Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comMuito se tem falado ultimamente sobre a nossa capacidade de planejamento de mídia e há uma enorme discussão a respeito de nosso instrumental para abastecimento dessa área. Naturalmente essa conversa é uma conversa que tem fundo político e comercial como sempre, mas não acredito que haja fundamento para que nós nos sintamos em desvantagem em relação a qualquer outro mercado, muito menos para aqueles que nos cercam aqui na América do Sul! Para começar, temos aqui audiência de TV "on-line", que é coisa de primeiro mundo e, por incrível que pareça, nem está assim tão disponível no primeiro mundo. É bem verdade que a gente esquece disso e até por falta desta lembrança às vezes um ou outro comunicador de TV acaba fazendo o que não pode, porém, sem dúvida, por conta da modernidade que a gente vive na área tecnológica em audiência.
No campo das nossas tão prestativas empresas de pesquisa de mídia - ambas tendo começado tão cedo -, com essa onda de primeiro mundo elas foram incorporadas, ou fizeram acordos parciais, entretanto, o que importa é que a nossa tecnologia nesse universo saiu puramente da área de mídia para termos aqui informações que ultrapassam em muito a área de mídia e entram em grande estilo na área de planejamento de mercado, sendo que os estudos sobre os quais falarei brevemente abaixo nos levam a um passo importante na radiografia da sociedade moderna, que é a troca das informações no terreno da demografia para o estudo do consumo propriamente dito e análises profundas do comportamento do consumidor versus os hábitos de mídia. Esta me parece uma parte importante da nossa trajetória, pois a demografia, tão utilizada até agora, continuará a ser importante, mas de qualquer maneira temos de continuar avançando na velocidade do conhecimento desta figura que impera cada vez mais sobre o nosso negócio: o consumidor. Nesse sentido penso que a demografia é uma base sobre a qual devamos construir uma análise mais profunda e interessante.
Há que haver neste momento uma melhor compreensão por parte das agências e veículos para a necessidade de apoiarmos os institutos nesse desenvolvimento, pois esta é, sem qualquer dúvida, a melhor proteção que podemos ter para o mercado brasileiro: o desenvolvimento da área, o suporte para novas iniciativas... É claro que essa meta passa por uma valorização dos profissionais da área de mídia, que, na verdade, querem muito pouco - só um pouco de atenção.
Dentre outras boas características de agora, o Cenp, depois de um grande esforço de análise do mercado de agências e de uma trabalhosa equipe que foi voluntária nesse projeto, chegou a mecanismos que, de uma certa maneira, não impõem um ônus excessivo às agências maiores e propiciam benefícios impensáveis para as agências menores - cerca de 2.000 estão sendo favorecidas com informações antes inimagináveis em programas simples de computador. É necessário que se acompanhe também as iniciativas de um grande programa de treinamento do pessoal de mídia, bem como que se amplie ainda mais o apoio aos anunciantes para que montem as suas estruturas de mídia com gente especializada que produza mais agilização no dia-a-dia das agências, que otimize o tempo da área de mídia das agências e que, enfim, rentabilize o investimento de ambos. Para não ficar muito distante da realidade que ora vivemos no mercado, é essencial que se conheça melhor as nossas propriedades, os nossos "softwares" e tudo o que está sendo oferecido ao mercado brasileiro.
Desde o Ipsos-Marplan, que tem pesquisa com 50.000 entrevistas/ano em nove capitais, com os meios TV/Pay TV/Revistas/Jornal/Internet/Cinema/Mídia Exterior e Teatro, passando pelo
"upgrade" da suíte integrada (o pessoal é bom também em siglas e nomes, não é?), que permite três processos do planejamento (Sisem Mídia + Simulação + Consumer) em um único software. Temos ainda em implantação o Tom Micro, que, apesar do nome de herói de filme infantil, é um software que vai fundo na análise dos consumidores, permitindo o estudo das correspondências, ou seja, o primeiro passo no avanço além da demografia e que termina com a sua auto-análise, a avaliação do plano de mídia. Do outro lado, no Ibope, também somos ricos em siglas: Media Quiz, TelereportLight e Total, A&F Viewer e Planview para TV e Easy Planning para Rádio.
No Ibope, contamos ainda com o fantástico TGI, um verdadeiro tratado do comportamento do consumidor, ferramenta básica de mídia e planejamento de mercado; e, por último, o Ibope Monitor, grande instrumento de análise dos investimentos por categorias de produtos, áreas econômicas, performance de veículos, de agências etc.
Um nome que não se pode esquecer, também, é o do IVC, por tanto tempo fazendo auditoria de circulação e sendo capaz de se remodelar para acompanhar o que há de mais moderno no mundo nessa especialidade.
Enfim, não me venham com desculpas de que o mercado precisa de novos softwares, pois isso, aqui, não cola.
barbara@dpz.com.brDaniel Barbará é diretor comercial da DPZ e membro do conselho superior do Grupo de Mídia