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15/05/2006 00:00

Gui Borchert

Trabalhando na R/GA (www.rga.com), em Nova Iorque, desde 2003, Gui Borchert é um dos diretores de arte responsáveis pela conta da Nike, tendo atuado em diversos projetos como Nikelab, NikeiD, Nike Running, entre outros.

ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
GUI BORCHERT – Minha adaptação foi bem tranqüila. Fui muito bem recebido aqui na agência. O ambiente é supercriativo e rola muita colaboração nas equipes. Existem sempre pequenas dificuldades aqui e ali, mas nada que o tempo e a experiência não resolvam. Boas idéias não têm fronteiras nem idiomas, e criatividade, como a gente sabe, o Brasil tem de sobra.

ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
BORCHERT – A mentalidade é um pouco diferente, principalmente pelo lado dos clientes, mas é muito difícil generalizar, depende muito da cultura de cada agência, cliente e profissional. A principal diferença está na disponibilidade de novas tecnologias, e também de budgets, que, dependendo do projeto, ainda tendem a serem um pouco maiores por aqui, o que acaba abrindo espaço para idéias mais originais e inovadoras.

ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
BORCHERT – O Brasil está em alta, os profissionais brasileiros são sempre bem-vistos, principalmente após grandes premiações, com o Brasil sempre aparecendo entre os vencedores, seja por meio de agências nacionais, ou até mesmo de profissionais que trabalham fora. De forma geral, o Brasil é considerado um país altamente criativo e irreverente, o que também contribui bastante para a boa imagem do trabalho criativo nacional no exterior.

ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
BORCHERT – Principalmente a capacidade de adaptação e de superar dificuldades, além de criatividade inerente e cultura visual e geral, que a gente acaba tendo por viver num país como o Brasil. A experiência que eu obtive no meu dia-a-dia no Brasil não tem preço, e a diversidade de informações e culturas à qual somos expostos, crescendo num lugar extraordinário como o Brasil, serve de bagagem para a vida toda. Até mesmo as dificuldades e problemas do nosso país, que todos nós conhecemos, acabam nos preparando para os obstáculos que eventualmente temos de enfrentar.

ABOUT – Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
BORCHERT – Lugares como Nova Iorque estão acostumados a receber gente de todo canto do mundo. Essa diversidade é muito saudável para a produção criativa de uma agência. De maneira geral, as poucas barreiras que ainda possam surgir estão pouco a pouco sendo derrubadas naturalmente pela qualidade do trabalho resultante da colaboração criativa acima de qualquer segmentação.

ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
BORCHERT – Entre as minhas responsabilidades atuais estão desde e a conceituação do projeto até o design, além do acompanhamento da implementação, direção de arte geral e gerenciamento da equipe de design. Entre os trabalhos recentes, o Nikelab com certeza é um dos mais interessantes, pela natureza criativa do projeto e da liberdade de criação em cada experiência do site. Com um conteúdo por si só extremamente inspirador – contar a história dos produtos mais inovadores da Nike – desde seu briefing o projeto respirou criatividade e originalidade, e os resultados não poderiam ter sido melhores e mais criativos. Uma das características mais marcantes do projeto foi justamente a habilidade de expor cada produto de forma criativamente inesperada, extremamente conceitual e original.
Outro projeto que achei bastante interessante foi o redesign do site nikerunning.com para o lançamento da experiência do Air Max 360. Com um target muito interessante de se trabalhar, cada detalhe visual do site foi inspirado em detalhes do esporte, e a experiência foi toda baseada no lado mais poético de se contar uma história de tecnologia. Para representar a revolucionária sola do Air Max 360, composta inteiramente por ar, o desafio foi justamente como mostrar o ar, uma substância invisível por natureza; e a solução ficou visualmente muito interessante e eficiente do ponto de vista conceitual – o ar através da luz. O resultado foi uma experiência que começa de forma puramente conceitual e aos poucos vai traduzindo a idéia em realidade, de forma simples e natural. [ acesse por aqui ]

ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira?
BORCHERT – Comecei ainda na faculdade, estagiando na BRQ, onde tive meu primeiro contato com a web. Daí em diante, passei por agências start-up, que hoje já não existem mais, graças à famosa explosão global da bolha da web. Depois, trabalhei na revitalização de branding e redesign do Elefante.com, na minha passagem pela Invent, e, finalmente, no Investhop/Banco1.net, antes de me mudar para Nova Iorque.
Durante toda a minha carreira profissional, sempre procurei tocar projetos pessoais nas horas vagas, o que me permitiu manter a criatividade rolando, mesmo que no trabalho as coisas estivessem mais devagar. Entre meus projetos pessoais de maior visibilidade estão o site de pixel art Gworka, a comunidade de design Eyepunch.com e o showcase de arte digital Among the Monkeys. Nesse período, fiz também trabalhos de ilustração e design para algumas agências em São Paulo, como Salles D’Arcy e DM9DDB, além de um projeto interativo para a MTV Brasil, entre outros.
No geral, essa variedade de projetos me permitiu passar por um leque de experiências interessantes, incluindo desde projetos com maior foco em usabilidade até outros com demandas puramente criativas, além de conhecer tanto o lado do cliente quanto o lado da agência, e até mesmo os projetos por completo, nos casos de freelas e projetos pessoais. Dessa forma, pude aos poucos ir conhecendo e descobrindo o que eu mais gostava de fazer, e ir focando nas áreas que mais me interessavam – um processo muito válido e interessante de se lapidar.

ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
BORCHERT – Acima de tudo, pretendo estar sempre aprendendo algo novo a cada dia, e ter a oportunidade de trabalhar em projetos e idéias originais, com foco criativo e conceitual. Além disso, quero estar sempre tendo espaço para aprofundar meus conhecimentos de design, arte e experimentação visual. Por isso, no momento, Nova Iorque é um lugar que está suprindo exatamente essa minha procura. Independentemente da localização geográfica, desde que eu me sinta em constante evolução cultural e profissional, estarei sempre aberto a novos horizontes, e é claro que o Brasil, sendo a minha casa, vai estar sempre entre as minhas opções para o futuro.

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“De forma geral, o Brasil é considerado um país altamente criativo e irreverente, o que também contribui bastante para a boa imagem do trabalho criativo nacional no exterior” – Gui Borchert, diretor de arte da R/GA de Nova Iorque.

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