Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comPJ Pereira é executive creative director da AKQA São Francisco (www.akqa.com), o principal da empresa considerada Interactive Agency of the year pela revista Creativity. Sob seu comando está uma equipe de mais de 60 pessoas, incluindo sete diretores de criação.
ABOUT – Como foi sua adaptação ao mercado externo? E a reação dos seus colegas de empresa à chegada de um profissional brasileiro?
PJ PEREIRA – Tive sorte da minha chegada à agência coincidir com a presidência do júri de Cyber Lions de Cannes, no ano passado, o que me garantiu não só respeito internamente quanto visibilidade para a AKQA. Foi uma combinação muito boa para mim.
A adaptação foi relativamente fácil, uma vez que quase metade da agência é de estrangeiros, especialmente depois da chegada de Mauro Alencar e de Thiago Zanato, pois eles deram um outro ritmo ao nosso time.
ABOUT – Quais as principais diferenças entre a atuação numa agência brasileira e numa estrangeira?
PJ – Eu achava que era organização, mas depois de quase um ano e meio aqui, o que faz mais diferença é a maturidade – o que fazemos não é novidade para ninguém, nem para nós, nem para os clientes. Por isso, a gente precisa gastar menos tempo vendendo a internet como uma coisa importante e mais tempo vendendo idéias.
Anteriormente, eu também achava que o trabalho aqui seria muito mais voltado para números e estratégias conservadoras, mas dei sorte de ter vindo parar na agência mais criativa do momento – uma empresa que me lembra muito o que era a DM9 na época em que eu entrei, dez anos atrás.
Na AKQA, a gente trabalha para Coca-Cola (global), XBox (global), Nike (principalmente Ásia e algumas coisas de Américas), Visa (EUA), Palm (EUA)... Hoje, em vez de pensar em como a mensagem vai ser recebida entre paulistas, baianos e gaúchos, eu viajo para discutir como essas mesmas idéias vão funcionar na Tailândia, na Argentina e na Itália.
ABOUT – Como é vista no exterior a comunicação dirigida à mídia interativa feita no Brasil atualmente?
PJ – Com respeito e gula. Está todo mundo querendo contratar brasileiros. Só que também tem uma impressão um pouco negativa, como se o Brasil roubasse no jogo, o que tem um fundo de verdade: o Brasil tem ganhado muitos prêmios com instituições sem fins lucrativos, piadas de sexualidade e um certo tipo de humor que está começando a se repetir. Já tenho ouvido gente ver coisa brasileira e dizer: “Olha os brasileiros fazendo isso de novo”. Tá na hora de encontrar novas maneiras de manter a competitividade...
ABOUT – Na sua opinião, o que a experiência brasileira levada por você acrescentou ao trabalho da sua empresa atual?
PJ – Tenho me envolvido em muitos projetos globais, e o simples fato de ser de fora dos Estados Unidos já ajuda nesse aspecto.
ABOUT – A presença de profissionais estrangeiros nas empresas de mídia interativa daí é natural?
PJ – Como disse, na AKQA quase metade das pessoas é de fora dos Estados Unidos. O Global Creative Council, que é o grupo dos cinco Executive Creative Directors dos diferentes escritórios, é composto por um japonês, um brasileiro, um dinamarquês e dois ingleses.
Quem quer ser mesmo global, mais que ter escritórios em todos os cantos, precisa ter gente de diferentes origens. E isso é uma das coisas mais divertidas do meu trabalho atualmente: discutir idéias com chineses, irlandeses, americanos... e um monte de brasileiros, claro!
ABOUT – Dos trabalhos nos quais esteve envolvido recentemente, comente os que você julga mais interessantes na afirmação de tendências de uso da mídia interativa.
PJ – Entre as coisas mais recentes, destacaria a de Xbox, um trabalho do Mauro e do Thiago. Meu mérito só foi ter convencido os dois a vir para San Francisco :-)
“Está todo mundo querendo contratar brasileiros. Só que também tem uma impressão um pouco negativa, como se o Brasil roubasse no jogo, o que tem um fundo de verdade: o Brasil tem ganhado muitos prêmios com instituições sem fins lucrativos, piadas de sexualidade e um certo tipo de humor que está começando a se repetir” – PJ Pereira, executive creative director da AKQA São Francisco.