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GRUPO DE MÍDIA DE SÃO PAULO

20/09/2004 15:12

O Brasil voluntário e a mídia social

Ângelo Franzão

Mais do que o festejado crescimento do Brasil economicamente sustentado, festeja-se também o crescimento do Brasil socialmente responsável. Crescimento contagiado pelo coração, potencializado pelas nossas carências e sustentado talvez pela consciência dos privilégios, nem sempre socializados.
 
O marketing social, antes utilizado por poucos, hoje já deflagra a importância estratégica de marcas que objetivam a diferenciação mercadológica de seus concorrentes. Algo como ir ao encontro dos desejos, das ansiedades, dos valores e, acima de tudo, das necessidades de seus consumidores. Afinal, como viver com tanto conforto se a maioria dos nossos vizinhos respira tão desconfortavelmente?
 
Mesmo considerando o universo de empresas que, por alguma razão, não associam o lucro mercadológico ao lucro social, os investimentos dirigidos às causas sociais, independentemente das leis de incentivos, já são uma fantástica realidade. É como ter descoberto os nossos próprios caminhos. Ou, muito mais do que isso, é como ter criado o nosso próprio modelo mercadológico. O modelo mercadológico brasileiro!
 
Percebe-se que o consumidor brasileiro já contabiliza tanto a qualidade como a própria quantidade dos investimentos das empresas destinados ao Terceiro Setor. O retorno mercadológico parece ser conscientemente administrado por ele, na medida do possível, também diante das diferentes formas de atuação de suas marcas preferidas em tais plataformas.
 
O consumidor, ainda, parece estar plenamente ciente da sua importância no ciclo natural de consumo de produtos, marcas ou serviços, propondo, mesmo que involuntariamente, uma verdadeira negociação com as marcas em geral.
 
O tradicional e isolado apelo do "me compre", embora ainda eficaz notadamente pela criatividade na elaboração da mensagem, está perdendo a sua força diante da "commodity da qualidade", hoje instaurada em praticamente todas as categorias de consumo.
 
Conseguem preservar, a meu ver, a eficácia de mercado as marcas que, além de recompensarem seus consumidores com a qualidade de seus produtos, buscam gratificá-los com investimentos destinados à melhoria de sua comunidade, influenciar positivamente na sua qualidade de vida, na preservação do seu meio ambiente e, claro, às causas sociais, que em geral visam a neutralizar parte de nossas incríveis carências.
 
É por isso, talvez, que a indústria do "bem-estar" ganha força em todo o mundo, potencializada ainda mais entre nós, já que é aqui, certamente, um dos maiores mercados para a realização dos investimentos voltados para as atividades sociais.
 
O marketing do "faz bem" já posiciona e reposiciona marcas e empresas e renova a fidelidade de seus consumidores também por meio da preocupação revelada nos seus planos de marketing em privilegiar parcerias junto a ONGs, instituições, associações e demais organizações ligadas ao Terceiro Setor.
 
Logo, a conclusão é imediata e óbvia: sendo intensas as ações do marketing social, certamente intensas são as atividades da comunicação social. E se a comunicação social já revela a capacidade de contabilizar investimentos significativos, especialmente da iniciativa privada, a procura por alternativas da mídia social já é uma realidade. É, sem dúvida, a hora e a vez da mídia social.
 
Parece-me que está oficializada aí uma nova categoria editorial de programas e canais de comunicação fundamentados nas diversas plataformas sociais que objetivam gerar recursos para neutralizar as  carências e a dor de crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos portadores de deficiências nas suas mais diversas formas. Uma categoria que contempla editorialmente os diversos programas sociais e que, acima de tudo, reflete o interesse da própria população consumidora brasileira.
 
Portanto, se não for pela vocação natural da marca, que seja pelo aperfeiçoamento e eficácia do seu marketing ou pela solidez e diversidade da sua comunicação. E que se multipliquem as alternativas da mídia social.
 
Aos que buscam o nosso modelo, aos que lutam pelos nossos caminhos e aos que já perceberam que nem todas as plataformas globalizadas atendem diretamente às nossas necessidades, é chegada a hora de prestigiar a mídia social!
 
Aos que sabem que tanto a regionalização das mensagens publicitárias como a legitimidade dos investimentos em marketing devem contemplar essencialmente os desejos de seus consumidores, é este o momento da ativa participação na mídia social!
 
E aos que buscam insistentemente por diferenciações e que precisam agregar a imagem de liderança, vanguarda e prestígio às suas marcas, aqui vai uma dica: considerem a mídia social! Os ganhos são consideráveis. Afinal, ganham anunciantes que conseguem fidelizar ainda mais seus consumidores, ganham grupos de comunicação que, além do maior dinamismo na formação de suas receitas, cumprem fielmente a missão da prestação de serviço, e ganha, fundamentalmente, toda a sociedade brasileira.

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