exclusivamente com o mercado interativo está um pouco fora dos meus planos. Para os designers que começaram no mercado interativo é difícil pensar numa mídia só. Apesar disso, o mercado interativo sempre vai ser meu maior foco.

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“Eles entendem que temos um mercado publicitário de alto nível, mas têm poucas informações sobre o nosso país como um todo. Acredito que o interesse se renova a cada grande prêmio internacional, para o bem e para o mal, pois é uma discussão sempre em pauta a todo festival a quantidade de trabalhos não veiculados que o Brasil produz” – Áthila Armstrong, senior interactive designer da Unit9, em Lodres.

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