Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comHonestamente, o conceito da sua marca, do seu produto, da sua empresa, ou serviço já fez algum tratamento de beleza? Não! Aproveite! O verão chegou e com ele os conceitos de inverno ficaram para trás. Lembre-se, o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus, hein? Por isso quando falamos na beleza dos conceitos ou nos conceitos de beleza gostaríamos de retomar - atendendo a inúmeros pedidos - os dezesseis desejos básicos que motivam nossas ações e definem nossa comunicação pelo mundo.
Olha que coisa mais linda, mais cheia de plástica
Ora pois, então vamos retomar o nosso conceito de beleza exatamente no elemento água. Romance, desejo básico de amar, ligado à fecundação, e da procura pela beleza. Na mitologia yorubá está representado por Yemanjá. É mitológico e de lei: o direito à beleza.
Acontece que depois que se inventou o pré-datado, o trinta dias fora o mês e demais saídas financeiras, a plástica em doze vezes no cartão abriu as portas para a beleza que antes era só direito das atrizes de cinema. Retocar orelhas, seios, cintura, maxilares, esticar, puxar barriga, culote, bumbum firme e forte, lipo daqui, lifting dali. Eliminar gordura localizada, celulite, flacidez, estrias.
E dá-lhe creme.
E os conceitos para sustentar e manter tudo isso de pé como é que ficam?
Alguns prometem: o anti-sinais que não pára no tempo; o esfoliante da nova geração; pele saudável desde o início; para as mulheres bonitas de verdade; emagreça substituindo refeições (ops!).
É o retrato de Dorian Gray ou o belo poema de Fernando, o Pessoa, em ação:
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os caminhos que nos levam aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos
Somente a coragem lúcida pode trazer o novo”
Com licença de Fernando vamos parafrasear essa travessia em forma de conceito. Há um tempo que é preciso abandonar os conceitos usados, que já têm a forma da nossa marca, e esquecer as idéias que nos levam aos mesmos mercados. É o tempo da travessia. E se o produto, o serviço, a marca não ousarem fazê-la, terão ficado para sempre à margem deles mesmos, pois somente a coragem lúcida poderá fazer nascer o novo conceito.
No ar o conceito de beleza
A transformação do conceito de beleza visto pelos desejos básicos representados pelo elemento ar deve passar por transformações. Logo, vemos que todos esses conceitos vistos e lidos na comunicação tentam passar o desejo por autoconfiança, de segurança, de fé. Independência. Na mitologia yorubá essa independência - expansão - está representada pelo orixá Iansã. Conceitos que contemplam essa mulher, com toda a segurança, farão a marca também ganhar autoconfiança, segurança. Técnica do espelhamento.
O desejo básico da tranqüilidade, a busca da quietude, da calma emocional é decorrência do conceito anterior. Ganhou autoconfiança, ela está mais mulher, mais tranqüila com ela mesma. Ela está representada pelo orixá Tempo na mitologia dos orixás. O fato de se sentir independente, tranqüila traz uma sabedoria que é a de desejar viver com o estritamente necessário, o que toca o décimo quinto desejo básico de economia, no sentido de ser inteligente o suficiente para perceber que na mitologia o conceito está trabalhando com o orixá Ifá. A sabedoria do viver com o estritamente necessário.
Por fim, o desejo básico por organização, de seguir a regra, o preceito, o costume, a paz, está relacionado com Oxalá. Observe como tudo se encaixa quando a beleza traz a felicidade. Quando o conceito contempla a felicidade, mas coloque-se no papel do produto, serviço ou marca e pergunte sempre: será que esse conceito ainda me ama?
Conceitos podem virar piruá
Vamos usar a metáfora do milho de pipoca para os conceitos.
A transformação do milho duro em pipoca macia é o símbolo da grande transformação por que devem passar os conceitos para que venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca é o conceito: duro, quebra-dente, impróprio para comer.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre!
Assim acontece com o conceito. As grandes transformações acontecem quando ele passa pelo fogo. Conceito que não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São conceitos de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só eles não percebem isso. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo! O fogo é quando a vida lança o conceito numa situação que nunca imaginamos. Pode ser o fogo de fora: a concorrência ganhou espaço e fez o conceito perder seu amor próprio, ficar desatualizado, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: medo, ansiedade, timidez. O conceito fica deprimido. Oh! Coitado!
Há sempre o recurso do remédio. Terapia de choque. Apagar o fogo! Sem fogo, o sofrimento diminui. E assim, diminui também a possibilidade da grande transformação!
Imagino que o conceito, fechado dentro da panela, ali ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer! Dentro de sua casca dura, fechado em si mesmo, ele não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. O conceito não imagina aquilo de que ele é capaz!
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: catapimba! E ele aparece como uma coisa completamente diferente, que ele nunca havia sonhado!
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aqueles conceitos que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Eles acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito deles serem. A sua presunção e o seu medo são a dura casca que não estoura. O destino desses conceitos é triste. Ficarão duros a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro da pipoca, no fundo da panela, ficam os piruás, os conceitos que não servem para nada!
Seu destino é o lixo!
aryavera@uol.com.brCláudio Corrêa de Almeida é redator freelance, palestrante e professor de criação e estratégias de comunicação; seu site é o www.aryavera.com.br