Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comCall center
Algum tempo atrás decidi cancelar o meu cartão de crédito. Que eu carreguei no bolso por mais de 15 anos e do qual paguei as faturas sem nunca usar o crédito. Motivo: eles tinham me deixado na mão, no meio do nada, nos Estados Unidos. Lá, do meio do nada, liguei para o atendimento internacional, que não podia fazer nada. Que me mandou para o atendimento nacional, que não sabia fazer nada. Que me disse que só o meu banco, aqui no Brasil, poderia resolver o assunto. E eu, nada.
De volta ao Brasil, liguei para o call center, disse que queria cancelar o meu cartão. A moça perguntou por quê. Eu disse. Ela falou o.k.. E cancelou.
Nem me veio com um veja bem. Simplesmente cancelou. E eu concluí que eles não precisavam de mim mesmo.
Tenho certeza de que a minha história não é original.
SAC
Qual foi a última vez que você conseguiu resolver um problema com um serviço de atendimento ao consumidor?
Puxe pela memória.
Tenho certeza de que os serviços existem para proteger as empresas, e não para atender os clientes.
Em casa, adoramos cinema. Um TV de 39 polegadas é o nosso parque de diversões. Um dia ele pifou. Minha mulher ligou para a assistência técnica. A gentil atendente explicou para ela que não, eles não atendiam em domicílio. Mas que não tinha problema, bastava minha mulher levar-lhes o TV, que eles fariam um diagnóstico e o aparelho seria prontamente reparado.
Minha mulher argumentou — moça, o TV pesa mais de 110 quilos. Silêncio. O argumento estava fora do script.
E se fosse uma geladeira? Uma máquina de lavar? A gente poria no carro e levaria até aí?
Há coisas que simplesmente não funcionam, todo mundo sabe. Mas, por alguma razão misteriosa, ninguém admite.
Elas ficam na moda, ganham status de modernidade, quem não adota é considerado antiquado, e a gente é obrigada a conviver com elas.
Central de telefone
Central de telefone que liga você direto ao ramal da pessoa desejada, sem passar pela telefonista ou pela secretária. Parece uma excelente idéia, não é? Você sabe que não. Porque quando a pessoa desejada não está, você só consegue falar com máquinas. E máquinas são burras. E não estão programadas para deixar você conversar com um ser humano. Porque parece que isso gera despesas. Então você pode passar dias sem conseguir falar com a pessoa desejada ou um ser humano.
Não dá vontade de deixar gravado um recado? Fulano, estou tentando falar com você há três dias e não consigo, só queria avisar que sua mãe morreu.
Todo dia na agência a gente faz um exercício de repetir um mantra: sistemas não resolvem nada, gente quer falar com gente. Parece que esquecemos disso ultimamente.
CRM
Todos em casa são clientes regulares da Amazon.com. Que, como muita gente sabe, tem um CRM maravilhoso. Regularmente, recebemos, cada um de nós, informações pertinentes, interessantes, úteis, sobre livros e discos das nossas áreas de interesse. Sinto-me valorizado e valorizo a Amazon.
Pois é, e não é que ainda recebo cartas com aquele texto, geralmente em mau português: “rezado Paulo, parabéns, você, como uma pessoa especial que é, foi selecionado para fazer parte de um seleto grupo diferenciado, que tem a exclusividade desta nossa oferta única. Venha conosco fazer uma divertida e emocionante viagem ara a deslumbrante Tanganica, com direito a acompanhante, com exclusivos 50% de desconto”.
Haja saco
Se você é persistente, disque 1; se você é muito persistente, disque 2; se você é completamente alucinado, disque 3; se você é um completo idiota, disque 4; se você é uma pessoa normal, pode começar a xingar.
pghirotti@ghirotticiaPaulo Ghirotti é presidente e diretor de criação da Ghirotti & Cia