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Gravitação

06/03/2013 20:24

ANI MAAMIM, DENTRO E FORA, SENHORES E SENHORAS!

Gisele Centenaro

– Senhoras e senhores, acabou a fantasia…

– Mas o baile nem começou…

– Nem vai começar. Para brincar de horror, não precisamos mais pintar os lábios, sombrear os olhos, rougear as faces. Agora, é a vida do lá fora. Aqui dentro, o inferno desmoronou.

– Senhor, se o inferno desmoronou aqui dentro, como alcançar a janela para enxergar a vida lá fora? Como atravessar a porta?

– Ah! Eis a questão feita pelo ângulo errado, em bom galante. Desmoronou aqui dentro, onde teremos a chance de reconstruir um novo cenário. Quem sabe o de um convento… Lá fora, ah! lá fora, é o inferno que ainda vigora. Queres chegar perto da janela para escutar com mais poesia o vento? Queres chegar perto da porta para imaginar que recomposta a maquiagem ainda haveria tempo para atravessar o nevoeiro? Queres sonhar que um dia a largura destes corações seria suficiente para permitir que a alma chorasse suas mágoas até o Céu voltar a escutar?

– Senhor, tenho medo. Escutas as almas pelo lamento, eu o sei. As das mulheres, Senhor… Falam ainda em flores, em rosas, da primeira à última vitória. Senhor, lembre de Joana, tua eterna companheira. Valida, Senhor, a fantasia desta hora. Há quantos olhares a descortinar a monstruosidade! São paternidades, são maternidades, são também, entre tantas pérolas em lágrimas, orfandades. Ganhei as cordas, os tons que pedi para sentir… again. Senhor, tenho medo. Escutas as almas pela solidão, eu o sei.

– Senhores e senhoras, acabou a fantasia… E o baile nem começou. Travestidos de verdades e mentiras, estes seres não sabem mais o que pertence ao “de dentro”, o que pertence ao “de fora”. Como te digo, é o Inferno que vigora.
..
– Não, Senhor. Não. Tenho medo, mas é aquele medo sentido de quem não quer sentir dor. Não tenho o Medo de quem está derrotado pela luta, de quem não luta em razão do Medo. Não, Senhor. Não sei se sou “de dentro”. Não sei se sou “de fora”. Não sei se Sou. Mas estou. Cá estou. E, digo, Senhor, meu coração não desmoronou. Não é o Inferno o abrigo dos meus companheiros. Não é por aquela janela que quero tentar entender o nevoeiro. Não, Senhor. Não tenho Medo. Tenho segredos. Eu os tenho ainda. E eles aumentam a cada partida. São quase todas sem despedidas, Senhor. Mas ganhei as cordas. Não preciso pintar os lábio, sombrear os olhos, rougear minhas faces, já vermelhas de vergonhas e tristezas. Senhor, escutas as almas pelo lamento. Há um mundo inteiro de dor, Senhor, mas ele ainda não desmoronou.

– Hahahaha…… Tuas contas são atrasos de pedidos que nem o Antigo, nem o Velho, nem o Novo Mundo se engajam para liquidar. Pergunto, novamente, Flor da Terra, antes da fantasia se desintegrar: onde estão os probos que legitimam tua missão?

– Senhor, estão nas minhas mãos…

– Vais cruzar, então, as mãos em oração? Vais dedilhar com teus dedos os versos da Minha Construção? Vais enxergar ou não, sem a escuridão a enganar o teu olhar, os rostos dos “de fora”, dos “de dentro”, dos vivos e dos mortos em solidão? Vais mesmo ter coragem, e não medo, de continuar a ouvir a Minha Voz? A voz que resume e traduz os lamentos das almas em desaparecimento? Tens certeza, Flor da Terra? Para brincar de horror, basta compreender que o dia nunca foi suficiente para destituir a noite, mesmo quando empalidecida pela vigília. Senhores e senhoras, ora, ora, acabou a fantasia… O ângulo certo da pergunta ilumina toda resposta. Senhores e senhoras, do Inferno não se tem volta a menos que, no caminho, uma Flor teça, pela medida do Homem, uma trilha de espinhos que, ao ferirem os pés, façam com que a Consciência seja, mais que a janela, mais que a porta, mais que todos os olhares do mundo à sua volta, o Resplandecer da Verdade em Archote. Say, Flower Land. Say one more time, Flower Land: Ani Maamim!

– Ani Maamim!

– And the fantasy?
– A torch. A grand torch. The greatest of all the torches.

– And?

– Ani Maamim! Forgiveness for it. Those who understand me, forgive me. I need to say. Ani Maamim!

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