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GRUPO DE MÍDIA DO RIO

10/08/2005 17:32

Retrato da juventude

Keila Marconi

Recentemente, algumas centenas de profissionais de agências, anunciantes e até de veículos (!!!) lotaram uma das maiores salas de cinema do Rio para assistir à apresentação do que pode ser considerado um dos mais qualificados estudos sobre o comportamento do jovem brasileiro. Com uma apaixonante aula de Mário Sérgio Cortella, fomos apresentados ao 3º Dossiê Universo Jovem MTV.
 
Apesar de por pouco, com meus 28 anos, fazer parte do universo pesquisado, fiquei bastante surpresa com alguns aspectos, principalmente com a efemeridade, rapidez, presentes na ampla maioria dos temas abordados.
 
A sexualidade, dentre outros aspectos, revela vertentes que antes faziam parte de um imaginário distante o bastante até para ser conversado com os amigos, e que hoje é considerado normal. Meninas beijando meninas para impressionar meninos, pulando etapas e querendo cada vez mais ser consideradas adultas antes da hora. Não se trata de preconceito e sim de questionar se essas adolescentes, com 14 ou 15 anos, têm capacidade, discernimento para avaliar os porquês e conseqüências de seus atos. É um mundo superficial em que a vida simplesmente se tornou uma grande brincadeira que pode deixar marcas muito profundas e difíceis de esquecer.
 
A rapidez com que a tecnologia anda é outro ponto que há algum tempo vem me surpreendendo. Outro dia, ouvi da minha mãe que ela tinha interesse em se desfazer de uma máquina de escrever das mais modernas (explico: um dos últimos modelos que foram lançados uns dez, doze anos atrás). Recomendei-lhe que esperasse um pouco, pois, com a “moda ploc” e a ressurreição dos anos 80, a máquina poderia sofrer valorizações ou, em último caso, num futuro não muito distante, poderíamos vendê-la como antigüidade para algum museu. O mais moderno computador de cinco anos atrás é hoje considerado extremamente antiquado, e o pior de tudo é que somos reféns desses avanços, e muitas vezes nos sentimos pressionados a acompanhar essa correria.
 
As novas formas de comunicação, como Orkut, MSN e Fotolog, possibilitaram reencontros e alternativas mais econômicas de comunicação. Mas, por outro lado, têm um lado bizarro, com o desenvolvimento do voyeurismo.
 
A realidade quase todos conhecemos, mas tenho me perguntado, desde que assisti a essa apresentação, o que vai acontecer daqui por diante. Será que temos capacidade de enxergar tendências num mundo em que tudo muda tão rapidamente É bastante possível que nossas previsões para daqui a cinco anos se tornem realidade em um ou dois anos, e a realidade ainda venha carregada de elementos surpreendentes que hoje parecem uma realidade distante.
 
Independentemente disso, acho que a inversão de alguns valores logo vai aparecer. As coisas passam a ser monótonas quando viram padrão de comportamento. O que é moda hoje, certamente não o será amanhã. Ao mesmo tempo em que temos necessidade de transgredir, se sentir parte de uma tribo, mudar e revolucionar também faz parte do universo jovem. 
 
Conheço "orkuteiros" de carteirinha que estão deixando de são parte da comunidade, irritados com a constante invasão. Adolescentes que retomam a idéia da virgindade como valor moral. Na própria pesquisa, temos os perfis "Novas Posturas" e "Solidários" que somam 26% da amostra e são mais tradicionais e conscientes. 
 
A efemeridade é um reflexo da falta de perspectiva e confiança em um futuro mais justo, mas tem seu limite, e em breve a descrença pode tomar conta de nós de tal forma que teremos de transformá-la em algo pelo menos mais produtivo.

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