Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comNem só de aviões leves, fabricados pela Embraer, vive a diplomacia comercial brasileira. Na época das duas crises do petróleo, os alimentos (frango, carne bovina, café, açúcar e soja, entre outros) ajudaram a diminuir os sucessivos déficits na balança comercial brasileira com os fornecedores estrangeiros do petróleo bruto. Mais recentemente, os laminados de aço e o suco de laranja, além dos têxteis, concentraram as queixas de nossos concorrentes enciumados pela crescente competitividade dos produtos made in Brazil.
Desde 1998, quando assumiu a presidência da Anfavea, a entidade que reúne as montadoras da indústria automobilística nacional José Carlos Pinheiro Neto tem sido um dos mais laboriosos artífices da diplomacia comercial brasileira. Com a sua inestimável ajuda, o Brasil realizou, ao longo dos últimos três anos, alguns acordos bilaterais que permitiram ao país recuperar aos poucos os mercados perdidos, em conseqüência das crises asiática, em 1997, e russa, no ano seguinte.
Em 1998, a indústria automobilística brasileira alcançou a expressiva marca dos US$5 bilhões em exportações, dando cumprimento a encomendas fechadas antes das duas crises internacionais. A expectativa era de que elas despencassem nos anos subseqüentes. Graças, no entanto, a uma série de acordos bilaterais, para a redução de alíquotas de importação nos dois sentidos, essa tendência de queda começou a ser revertida, já no ano passado.
O presidente da Anfavea articulou e a diplomacia brasileira fechou acordos com vários países emergentes, dentre os quais destacam-se o México, a Venezuela e o Chile, na América Latina; a África do Sul e até mesmo a China. Obviamente, tais acordos bilaterais também abriram espaço para outros manufaturados e produtos primários constantes da nossa pauta de exportações. Os resultados, ainda de pouco peso na balança comercial em 1999 e 2000, tendem a melhorar gradativamente já a partir deste ano.
Os modelos mundiais de veículos, produzidos no Brasil, trouxeram para cá, ao longo do ano 2000, US$ 3,6 bilhões. Mais US$ 4,3/ 4,5 bilhões deverão ingressar no país, em razão das exportações, até o final deste ano. A partir de 2002, é possível, de acordo com as expectativas da Anfavea, que as exportações brasileiras de automóveis alcancem ou até mesmo superem a marca dos US$5 bilhões, registrada em 1998.
O otimismo do setor baseia-se na certeza de que após a exportação dos modelos mundiais, produzidos no Brasil, acontecem as vendas das autopeças e dos serviços de engenharia, os quais, somados, deverão gerar uma receita, ao longo deste ano, estimada em US$ 250/300 milhões.
A expansão do setor automotivo brasileiro e a introdução de novas tecnologias foi iniciada em 1996 e deverá concluir-se até o final deste ano. Nesse período, deverão ter sido investidos nada menos que US$ 20 bilhões. Tais recursos permitirão ampliar a atual capacidade instalada do setor até o final de 2001 para cerca de três milhões de unidades anuais, da quais, grosso modo, dois milhões de automóveis deverão ser absorvidos pelo mercado interno e um milhão destinados para o Exterior.
Outro aspecto, já reconhecido por José Carlos Pinheiro Neto, recentemente eleito como Personalidade de Vendas do ano 2000, título concedido pela ADVB, é o de hábil negociador e interlocutor freqüente do governo em questões tributárias. Em 1998, convenceu a Receita Federal e os governos dos estados, que abrigam montadoras, a reduzir o IPI e o ICMS, respectivamente, incidentes sobre os modelos populares, o que ajudou a recuperar as vendas internas.
Atualmente, dedica-se a fechar novo acordo com a Receita Federal para unificar as alíquotas do IPI, o que vem sendo chamado por alguns especialistas de uma pequena reforma tributária setorial.
Sua inconteste liderança, com certeza, o credencia para vôos e tarefas mais complexos.
O país só tem a ganhar com lideranças desse porte.
presidencia@advbfbm.org.brMiguel Ignatios é presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB)