Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comNão sou fã do ator, muito menos simpatizante do gênero dos seus filmes, mas acho muito difícil encontrar um nome tão adequado como esse para definir a era em que estamos vivendo, principalmente no mercado de comunicação.
Esse conceito foi "emprestado" e ligeiramente distorcido do grande cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, que assim define a decadência do cinema americano. Para ele, tudo que vemos hoje em dia no cinema e na TV americana faz parte da "era Bruce Willis". É a cultura do espetáculo supérfluo, da pirotecnia vazia. Uma era em que escolhemos o atalho mais fácil e disponível para ouvir as "melhores" e mais explosivas histórias.
Se traçarmos uma linha paralela aos nossos meios e veículos de comunicação, fica mais coincidente que estamos consumindo, desbragadamente, essa comida rápida dos órgãos de mídia, e pior de tudo, gostando e nos alimentando disso. O fenômeno não se detém nos limites geográficos do País, muito pelo contrário, é um fast-food que importamos e que criativamente tropicalizamos ao nosso tempero. Vide, como exemplo, a explosão das revistas de luxo e celebridades.
Recentemente, foi lançado nos Estados Unidos um filme que mostra os danos causados pelo consumo exagerado e sem controle do fast-food durante um período determinado de teste. Agora, me pergunto: não seria a hora de pensar e discutir quais os reais danos de estarmos ingerindo informação rasa, programas vazios de TV e editoriais questionáveis?
Semanalmente, ouço um discurso que incessantemente destoa nos meus ouvidos, que é aquela desculpa de que tudo é justificado pela escassez do tempo nas nossas vidas. Como conseqüência, viramos consumidores de matérias fáceis, rápidas e "produtos light", porém repletos de "radicais livres".
Acredito que já tenha passado da hora de os cientistas e neurologistas de plantão pesquisarem os reais danos desse consumo sem limite. Tenho certeza de que não iremos nos surpreender com os resultados dessa pesquisa, mas também não podemos subestimar o estrago que o consumo desenfreado proporciona nos dias de hoje e no longo prazo, aparentemente imperceptível a olho nu, no entanto mascarado por uma cegueira crônica e voluntária. Uma cegueira cada dia mais patrocinada, rica e comercialmente interessante.
Eu não sei de vocês, mas já estou começando a fazer a minha dieta e seleção de filmes.