Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comQuando nascia Brasília, 50 anos atrás, nascia junto com ela, por necessidade intrínseca, um diário impresso, intitulado Correio Braziliense, órgão dos Diários Associados, cuja fundação data de 1924 pelas mãos de Assis Chateaubriand, a partir de uma “repaginação” completa em O Jornal, onde o jornalista passou de empregado a proprietário (ou sócio-proprietário, dependendo do ponto de vista histórico), dando origem, após muita labuta, luta, polêmicas, conflitos, conquistas, vitórias e realizações, ao sexto maior conglomerado de comunicação do Brasil na atualidade (já foi mais potente), possuidor de 1 fundação, 3 portais, 3 revistas, 7 empresas, 8 emissoras de TV, 12 emissoras de rádio, 14 sites e 15 jornais.

Não tivesse falecido em 4 de abril de 1968, na capital paulista, aos 75 anos – ele nasceu em 4 de outubro de 1892 em Umbuzeiro, na Paraíba –, provavelmente Chatô acordaria, neste último 21 de abril, de ressaca. De ufanismo, é claro, pois, o empreendedor teria jantado, na noite anterior, em celebração pelas cinco décadas de existência do Correio Braziliense, com duas das maiores eminências políticas da história brasileira: à direita, José Sarney, presidente do Senado; à esquerda, Lula, presidente do Brasil, com Dona Marisa, nossa primeira-dama, um pouquinho mais à esquerda. Sim, senhores, estas seriam, sem dúvida alguma, as posições na mesa de autoridades máximas da noite, pois, para poder acompanhar o discurso do presidente dos Diários Associados e também diretor-presidente do diário homenageado, Álvaro Teixeira da Costa, bem como assistir ao quarteto de cordas, enquanto eram servidos os pratos de entrada, principal e sobremesa, o presidente da República Federativa do Brasil jantou praticamente de costas para os demais convidados. E não fez discurso, nem um mindinho de elogio sequer aos anfitriões – o Condomínio Acionário das Emissoras e Diários Associados com seus 22 funcionários, liderados por Costa –, em razão do adiantado da hora, afinal, mais valia um presidente bem alimentado e bem dormido para acompanhar as comemorações alusivas ao aniversário de Brasília na quarta-feira pela manhã, do que uma gafe ainda maior sob o exagero informal da conduta protocolar dos organizadores do evento.
Dentre outras personalidades de enorme relevância no cenário empresarial e político do País, também estiveram presentes ao jantar o presidente da Câmara, Michel Temer; os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (presidente), César Peluso (vice) e Ayres Britto; o governador do Distrito Federal, Rogério Rosso; inúmeros parlamentares; e a ex-ministra e candidata Dilma Russeff, em busca de bons eflúvios para sua campanha rumo à eleição presidencial.
O atraso não se deu por causa da revista – em cerimônias do gênero, ela pode ocorrer por causa do trabalho das equipes de segurança, mesmo quando o evento não é oficial, principalmente em locais com grande público. Os convites impressos informavam que o jantar era às 20:00, porém, os convidados devem ter suposto que entre a revista e o coquetel... Deus é brasileiro, isto é, o espaço Brasil 21 ficou lotado, demonstrando claramente o quanto é querido e prestigiado o Correio Braziliense, todavia, com o avançar do horário, exceto no caso do grupo restrito à mesa principal do salão, da qual fazia parte Álvaro Teixeira da Costa; das mesas mais próximas à ela; e dos cidadãos que não resistem a uma levantadinha para apertos de mão entre garfos e facas; os demais presentes somente viram o presidente Lula pelo telão, sem ouvir o tom da voz dele. A ex-ministra Russeff aproveitou a ocasião para, no corpo a corpo, sair em campanha pessoal pelo salão, sem se afastar muito da mesa, enquanto era notório que o presidente Lula permanecia ocupado com outro tipo de assunto.
Retratada a noite, em breve síntese, sob os aspectos pitorescos da vida protocolar no Distrito Federal, lamento pelas críticas aqui alinhavadas, esperando que sejam compreendidas sob a perspectiva de uma cidade em plena comemoração do cinqüentenário de sua construção, com um objetivo claramente traçado. Crianças, idosos, jovens, executivos, moradores, migrantes, imigrantes, autoridades, turistas, políticos, até eles, todo mundo pode chorar, reclamar, levantar bandeirinhas nacionais nas mãos como se fossem bandeirolas de escolas de samba para fazer festa na Esplanada dos Ministérios; bater foto ou bumbo na frente do Palácio do Planalto; fazer piquenique com ou sem faixa de protesto defronte ao Palácio da Alvorada; tentar montar barraquinha de cachorro quente na frente do Congresso Nacional... Pode todo mundo dançar, rir, brincar, andar, correr, subir e descer do skate, entretanto, não dá para tapar, fundamentalmente em Brasília, o Sol com a peneira: Brasília é, antes de ser – antes de ser construída –, o Distrito Federal. Foi feita assim. Para ser assim. Ou melhor, sendo mais exata para fazer jus aos projetos tão bem delineados pelos Arquitetos: muito, muito mais eficiente, muito mais bela, limpa, organizada, estratégica, evolutiva, progressista, iluminada e preparada para, de fato, realizar o trabalho que tem de realizar pelo Brasil, essencialmente nesta primeira metade do século XXI.
Há um determinado fim, que nada tem a ver com a minimização das importâncias de metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo, a ser cumprido pelo nosso Distrito Federal; por outro lado, nunca foi pensando exclusivamente no poderio militar da Nação que a construção se ergueu, e não é preciso ser gênio para chegar a essa conclusão – dê uma olhadinha com atenção nos reprodução dos anúncios que ilustram esta reportagem, retirados da primeira edição do Correio Braziliense, publicada em 21 de abril de 1960. Há metas a serem cumpridas, extremamente bem estruturadas, e não são elas conhecidas apenas por meia dúzia de cidadãos no Brasil e no exterior, nem tiveram origem exclusivamente nas mentes de Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer. Quem procura acha.
Brasília, o Correio Braziliense e a TV Brasília foram oficialmente fundados na mesma data, 21 de abril (168 anos antes, Tiradentes morria enforcado), lembrando que também foi sob o empuxo de Chatô que, em 1950, a TV Tupi deu seus primeiros sinais de vida, fazendo surgir a transmissão televisiva no País.
E por falar em festas, aniversários, campanhas, Correio Braziliense, TV Brasília, por que não rememorar algumas cores que cingiram protocolarmente as celebrações de Chatô e dos Diários Associados há 50 anos? Well, well, a madrinha da inauguração da TV Brasília foi Shelagh Parnell, editora da revista feminina She e esposa do banqueiro Charles Edward Parnell. Lindíssima e extremamente fotogênica, ela viajou de Londres para Brasília somente para cortar o laço inaugural. Tamanha gentileza fez com que os Diários Associados lhe prestassem homenagem à altura, entregando a Mrs Parnell, como mimo de recordação do Brasil, um colar com cinco águas-marinhas, 100 quilates de brilhantes e 300 pedras preciosas. Uauuuuuuu....... A prova está na capa da revista O Cruzeiro de 28 de maio de 1960. Mas, querem mais provas de que aquele Brasil tinha tudo para decolar?
Na mesma data, nossa primeira-dama, a Senhora Sarah Lemos Kubitschek, inaugurava as instalações do novo veículo de comunicação dos Diários Associados, o Correio Braziliense – título que havia batizado, de 1808 a 1822, o mensário publicado por Hippólyto José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, em Londres, considerado primeiro jornal brasileiro, enquanto Brasil era Reino Unido a Portugal. Ao lado do Cardeal D. Carlos Carmelo de Vasoncelos Mota, a Sra. Kubitschek foi madrinha da solenidade e saudada, no encontro, pelo então deputado José Maria Alkmim, também diretor da publicação.
Um vídeo postado no site do jornal pela sua equipe de reportagem apresenta algumas imagens do jantar de comemoração ao cinqüentenário do título, realizado no Brasil 21, no Distrito Federal. Acesse clicando aqui.
21 + 21 + 21 = MaioridadeBrasília, o Correio Braziliense e a TV Brasília foram oficialmente fundados na mesma data, 21 de abril (168 anos antes, Tiradentes morria enforcado), lembrando que também foi sob o empuxo de Chatô que, em 1950, a TV Tupi deu seus primeiros sinais de vida, fazendo surgir a transmissão televisiva no País.