Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comSempre em período pré-eleitoral, me voltam algumas questões que subvertem muito dos aprendizados técnicos que tive sobre esse negócio de propaganda. A começar pelas características da mídia exterior. Tida como um meio de alto impacto e de apoio à construção e conceituação de marcas, nesse período, acredito que não faça nem uma coisa nem outra.
Como pode provocar impacto em meio a um "clutter" desse? Faixas, banners, cartazes, empenas, frontlights, backlights, painéis eletrônicos, estandartes, outdoors, paredes, muros e pontes pichadas, bandeiras nos semáforos. Peças e iniciativas espalhadas desordenadamente pela cidade, que se deterioram numa velocidade absurda, deixando as ruas da cidade com um aspecto de pós-bombardeio.
São letras garrafais (nem sempre obedecendo a um mínimo critério de uma primária "direção de arte"), números, siglas e fotos que se confundem proporcionando ao pobre eleitor um espetáculo patético de absoluto caos visual.
E o conteúdo, então?!
Fazendo uma analogia Candidato x Produto. Como a simples menção de um nome ("marca"), número ("código de barras"), partido ("fabricante") e foto ("embalagem") pode influenciar ou determinar a escolha do melhor produto — cuja promessa sempre nos leva à impressão de um "me too"? Àquele que vai realmente atender às minhas necessidades de consumidor? Àquele que não vai decepcionar-me através de uma "over promise"?
Diferentemente do que ocorre com marcas estabelecidas em que a simples presença é suficiente para reforçar a imagem positiva de determinado produto ou serviço, a "imagem de marca" da esmagadora maioria dos políticos candidatos não é lá a das mais favoráveis ou, na melhor das hipóteses, não tem "awareness" nenhum.
Nem mesmo a tática de agregar valor à marca mostrando o "design" da embalagem cabe aqui, uma vez que, convenhamos, muitas das fotos de candidatos dificilmente seriam selecionadas num concurso de Miss ou Mister Simpatia...
Resta-nos o consolo de que, a exemplo do ocorrido na velha história do bode na sala, que, quando foi retirado, tornou a vida daquela pobre família uma maravilha, após as eleições, com o fim da algazarra promovida por aqueles mesmos que prometem ver o interesse da cidade acima de tudo, o meio "mídia exterior" — cada vez mais profissionalizado — volte a mostrar o seu real valor.
toledano@grey.com.brAntonio Toledano é vice-presidente de mídia da Grey Brasil e membro do Conselho Superior do Grupo de Mídia de São Paulo.