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Gravitação

21/01/2012 01:39

COM QUEM SERÁ?

Gisele Centenaro

– Tente, repense, ao dente, um dedinho, um fio, um beijinho sem carinho, um golinho, sem ar, de vinho.
– Com quem será?
– Que tua alma vai casar?
– Que teus bens vão ficar...?
– Hahahahahahaha…
– About you…buuu! Que foi?
– Um boi tingido de touro querendo amarrar, nos chifres ausentes, uma galeria de descontentes…
– Tente outra vez…
– A cutícula…
– Tente outra vez…
– Um pelo de sobrancelha…
– Tente outra vez…
– Num sopro, te digo, um acordo pelo mundo.
– Acordado em pautas que lhe dão justas causas ou lhe atravessam pelo agir dos contornos nas gôndolas dos vencedores?
– Num sopro, te digo: todas as cores numa única incandescente, insolente, insustentável na razão do Ser.
– Virá e verá?
– Veio. É esteio. Tem Direitos no Espaço. Tem Autarquia justaposta à Filosofia. Não tem dó. Tem Leis. Não cabe aos desejos insanos, orgulhos tiranos, desafios pueris, inconsequentes gentis. Insolentes. Cabe a Reis. É consolidação da condição da Humanidade que amplia a visão sobre a própria localidade ao conectar os segredos da fundação de sua localização.
– É palavreado…
– Letras e verbos.
– Com quem será?
– Que minha alma vai casar?
– Que ela se deitará?!
– Um fiozinho dele… tente, repense, esse sangue ao dente, na tua mente, pra lamber num sugar de beijinho sem carinho, sem ar, como gole de vinho… Invente. Crente. Considere a própria sorte antes da morte dos ditos de teu coração. Já foi dito uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez: Sou Eu. E sou Eu quem escolhe a Direção. Queres apertos de mão?
– Uma galeria de descontentes…
– Condescendência. Há o que não se sente. Há o que não se pode e não se quer sentir. Há o que se compreende como sentido. Simplesmente por isso, atenção: sentido. Posto que lhe garante e que lhe abstrai no preciso degrau que passo a passo a Liberdade festeja. Adiante. Há o que não se fala. Há o que não se cala. Insolente. Para entender a alma há que se passar pelas barreiras da mente. Para penetrar na mente, num sopro, te digo, letras e seus verbos se desenlaçam pelo caminho criando ninhos e campos de ciladas. Venha. Escute. Penetre. Increase. Excite-se. Perca-se. Sem saída, sem porta para a alma. Com quem será que tua alma vai, enfim, falar? Com quem será que tua alma vai se conectar? Com quem será que tua alma vai rezar ou pecar? Para quem será que tua alma vai te entregar? Para quem entregará, tua alma, teus mais preciosos bens? Meu bem… com quem será?
– Que ela se deitará?
– Com quem ela sempre se deitou, Meu Amor?
– Com quem?
– Tente, repense, ao dente, um dedinho, um fio, um beijinho sem carinho, um golinho, sem ar, de vinho.
– Com quem?
– Invente. Crente. Considere a própria sorte antes da morte dos ditos de teu coração. Já foi dito uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez: Sou Eu. E sou Eu quem escolhe a Direção em meio às mais belas estradas desta gloriosa e irresistível Imperfeição.

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