Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comA entidade congrega 55 associações de anunciantes de cinco continentes, que reúnem empresas responsáveis por mais de 700 bilhões de dólares de investimentos em comunicação de marketing anualmente. Adicionalmente, a entidade tem como associado direto um grupo de 40 anunciantes globais, que formam o IWG — grupo de trabalho transnacional organizado para defender interesses comuns e compartilhar suas melhores práticas na gestão das principais verbas mundiais. Glock está ligado à WFA há quase dez anos, tendo participado ativamente do IWG e presidido o Comitê de Mídia da entidade antes de se tornar seu vice-presidente, na gestão passada. Atualmente, ele responde pelas compras de mídia do maior anunciante do mundo e definiu cinco objetivos para seu mandato de dois anos: aumentar a consciência e ação de responsabilidade social como fator essencial para obter sucesso sólido e contínuo no mercado; diminuir a distância entre as áreas de marketing e relações corporativas das empresas; desenvolver todas as formas de procurement (sistema de aquisições) para marketing e comunicação; estabelecer processos de pesquisa capazes de compreender e mensurar o conjunto dos hábitos de mídia dos consumidores; e levar a ação da WFA para além dos limites da propaganda clássica.
Nesta entrevista, Glock detalha sua plataforma e enfatiza que todas essas mudanças têm origem na transformação da sociedade e dos consumidores, razão pela qual o marketing não pode mais se limitar apenas a entender os consumidores da empresa.
ABOUT – Quais são os maiores problemas que precisam ser enfrentados atualmente pelas empresas anunciantes e a atividade de comunicação?
BERNHARD GLOCK – Não são poucos os desafios que se apresentam aos clientes no presente. Definitivamente não vivemos mais a era do “business as usual”, agora tudo é muito diversificado. Temos de aceitar que as coisas estão se transformando e as sensibilidades atuais são bem diferentes daquelas do passado. Isto provoca um impacto direto e profundo sobre como o marketing — a mais visível atividade das corporações — é percebido. Se os anunciantes não se adaptarem com sabedoria e velocidade a este ambiente em mutação, eles serão irrelevantes para seus consumidores ou, ainda pior, serão vistos como seus antagonistas. Os clientes enfrentam também a necessidade urgente de repensar as maneiras pelas quais eles se comunicam com seus consumidores. Simplesmente aumentar o número de GRPs das campanhas, na esperança de que suas mensagens falarão mais “alto” que o barulho que as envolvem, não será uma opção viável por muito tempo. Tanto para o consumidor, que cada vez mais está em posição de evitar o contato com a comunicação de marketing com a ajuda da tecnologia, como para os presidentes e diretores financeiros que estão perguntando, de forma crescente, o que os dólares aplicados em marketing estão fazendo pelos seus negócios. A sociedade está se transformando e o consumidor também, com as novas tecnologias alterando de forma dramática o modo pelo qual as pessoas consomem a mídia. E os clientes têm de estar conscientes, com muita precisão, do que essas mudanças significam — de maneira a continuarem relevantes para a vida de seus consumidores.