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Entrevista Marketing

19/06/2006 20:02

Entender o consumidor não é mais suficiente

Rafael Sampaio

A entidade congrega 55 associações de anunciantes de cinco continentes, que reúnem empresas responsáveis por mais de 700 bilhões de dólares de investimentos em comunicação de marketing anualmente. Adicionalmente, a entidade tem como associado direto um grupo de 40 anunciantes globais, que formam o IWG — grupo de trabalho transnacional organizado para defender interesses comuns e compartilhar suas melhores práticas na gestão das principais verbas mundiais. Glock está ligado à WFA há quase dez anos, tendo participado ativamente do IWG e presidido o Comitê de Mídia da entidade antes de se tornar seu vice-presidente, na gestão passada. Atualmente, ele responde pelas compras de mídia do maior anunciante do mundo e definiu cinco objetivos para seu mandato de dois anos: aumentar a consciência e ação de responsabilidade social como fator essencial para obter sucesso sólido e contínuo no mercado; diminuir a distância entre as áreas de marketing e relações corporativas das empresas; desenvolver todas as formas de procurement (sistema de aquisições) para marketing e comunicação; estabelecer processos de pesquisa capazes de compreender e mensurar o conjunto dos hábitos de mídia dos consumidores; e levar a ação da WFA para além dos limites da propaganda clássica.

Nesta entrevista, Glock detalha sua plataforma e enfatiza que todas essas mudanças têm origem na transformação da sociedade e dos consumidores, razão pela qual o marketing não pode mais se limitar apenas a entender os consumidores da empresa.

ABOUT – Quais são os maiores problemas que precisam ser enfrentados atualmente pelas empresas anunciantes e a atividade de comunicação?
BERNHARD GLOCK –
Não são poucos os desafios que se apresentam aos clientes no presente. Definitivamente não vivemos mais a era do “business as usual”, agora tudo é muito diversificado. Temos de aceitar que as coisas estão se transformando e as sensibilidades atuais são bem diferentes daquelas do passado. Isto provoca um impacto direto e profundo sobre como o marketing — a mais visível atividade das corporações — é percebido. Se os anunciantes não se adaptarem com sabedoria e velocidade a este ambiente em mutação, eles serão irrelevantes para seus consumidores ou, ainda pior, serão vistos como seus antagonistas. Os clientes enfrentam também a necessidade urgente de repensar as maneiras pelas quais eles se comunicam com seus consumidores. Simplesmente aumentar o número de GRPs das campanhas, na esperança de que suas mensagens falarão mais “alto” que o barulho que as envolvem, não será uma opção viável por muito tempo. Tanto para o consumidor, que cada vez mais está em posição de evitar o contato com a comunicação de marketing com a ajuda da tecnologia, como para os presidentes e diretores financeiros que estão perguntando, de forma crescente, o que os dólares aplicados em marketing estão fazendo pelos seus negócios. A sociedade está se transformando e o consumidor também, com as novas tecnologias alterando de forma dramática o modo pelo qual as pessoas consomem a mídia. E os clientes têm de estar conscientes, com muita precisão, do que essas mudanças significam — de maneira a continuarem relevantes para a vida de seus consumidores.

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"As oportunidades não-tradicionais desafiam de forma crescente os anunciantes a reverem a articulação de suas estratégias de comunicação de marketing" - Bernhard Glock, gerente global de comunicação e mídia da Procter & Gamble e presidente da Federação Mundial de Anunciantes (WFA).

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