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15/05/2006 00:00

Fábio Costa

Fora do Brasil desde junho de 2004, primeiro no Canadá, depois nos Estados Unidos, Fábio Costa é atualmente partner creative director da OgilvyOne (www.ogilvy.com), em São Francisco.

ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
FÁBIO COSTA – A maior dificuldade que senti foi em relação à língua. O fato de não poder me expressar com a mesma clareza, consistência e velocidade às quais estava acostumado, foi um problema nos meus primeiros seis meses. Meu raciocínio ficou mais lento. Era engraçado nas reuniões de brainstorm: parecia que eu estava chapado, pois enquanto todos estavam falando e contribuindo, eu estava tentando assimilar aquela avalanche de informações e gírias de diferentes sotaques... A galera achava que eu era superdrogado. Hahahaha. As reuniões de brainstorm me cansaram mais que o Half-Ironman que fiz recentemente.
Mas, após seis meses trabalhando, vivendo e convivendo num ambiente diferente, parece que alguém muda uma chavinha interna e tudo passa a ser diferente. Meio que da noite para o dia, eu parei de ter conflitos entre duas línguas e minha concentração no inglês catapultou a ponto de passar a ter dificuldades de lembrar algumas palavras em português. As coisas inverteram!
O Brasil é extremamente respeitado aqui nos EUA. Posso dizer que a minha recepção na Ogilvy não poderia ter sido melhor. Sou responsável por um time de 30 criativos e, sem exceção, todos me receberam com curiosidade e braços abertos. Tirando alguns brasileiros que aqui estão, não conhecia ninguém em São Francisco. E hoje, após quatro meses, meus amigos pessoais são também os meus colegas de trabalho.

ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
COSTA – Me considero uma pessoa extremamente afortunada, pois tive a melhor escola que um criativo poderia desejar: AlmapBBDO. Praticamente tudo que aprendi foi com o Marcello, o Madeira e com aquele espetacular time. Minha passagem de quase sete anos pela Almap me deu experiência e confiança necessárias para me aventurar em terras nórdicas. E posso dizer que minha atuação não é muito diferente da que eu tinha na Almap. É claro que diferenças existem, como, por exemplo, minha relação com os clientes, que aqui não é a mesma que eu tinha no Brasil.
Um dos pontos positivos de uma agência americana é o fato de quase todas as campanhas terem um suporte muito grande do pessoal de estratégia. Praticamente todas as informações, e muitas vezes excelentes insights, podem ser extraídas da estratégia criada para uma determinada campanha. E os clientes dão muito valor e prestam muita atenção a isso.

ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
COSTA – O Brasil é referência mundial. Sempre foi e, se depender de mim, sempre será! Eu trabalho nos Estados Unidos, mas sou brasileiro. Antes de mais nada, foi o meu trabalho realizado na nossa terrinha que me trouxe aqui.

ABOUT – A presença de profissionais estrangeiros nas empresas de mídia interativa daí é natural? Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
COSTA – É muito natural, sim. Na Blast Radius, por exemplo, tinham mais de 34 nacionalidades trabalhando nos quatro escritórios. Sendo que cinco eram brasileiros. Aqui na Ogilvy SF, eu sou o único brasileiro. Mas em Nova Iorque, existem dois criativos e um project manager. Não posso avaliá-los individualmente, mas como todos nós bebemos da mesma água, não é novidade alguma ver toda essa galera brilhando e criando excelentes campanhas. E lustrando ainda mais o nome do Brasil.

ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
COSTA – O site Nike Jordan (www.nike.com/jumpman23/).

ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira? Por quais empresas passou depois desta primeira?
COSTA – Eu comecei na Y&R, em 1993. Depois, fui para a Talent, onde fiquei um ano. Minha mudança para a mídia interativa aconteceu quando comecei na ModemMedia (ex-Poppe Tyson), em 1995. Trabalhei dois anos lá e depois fui para a AlmapBBDO.
Estou fora do Brasil desde junho de 2004. Passei uma temporada em Toronto, Canadá, trabalhando para Blast Radius, como diretor de criação para a Nike, BMW e Mini, P&G.
Comecei na OgilvyOne, aqui em São Francisco, no início de janeiro deste ano. Meu cargo é partner creative director. Sou o único diretor de criação de toda a agência e os meus clientes são: Yahoo!, BP Oil, Barbie (Mattel) e Cisco. Como diretor de criação, sou responsável por todo o trabalho criativo que colocamos na rua. Tão bem como mentorship and coaching do meu time.

ABOUT – Quais são seus planos para o futuro próximo? Você pretende voltar a atuar na mídia interativa brasileira?
COSTA – Ainda não parei para pensar seriamente sobre o meu futuro. Posso dizer que hoje não tenho planos de voltar para o Brasil. Mas em relação ao amanhã...

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“Um dos pontos positivos de uma agência americana é o fato de quase todas as campanhas terem um suporte muito grande do pessoal de estratégia. Praticamente todas as informações, e muitas vezes excelentes insights, podem ser extraídas da estratégia criada para uma determinada campanha” – Fábio Costa, partner creative director da OgilvyOne, em São Francisco.

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