Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.com

ABP

21/07/2003 16:43

Propaganda, consciência e paz social

Armando Strozenberg

Vivemos momentos especiais em nosso país neste reencontro com as perspectivas que pareciam ameaçadas, ou, para os mais pessimistas, definitivamente perdidas. O que havia despertado a autoconfiança - a criação de uma moeda forte, especialmente - esvaía-se a cada dia com a ciranda das profecias do caos, que parecia ser o nosso destino. Com a economia deteriorando-se, era quase inevitável o reingresso no passado, no tempo em que a inflação determinava a nossa história pessoal e impunha-se como mecanismo de destruição da nacionalidade.

Há alguns meses - menos de um ano -, pouco ou nada restava de esperança até mesmo entre nós da propaganda, cuja ideologia tem base na crença do ser possível mudar as coisas, convencendo os homens, tornando-os cidadãos porque consumidores responsáveis de bens, serviços - e valores.

Faltava-nos até, naquilo que se anunciava como a véspera do trágico, o ânimo de responder com criatividade, mostrando saídas e buscando respostas para um enigma que parecia devorador.

Não estamos em fase de prosperidade. Apenas afastamos os agouros. Há crise, e precisamos entendê-la, porque atinge o que temos de mais importante em termos de cultura. A começar por aquela que, generalizadamente, pesa sobre os veículos de comunicação, cujas modernas estruturas e ousadas iniciativas de criatividade não conseguiram impedir a fragilização determinada por uma economia dependente de agentes muitas vezes anônimos e voláteis demais.

Já se disse, e digo-o com a dor de quem vê a cada instante um novo gesto de violência neste Estado, que a insanidade aqui no Rio deve ser sinônimo de luto no Brasil. Ou, parodiando um anúncio criado pela minha agência nos anos 80, não hesitaria em afirmar hoje que quando o Rio sofre, o Brasil deveria gritar. Não dá para separar o Rio de São Paulo. Nem São Paulo do Brasil. Nem o Brasil do Brasil.

Seria só uma questão de crescimento com melhor distribuição de riquezas? Nossa economia cresce pouco, muito pouco, diante do acumulado de misérias, especialmente no que se perdeu em vagas no mercado de trabalho, o primeiro alimentador dos desencontros sociais que deságuam na violência. Lembro, porém, que em 2002 o PIB do Rio cresceu 5,1%, bem mais que os 1,5% da economia nacional. E até 2005, a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) prevê quase 33 bilhões de dólares em investimentos novos no nosso Estado.

Como se percebe, não dá para ser simplista nesta matéria. A violência de agora, esta violência despropositada em ousadia, tem outros alimentadores, como o endeusamento dos mitos - e muitos, infelizmente, nós, da área de comunicação, ajudamos a construir. Disse Rubens César Fernandes, lúcido estudioso do nosso drama, que a violência, praticada por gente que vive em média até os vinte e poucos anos, é mais que um business. É um exercício de poder que violenta a liberdade do homem, especialmente do mais simples, nesta divisão de território urbano pelo grito e pelas armas que alimentam um negócio internacional macabro.

Há projetos, bons e discutíveis, ousados e tímidos. Projetos com paternidade e de geração espontânea, fruto da necessidade do momento. Gosto especialmente de saber que o presidente da República, fiador da esperança desta maioria formidável que lhe delegou o mandato, não se importa com a autoria de projetos, deseja as reformas, porque sem elas - discutidas à exaustão - as portas do futuro estarão fechadas.

Nós da publicidade temos um compromisso duplo com o que está sendo proposto ao País. Somos a ponta que pode ajudar a convencer, levando a mensagem ética e correta, para que, com independência e patriotismo - sim, patriotismo, palavra que precisa ser resgatada dos dicionários -, cada um possa, sobrepondo-se ao interesse pessoal e egoístico, manifestar-se sobre o que está sendo proposto.

Queremos ser livres, mesmo que a liberdade custe conviver com o mau humor, a teimosia e as peraltices do radicalismo.

tamanho da letra

a a a
Download Marketing Prêmios Marketing

BuscaRápida

Esqueci! Cadastre-se
© 2002- Revista About e Portal da Propaganda
Redação, Administração, Publicidade, Circulação e Prêmios - R. Cardoso de Almeida 788, 11º andar, cj. 112/113 - Perdizes - CEP 05013-001
São Paulo - SP - Tel. (11) 3675-9065