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Netmarketing

15/05/2006 00:00

Camila Costa

Camila Costa saiu do Brasil em 2002 para integrar a equipe da R/GA, em Nova Iorque. Em 2004, se mudou para Toronto, onde começou, em abril do ano passado, na Critical Mass (www.criticalmass.com).

ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo?
CAMILA COSTA A adaptação ao mercado não foi dificil. Tinha muito o que aprender aqui, já que os mercados são completamente diferentes. No Brasil, nos preocupamos com advertising e míni sites. Aqui, eles trabalham em sites enormes, de centenas e centenas de páginas. É outra dinâmica, são projetos de seis meses ou um ano, supercomplexos, que pedem muito raciocínio.

ABOUT – E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
COSTA Fui super bem recebida, não posso reclamar de nada. Aqui em Toronto, pelo menos, é um bônus ser brasileira – eles adoram e são supercuriosos sobre o país e nossa cultura.

ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
COSTA Tamanho dos projetos e, conseqüentemente, dos times; tempo investido na fase de descobrimento e em pesquisa; qualidade de vida – aqui, a vida pessoal é respeitada, as empresas dão dias extras de férias, caso você trabalhe muito.
Tudo aqui requer um racional, e você tem de ter um motivo para toda e qualquer decisão que tome. Além disso, quem faz o trabalho apresenta para o cliente. E todas as reuniões acontecem via telefone – conference call. E, finalmente, ninguém se preocupa com prêmios como Cannes, One Show etc. – graças a Deus.

ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
COSTA Difícil responder esta pergunta já que eles não comentam muito. Sei que consideram o Brasil um país supercriativo. Também sei que adoram designers brasileiros.

ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
COSTA Por vir de uma cultura totalmente diferente, agrego um ponto de vista que não existia antes. E eles adoram isso. Acredito que as culturas diferentes acabam complementando uma à outra, e a gente chega a um resultado bem mais rico e interessante. As preocupações são diferentes, bem como os backgrounds. Essa mistura sempre deu certo.

ABOUT  – A presença de profissionais estrangeiros nas empresas de mídia interativa daí é natural? Como você avalia o bom desempenho de vários profissionais interativos brasileiros no exterior?
COSTA Na própria Critical Mass é fácil encontrar estrangeiros: tem russos, asiáticos, italianos etc.
O desempenho dos brasileiros é acima do esperado, e eu só ouço elogios sobre profissionais como Fabio Costa, Thais Lima, Mauricio Pommella, Mauro Cavalletti (supertalentoso AI), Pablo Marques, Áthila Armstrong e Thiago Zanato. Não é à toa que eles foram chamados pelas agências mais legais do exterior. Merecido.

ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvida recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
COSTA ThankYou Network (www.thankyounetwork.com) certamente foi o projeto mais interessante no qual já trabalhei. Trata-se do programa de fidelidade do Citibank. A idéia foi criar uma experiência totalmente personalizada, com conteúdo único para cada usuário, totalmente simples e eficaz. Todo mundo sabe que trocar pontos não é fácil, e a nossa idéia foi criar um site que funcionasse de fato e facilitasse a vida do usuário ao invés de complicar. Sem ligações, sem complicações, sem problemas – o usuário pode fazer tudo on-line, inclusive trocar os pontos usando o “carrinho de trocas”.
O nosso time gastou muito tempo no que eles chamam de “discovery phase”, o que ajudou a construir um projeto com bases sólidas. Todas as decisões tomadas foram baseadas em fatos reais, números, dados ou pesquisas. Ninguém tentou adivinhar nada. O resultado foi incrível: a experiência entrega o que o usuário espera encontrar, e um pouco mais. O cliente ficou supersatisfeito, especialmente porque eles recebem freqüentemente e-mails dos consumidores elogiando a nova iniciativa. Este projeto usa e abusa das tendências e funcionalidades que a internet oferece.
Quando eu estava na Organic, criei um CMS tool para Tommy Hilfiger (content management sistem tool) bem interessante. Eu prezo pela simplicidade. Meu trabalho é criar experiências tão simples quanto interessantes. Quanto menos clicks, melhor. Quanto menos passos para terminar um fluxo, melhor. Quanto mais simples, melhor. Essa ferramenta acabou sendo interessante porque a gente conseguiu criar algo fácil demais de usar. Assumindo que qualquer pessoa pode ser responsável pela atualização do catálogo de roupas on-line, o objetivo era criar algo intuitivo o suficiente para dispensar explicações ou treinamento.
Incluímos help contextual, com perguntas e respostas na própria página; sugestões para seguir o padrão da marca; requerimentos (tamanho da imagem, número máximo de caracteres etc.); número de passos para concluir a atualização; telefone e e-mail para pedir ajuda em caso de emergência; possibilidade de salvar as mudanças antes de fazer o upload etc. Outro trabalho que foi superelogiado com resultado muito bom.

ABOUT – Onde e quando você começou sua carreira na mídia interativa brasileira?
COSTA Já trabalhei em muitos lugares, porque fiz freela por um tempo –  tanto aqui no Canadá quanto no Brasil.
Comecei como redatora na Giacometti & Farkas, em maio de 1998, onde trabalhei com o Alemão (super-redator que já fez C&A, Extra, TV Pirata, Sai de Baixo etc). Fiquei alguns anos por lá, depois fui para a Thompson Digital, onde comecei a carreira na mídia interativa.
Passei pela Urbana, pela Lumina, Player Video – até então como redatora. Em 2002, fui para a R/GA de Nova Iorque, onde passei seis meses fazendo estágio em arquitetura de informação. Voltei para o Brasil, tendo passado pelas equipes de Euro, Ogilvy e One Digital.
E, finalmente, vim para Toronto e trabalhei na Ogilvy, Organic, Blast Radius, D3, Cossete, até ser contratada pela Critical Mass.
Sou uma arquiteta de informação. O meu papel é trabalhar com a criação e com o time de tecnologia para, primeiramente, entender os usuários e suas necessidades; desenvolver a estrutra do site; criar wireframes (que podemos chamar de esqueleto do site onde ilustramos peso de conteúdo, hierarquia e elementos disponíveis na página – vale lembrar que um wireframe não é um layout e não tem como objetivo limitar o designer). Em poucas palavras, meu trabalho é criar experiências simples e intuitivas para todos os tipos de usuários.

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“Tudo aqui requer um racional, e você tem de ter um motivo para toda e qualquer decisão que tome. Além disso, quem faz o trabalho apresenta para o cliente. E todas as reuniões acontecem via telefone – conference call. E, finalmente, ninguém se preocupa com prêmios como Cannes, One Show etc. – graças a Deus” – Camila Costa, arquiteta de informação da Critical Mass, em Toronto.

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