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GRUPO DE MÍDIA DO RIO

05/04/2004 21:04

De volta para o futuro

Luiz Fernando Novaes

A revista Dinheiro publicou em janeiro último um interessante artigo sobre a moda retrô que está invadindo a sociedade de consumo. De repente, um agasalho da Adidas com as três listras, o Bamba "cabeção", o liquidificador com copo de vidro e os discos da Nara Leão se tornaram objeto de desejo dos "descolados" de hoje. É algo como dar um maior significado a coisas banais, sinalizando com seu uso um sofisticado gosto pelo que é realmente clássico.

O fenômeno tem a estranha característica de tornar o que é antigo em absoluta novidade. Acredito que essas pessoas estão ficando um tanto quanto cansadas do excesso de modernidades que chegam e vão de forma cada vez mais rápida. Mal aprendemos a usar um celular, por exemplo, e ele ganha "trocentas" novas funções a todo o momento.

Estamos sempre e cada vez mais correndo e correndo para ficarmos em dia com as novidades e, evidentemente, sem nenhum sucesso. Faz sentido, então, que, de repente, o "antigo" ganhe o status de  clássico e, assim, passe a ser mais novo do que os "novos" porque ele, na verdade, revela um comportamento, uma atitude, verdadeiramente moderno. 

Talvez o desejo de uma melhor qualidade de vida esteja na raiz desta tendência. De minha parte, do alto de meus cinqüenta e um anos, fico mais confortável em me sentir mais clássico que velho. Outro dia, ao entregar um disco de vinil pra ser transformado em CD, ouvi uma pérola da mocinha que me atendeu. Dizendo que gostaria de copiar os dois lados de um compacto simples, ouvi-a, atônita, perguntando: "Lado? Como assim?". Senti-me, então, clássico demais...

Ter, no entanto, uma certa, digamos, experiência pode agora ser realmente uma boa vantagem no mundo da propaganda. Leio na internet que a produção de conteúdo para TV por parte de agências e  anunciantes da Inglaterra, que havia movimentado 9 milhões de dólares em 2003, deve chegar a 40 milhões neste ano! Isso é um reflexo da busca por conteúdos editoriais cada vez mais integrados com os objetivos de comunicação das marcas. Pepsi Chart Show e Coca-Cola’s American Idol, para citar dois exemplos de formato "branded content", na verdade, recriam algo que nos primeiros tempos da televisão foi muito utilizado como modelo viabilizador de produções para TV.

Repórter Esso, Jornal Nacional (originalmente o nome era relacionado ao patrocinador, o finado Banco Nacional), Teatrinho Trol, Tele Rio/Times Square e vários outros programas foram criados com uma fórmula que, salvo algumas diferenças relativas ao cenário do mercado de cada época, procuravam, conceitualmente, a mesma coisa: obter a atenção do consumidor para algo que seja único e pertinente à marca. Alcançar esse objetivo, hoje, pode significar o incremento da imagem "moderna" de uma marca através de um modelo, digamos, clássico de propaganda...

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