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Netmarketing

15/05/2006 00:00

Marcos Swarowski

Marcos Swarowski trabalha na divisão de serviços on-line da Microsoft (MSN) desde 2000. No Brasil, gerenciou a área de marketing e o negócio de produtos de comunicação, como o MSN Messenger e o MSN Hotmail, por cinco anos. No fim do ano passado, foi transferido para Londres, como diretor de marketing regional do MSN. E, em março deste ano, seguiu para a matriz da Microsoft, em Seattle, como diretor de estratégia de marketing para produtos de comunicação. Neste cargo atuo definindo a estratégia e os principais programas de marketing do MSN, e também gerencio de perto a execução dessas atividades nos Estados Unidos.

ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
MARCOS SWAROWSKI – Por incrível que pareça, a Microsoft tem uma estrutura enxuta no Brasil e, portanto, eu já trabalhava muito com profissionais de fora do Brasil (EUA, Europa). Muitas das pessoas com quem trabalho hoje já me conheciam, isso facilitou muito. No geral não há preconceito, pelo contrário.

ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa empresa no Brasil e numa estrangeira?
SWAROWSKI – Existem grandes diferenças, a maioria delas cultural. Os americanos seguem as regras sem questioná-las, fazem muita reunião, e pouca gente põe a mão na massa.
Outro aspecto interessante é que, como são extremamente educados, raramente falam o que pensam. Por exemplo, se um trabalho está muito ruim, eles dizem: “Oh my God! This is o good, this is amazing, but...” Sempre tem o “but...”, curioso.

ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
SWAROWSKI – O Brasil tem grande visibilidade devido à performance em Cannes e também aos profissionais que trabalham fora do País na área de criação das agências. As pessoas não conhecem tanto os trabalhos, pois o nosso volume ainda não é tão grande, fica mais na fama mesmo.

ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
SWAROWSKI – Eu creio que no Brasil os profissionais são mais generalistas, têm de se virar. Nos EUA, a divisão de tarefas é maior, existem mais profissionais especializados. Como no Brasil eu fui exposto a diversas áreas da empresa, de vendas a relações públicas, aqui nos EUA tenho um grande diferencial, posso julgar rapidamente o impacto de ações em diversas áreas da empresa ou identificar mais facilmente áreas de oportunidade.

ABOUT – A presença de profissionais estrangeiros nas empresas de mídia interativa daí é natural? Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
SWAROWSKI – A Microsoft exporta cada vez mais profissionais para a matriz, e estes são normalmente muito bem-sucedidos. No Brasil, há profissionais incríveis, acima da média mundial. As empresas multinacionais conseguem recrutar ótimos profissionais no Brasil. Aqui no exterior, as multinacionais são empresas locais e normalmente possuem um quadro de funcionários muito grande: a seleção é maior no Brasil. Também somos criativos e, por incrível que pareça, o nosso jeitinho brasileiro e a nossa cultura de “regras menos rígidas” ajudam, pois estamos acostumados a sempre achar uma solução para os problemas. Os brasileiros também estão habituados a trabalhar duro. Tudo isso ajuda os profissionais do Brasil a serem bem-sucedidos no exterior.

ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
SWAROWSKI – O curioso é que tenho trabalhado (como cliente) com profissionais brasileiros de criação como o PJ. Isso é muito bom, nos divertimos muito e é muito fácil entender o que o outro acha e o que está buscando. Estamos atualmente trabalhando em campanhas para o MSN Messenger focadas no mercado adolescente americano.

ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira?
SWAROWSKI – Comecei como conselheiro de uma startup, o Olé, uma bolsa de valores virtual relacionada a futebol. Depois disso, entrei no MSN (Microsoft) e trabalhei no Brasil por mais de cinco anos. Dado o nosso sucesso com o MSN Messenger no Brasil (o maior crescimento do mundo), recebi uma oferta de atuar na matriz para tentar repetir o que fizemos.

ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
SWAROWSKI – Pretendo voltar ao Brasil, com certeza. Estou trabalhando fora para aprender a pensar de uma maneira diferente, a maneira como os negócios são tratados aqui é extremamente estruturada.

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“Os americanos seguem as regras sem questioná-las, fazem muita reunião, e pouca gente põe a mão na massa. Outro aspecto interessante é que, como são extremamente educados, raramente falam o que pensam” – Marcos Swarowski, diretor de estratégia de marketing para produtos de comunicação da Microsoft, em Seattle.

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