Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comTem sucesso capaz de, surpreendemente, nunca perder o vigor, por mais mudanças ocorridas e implantadas em novos cenários, por mais faceiras e inteligentes que se tornem as novas tecnologias. Um exemplo digno de uma nota 10 no quesito? A marca BIC (www.bic.com.br). Sua história indelével e tão atraente aos olhos do mundo teve início em 1945, quando Marcel Bich e Edouard Buffard se tornaram sócios na fabricação de peças de caneta a tinteiro e lapiseira em Clichy, na França. A empresa dos dois companheiros se chamava Marcel Bich & Edouard Buffard. A segunda guerra mundial terminava, quando a sociedade deste dois homens tinha início. Cinco anos depois, em 1950, surgia a criação epifânica do Húngaro Ladislao Biro: uma esferográfica. Transformada em esferográfica, pra valer, somente após pesquisas e desenvolvimentos que impulsionaram a fabricação da BIC Cristal, batizada com uma versão abreviada do nome de Bich, que a patentou com Buffar, após ter comprado a invenção de Biro. Não resisto a um comentário paralelo: tanto a gente olha, olha, olha e não vê, até que um dia... Tinha certeza de que Bic era o nome completo do “inventor”, desconhecendo a existência do húngaro Biro, motivo pelo qual sempre grafei a marca com minúsculas, contudo, numa bela madrugada de 17 de março, a verdade vem à tona para uma jornalista desatenta como eu, que deveria ser bem mais cuidadosa, óbvio.
Da França, a deliciosíssima BIC Cristal rumou para a Itália (1954) e, apenas dois anos mais tarde, para o Brasil (1956)! África do Sul, Oceânia e Reino Unido tiveram o privilégio de conhecer o design da caneta mais famosa do mundo em 1957. Dominada a língua inglesa, lá foi ela, em 1958, para os Estados Unidos e boom, daí por diante, mais territórios foram sendo conquistados, sempre com muito êxito, de modo que sua escrita se espalhasse pelo mundo.
Quem olha de longe, rapidinho, sem prestar atenção, não por descaso, mas simplesmente por desconexão com o mercado de atuação da BIC, ainda continua não vendo o essencial: na hora certa, em 1969, foi criada a BIC Graphic, com sua linha de materiais impressos e também atendendo ao setor. O isqueiro? Veio ao mundo em 1973. Atrás dele, barbeador, lápis para desenho, corretivo Wite-Out, linha Sheaffer, Tipp-Ex, Stypen, Pimaco, Atchison (por aquisição), BIC Phone francês etc.
Nascido em 1914 – o cara curtia uma guera, né? –, nosso genial Bich falaceu em 1994, há 16 anos. Buffard era de 1908 e se foi deste Planeta dois anos depois, em 1996. Tiveram, portanto, a oportunidade de acompanhar uma trajetória empresarial cinquentenária, turbinada pela entrada de BIC na Bolsa de Paris em 15 de novembro de 1972. O grande acontecimento gerou a necessária oportunidade de Marcel Bich escrever uma carta, dirigida aos acionistas (reproduzida no fim desta matéria), que, confesso, além de me fazer gravitar em torno das palavras... lágrimas, mais uma vez de surpresa, pois, embora me pareça cada vez mais difícil o diálogo – falado ou escrito – entre os seres humanos, descubro que há um reconforto esplendoroso ao deixar que minha alma de jornalista seja tocada pela alma desse empresário. Uma carta... no papel, na web, não é isso que importa. A carta, porém, tem uma importância, uma relevância fenomenal.
Neste fim do primeiro trimestre de 2010, renovando uma tradição, a divisão BIC Graphic anuncia o lançamento de novas soluções promocionais, enfatizando que 19% de toda a procura que vem das empresas nesse segmento se voltam para as canetas, conforme atestado por dados da Approm (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Promocionais). Repito, queridas Caroline, Laís, Larissa e Renata, pensei que o nome completo fosse Bic, e não Bich, registrando aqui, por isso, minhas desculpas públicas (não creio que o número de leitores que alcance este parágrafo em razão do tamanho do texto faça jus ao adjetivo, porém....).
O índice de pesquisa detectado justifica o lançamento de novas esferográficas, como a Mini Clic Stic, que mene apenas 11,5 cm de altura. Junto com ela, estão chegando ao novo catálogo Clic Stic Revo Grip, Media CLic, lápis BIC Evolution e Evolution Shapes em novas cores, canetas Round em cores alusivas ao Brasil em ano de Copa do Mundo, as novas cores de Clear Clic (rosa, roxo, vermelho, verde e laranja) e dois novos modelos da linha BIC Select de canetas metálicas.
As assessoras de imprensa nos contam ainda: “Os produtos da BIC Graphic passam por vários testes antes de serem entregues. A impressão não desbota, nem risca. Além disso, o nome BIC é reconhecido mundialmente, o que assegura ao nome BIC Graphic associação a produtos de qualidade e serviços que seguem os padrões da indústria do mundo inteiro”.
A sede da BIC continua sendo na França, estando a marca presente em 160 países.
Agora, a carta do presidente, lida na Assembléia Anual de 4 de junho de 1973.
Messieurs les Actionnaires,
A l'occasion de la première Assemblée de notre Société, après son introduction à la Bourse de Paris le 15 Novembre 1972, je désirerais vous dire comment je conçois sa conduite.
Cette conduite s'est forgée pendant les vingt dernières années où après avoir fondé la Société, je l'ai dirigée. Elle n'est pas le fruit d'une formation reçue dans une business-school américaine ou française, elle est la résultante de la dure école des affaires où je suis entré à 18 ans par la plus petite porte. Personne ne me contestera le titre de "money-maker", puisque notre Société débutait en 1953 avec 10.000 nouveaux francs et a un capital nominal en 1973 de 150.000.000 de nouveaux francs par auto-financement. Cette progression représente à quelque chose près le doublement du capital chaque année pendant vingt ans.
Ce développement est basé sur le risque; le gain est proportionnel au risque; plus vous risquez, plus vous avez de chance de gagner… ou de perdre. Solution pratique: couvrir le risque en totalité dès le départ, cela fait vous ne pouvez plus que gagner. Ceci vous explique pourquoi dans nos bilans vous ne trouverez pas d'emprunt à long et moyen terme, chose rare à notre époque où avec la dévaluation des monnaies la tentation est grande d'emprunter.
La deuxième base de notre affaire est de faire confiance à la responsabilité individuelle. Nous sommes férocement anti-technocratiques. On ne tient pas de prix de boeuf en contrôlant lês bouchers, on tient le prix du boeuf en produisant du boeuf. La technocratie est le mal de notre époque; partie du plus haut (E.N.A.), elle gagne tous les échelons; elle séduit particulièrement les français – cartésiens de nature – elle aboutit à une pléthore de gestionnaires, d'organisateurs, mais quand il s'agit de faire le "boulot" il n'y a plus personne. Cette technocratie entraîne un coût de production élevé et ce qui est bien plus grave, elle rend les gens moroses parce qu'ils s'ennuient dans leur travail sans initiative. Par la confiance donnée à l'ouvrier, à l'employé, au cadre, tout se trouve simplifié. Contrairement à ce qui se dit les chances de réussites de l'entreprise libre et indépendante sont plus grandes aujourd'hui qu'hier. Pour vous en convaincre, il suffit de voir les difficultés de plus en plus grandes dans lesquelles se débattent les grandes entreprises étatiques.
Par ailleurs, les affaires ne peuvent résister aujourd'hui qu'à l'échelle mondiale. Cette échelle demande une entreprise puissante financièrement, industriellement et commercialement.
Cette puissance nécessaire et cette individualité nécessaire aussi sont diamétralement opposées. Il y a là un problème difficile à résoudre. La Société BIC en recherche la solution dans son action de tous les jours: "c'est la fonction qui crée l'organe".
Je vous prie d'agréer, Messieurs les Actionnaires, l'expression de ma considération distinguée.
Marcel BICH
Président Directeur Général
TOUS LE JOURS SONT NOUVELLES JOURSCette puissance nécessaire et cette individualité nécessaire aussi sont diamétralement opposées. Il y a là un problème difficile à résoudre. La Société BIC en recherche la solution dans son action de tous les jours: "c'est la fonction qui crée l'organe".