Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comMuita gente, em face da excelente evolução conquistada pela mídia nesses últimos cem anos, sustenta que será improvável qualquer mudança neste cenário. Até dou razão a elas, pois nunca a mídia foi tão eficaz, principalmente nos últimos cinqüenta anos. O mesmo ocorreu com a propaganda, que evoluiu paralelamente à mídia, alcançando patamares fenomenais, até transformando alguns criativos em personalidades.
O problema é que ninguém estava considerando o impacto da tecnologia aliada à mídia: a chamada convergência. Os meios de comunicação já caminham para um processo de segmentação, bastando para isto observarmos as emissoras de rádio hoje, todas já são temáticas. Este movimento seguramente culminará em uma grande pulverização da mídia, lembre-se também que temos mais de mil títulos regulares de revistas, quinhentos jornais diários, 150 canais de TV por assinatura etc. Entender o movimento já não é tarefa apenas para visionários, mas sim para quem quiser sobreviver na profissão.
Novas e excelentes demonstrações é que não faltam; por exemplo, acaba de chegar ao Brasil a convergência da TV com o telefone, o tvfone. O usuário precisa apenas ser assinante de banda larga, sem a necessidade do computador, apenas um equipamento complementar, a TV, chamado de end point. Trata-se de uma caixinha que vai ligar o telefone e a televisão e que fica sobre a TV.
Também a Disney entrou para a convergência e lançou, nos EUA, um fenomenal serviço de filmes sob demanda. Ele utiliza tecnologia de lançamento de dados (datacasting) para enviar filmes com qualidade digital por meio de um "jato de informações" para televisões com sinal analógico. Depois os sinais são coletados e decodificados, e assim os filmes são salvos em um disco rígido, em um equipamento acoplado à TV que armazena o arquivo para visualização instantânea. O resultado é algo como o cruzamento entre um disco rígido baseado em um videocassete com um serviço pay-per-view de vídeo, como aqueles disponíveis nas operadoras de TV a cabo. Os usuários interessados alugam o box, que é fabricado pela Samsung, por apenas US$ 6,99 por mês. Os filmes em lançamento custam US$ 3,99 e os antigos, US$ 2,49. Pagando a taxa, o usuário pode assistir ao filme quantas vezes quiser por um período de 24 horas.
Voltando ao Brasil, neste mês também fomos surpreendidos com o lançamento da Sky+, que é um PVR - Personal Video Recorder, da Sky. É uma caixinha que fica em cima da TV e tem a capacidade de gravar e armazenar mais de 50 horas de programação. Um videocassete da era digital, que permitirá ao assinante montar sua própria grade de programação.
O sistema PVR é o maior sucesso nos EUA, atingindo mais de um milhão e meio de usuários, e segundo a Forester, maior empresa de pesquisa da TV do futuro, será o produto eletrônico mais vendido na história. Ele pode agendar gravações de programas com simples cliques no controle remoto. Outra característica fascinante é que ele permite dar pausa em programas ao vivo, viabilizando depois ao assinante, ao apertar play, a assistir de onde ele parou. Os líderes nos EUA são TiVo e RepalyTV.
Só mesmo os profissionais de mídia é que terão condições de operar esta mídia do amanhã. Os telespectadores usuários de PVR, por exemplo, não serão mais chamados de audiência, até porque nem o próprio Ibope imagina como mensurar a audiência de um programa exibido em uma segunda-feira às 14:00, mas assistido em um sábado às 22:00. Quem, além dos mídias, compreenderá isto e os cliques da interatividade no comercial de 30"; o chamado t-commerce?
Para os céticos, uma informação surpreendente: a empresa NDS, líder de tecnologia mundial para TV interativa e também responsável pelo software do PVR da Sky+, realizou neste mês uma excelente palestra no Grupo de Mídia de São Paulo. Perto de cem profissionais puderam assistir às impressionantes características da iTV, além de diversos comerciais interativos em veiculação na BSkyB da Inglaterra; notamos inclusive a introdução de banners e pop ups na TV. Agora os comerciais não pararam mais nos 30".
Quão longe estamos desta realidade? Segundo a NDS, ela está chegando ao Brasil. A qualquer momento estaremos nos alinhando com os países mais evoluídos em mídia do mundo. Na verdade, a convergência não quer parar.
arosa@dainet.com.brAntonio Rosa Neto é presidente da Dainet Multimídia e Comunicações e membro da divisão de eventos do Grupo de Mídia de São Paulo