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GRUPO DE MÍDIA DE SÃO PAULO

02/09/2003 13:46

Construção de marcas e (ou) boas de vendas?

Cláudio Barres

Nos últimos anos, o meio revista vem sendo muito cobrado por ser considerado um segmento de construção de marca, conceito vendido pelo próprio veículo por muito tempo. O mercado publicitário, em função das crises dos últimos tempos, tem trabalhado no curtíssimo prazo, e com isso a mídia revista tem sofrido bastante com a síndrome do resultado imediato. Além disso, existe o problema da "cultura televisiva do País", da qual fazem parte consumidores, clientes, mídias etc.

Em relação ao primeiro ponto, imediatamente vem à minha memória aquela famosa campanha "Veja funciona", em que a Veja nos lembrava sempre dos resultados que a revista entregava aos clientes que apostavam nela para vender seus produtos. Pois é, muito pouca gente se lembra disso, incluindo o próprio meio, que precisa voltar a mostrar ao mercado exatamente aquilo - revista funciona. Funciona porque o meio desperta interesse, demonstra intimidade, foco, empresta credibilidade aos produtos veiculados e os anúncios passam a ser fontes importantes de informação para o leitor, além de o próprio leitor ser seletivo em suas escolhas, começando por escolher a revista que quer ler.

Sobre o segundo ponto, somos e sempre seremos um país de cultura televisiva, mas isso absolutamente não quer dizer que o mercado publicitário "emburreceu" e só sabe fazer televisão, até porque o crescimento de outros meios mostra que estamos sempre procurando alternativas.

O mercado mudou para todos os meios; e, nesse ponto, o meio revista tem aparecido com alguns formatos e idéias interessantes. O agrupamento de títulos de alto consumo, as capas falsas, os cadernos específicos de varejo, os projetos especiais, a redução dos prazos para a entrega de materiais, tudo isso movimentou o meio revista no primeiro semestre; mas acredito que precisamos de mais, e vamos chegar provavelmente ao seguinte: como o cliente quer e o que faremos para vender isso a ele.

Será que é impossível em alguns momentos pensar em revista por segmentos, independentemente de editoras, e com isso começarmos a desenvolver projetos customizados com as revistas de interesse geral, por exemplo? Claro que cada editora tem suas metas e objetivos a atingir, mas em alguns momentos o concorrente é muito mais o outro meio do que a outra editora.

Será que o famoso mailing list das revistas não pode ser mais bem trabalhado em operações conjuntas com publicidade, como anúncio na revista conjugado com uma ação de marketing direto via mailing?  Acredito que podemos confiar no bom senso das agências, clientes e editoras para que essa ação valorize o consumidor e ele não se sinta agredido.

Será que não é possível entrar no conteúdo das revistas de maneira inteligente? Como as editoras poderiam nos ajudar a pensar no problema do cliente? Como poderíamos explorar os "conceitos de campanha" do produto x, y, z nos editoriais das revistas e achar uma maneira legal de falar com o leitor?

Será que a famosa independência editorial não pode viver numa boa com projetos desenvolvidos a oito mãos, desde que as revistas continuem entregando a informação isenta ao leitor?

Enfim, acredito que revista vende e vende muito bem, mas penso que, em vez de discutirmos apenas formatos comerciais/descontos, deveríamos começar a discutir conteúdo, novas abordagens, cross-messages, interatividade e de que maneira podemos embalar tudo isso para entregar ao leitor.

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