Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comApós dois anos e meio do início da Lei Cidade Limpa, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), liberou a divulgação de material publicitário em abrigos de ônibus e irá ampliar a rede de relógios públicos. Dessa forma, a quantidade de locais nos quais a propaganda será permitida subirá para 9.800 pontos.
O objetivo é adaptar os pontos de ônibus existentes, criar mais 2.100 unidades e triplicar a quantidade de relógios de rua, onde continuou sendo permitida a publicidade. A licitação para a exploração publicitária nos relógios será aberta neste sábado e a dos abrigos está prevista para o próximo mês. Com a medida, a prefeitura espera arrecadar cerca de R$ 2,4 bilhões durante a vigência dos contratos com regime de concessão de 16 anos para veiculação nos relógios e, provavelmente, 20 anos para abrigos.
A decisão não agradou a todos. Juliana Martins, da ASR Mídia, empresa especializada em mídia exterior, acredita que a medida não é eficaz. “O regulamento é mal estruturado. Aumentar o número de relógios em locais de pouca circulação pode gerar abandono. A propaganda fica muito tempo exposta, sem uma rotatividade e sem higienização. É necessário uma revitalização do local junto às empresas de mídia exterior”, explicou.
A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), entidade que mais combateu a Lei Cidade Limpa, por acreditar que ela ultrapassou os limites do razoáveis, vê com bons olhos essa reintrodução de uma modalidade da mídia exterior, mas continua defendendo o retorno, disciplinado, de outros tipos. Como afirmou Rafael Sampaio, vp executivo da associação, "o ideal é algo na linha do padrão de cidades como Salvador e como deverá ficar o Rio de Janeiro, onde a prefeitura entendeu-se com o setor publicitário e todas as modalidades serão mantidas, dentro dos princípios da adequação ao entorno urbano, da rarefação de artefatos e da cooperação entre a publicidade e os entes públicos".
Quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor em janeiro de 2007, a cidade de São Paulo tinha cerca de 8 mil outdoors cadastrados e mais de 7 mil irregulares, além de propaganda em relógios e pontos de ônibus e um vasto número de outras modalidades. Considerados fora das regras impostas pela prefeitura, somente as placas de mobiliário urbano saíram ilesas das medidas e não foram retiradas.
No caso dos pontos de ônibus, como a concessão anterior terminou e não houve renovação, a cidade ficou sem essa alternativa por um bom tempo e só agora volta a perspectiva de retorno dessa mídia.
A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), que vai gerenciar o projeto, fez simulações em computador para ver como ficarão os locais de maior incidência da propaganda. Com relação aos custos, estima-se que as empresas responsáveis terão gastos acima de R$ 500 milhões somente com a instalação, fora os valores necessários para manutenção e operação. Para isso, a ideia é instalar câmeras de segurança nesses abrigos e relógios, evitando a depredação dos espaços, cuja incidência chega a 15% ano nos pontos de ônibus.
Dois anos depoisQuando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor em janeiro de 2007, a cidade tinha cerca de 8 mil outdoors cadastrados e mais de 7 mil irregulares, além de propaganda em relógios e pontos de ônibus. Considerados fora das regras impostas pela prefeitura, somente as placas do mobiliário urbano saíram ilesas das medidas e não foram retiradas.