Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comEscorreguei, escorreguei, escorreguei...
Que foi, Cachaça? Machucou muito? De porre, andando sem rumo, outra vez?
Pô, Mané! Vai ferrar com a Pinga, vai, tua preferida. Escorreguei mas tô ligada. Apaguei na bebedeira coisa alguma…
A Pinga, minha preferida? Nem podendo, Cachaça. Continuo gamadaço da tua transparência luminosa, minha branquinha. Vem cá, vem…
Sai fora, Mané, que hoje eu não tô pra uísque falsificado.
Ui, mau humor. Quem tem pinta de falsificado aqui, hein, gostosa? Tô cheio de sabor pra fazer arder teus lábios, amor, inté com rótulo de importado se tu fazes questão.
Te liga, Copo Raso, escorreguei, tô magoada, cheia de lamúria, com gotinhas de lágrimas na pendura, mas nem por isso tô sobrando pra tua mão, sacou? Fora de questão. Quer levar no teste, já te disse, puxa na cola da Pinga que ela te amola, amola, amola, mas vive te dando mole, sem sobrar nem pra Santo debaixo do teu manto.
Cachaça, deixa de ser ciumenta, mulher, e chega mais pra cá. Tu sabes muito bem que jogo de maiúscula no meu H. Se tu duvidas, basta afundar nas feridas de quem pintou o quadro, medido, segredo por segredo, no compasso e no esquadro. Aliás, que coisa feia tua mania de levar lero comigo nesta língua do abrigo que não protege nem de chuva, quanto mais da gataiada em fúria. Flor, estica este pezinho de anjo pra cá e deixa ele cair na minha mão que, num piscar de olhos, ele volta a pisar em plumas, sem que tu lembres do escorregão e acordes com teu coração recheado pela minha devoção.
Amor da minha vida assombrada, o quanto me alegra ser cobrada por ti em plena construção do trajeto da manada! Pirou, Mané? Atravessa tu mesmo as paredes que compusestes, tentando terminar o que tu mal começastes e abandonastes, pra ver se, entre uma pincelada mais lisa que outra, tu te entubas numa mona de muitas únicas com o mesmo perfume da Pinga, de jeito que tu não te percas nas próprias falácias.
Tu és cobra, mulher, e eu não tenho nem pincel pra registrar tuas deslizadas. Acorda dessa saudade, porque do teu lado, como eu te disse, não tem h minúsculo, e ainda posso completar o que te falta com a brutalidade dos meus músculos.
Sino…
Sem igreja…
Sem afresco…
Sem desprezo…
Mas se tenho medo do mundo, medo de viver, medo de me ter…
Te entregas pra mim, que sou dono deste e de todos os mundos, de todos os medos, de todos os viveres, de todos os elos que te prendem no meu – não em outro, absolutamente – asfalto.
Mel, sempre mel, acompanhado das picadas das abelhas…
Dentre elas, os beijos do Mané mais apaixonado sob o qual o Universo incriado se criou. Meus lábios nos teus seios, Cachaça…
Vai de Pinga, tô te avisando…
Prova de que tremes, tremes, escorregas, escorregas, mas, em vigília me amando, vai, aos poucos a mim se entregando…
Escorreguei, escorreguei… Céus!
Perdão, pois se não te segurei foi pra não te prender pra todo sempre, antes de esticares na minha direção, por vontade própria, em glosa da nossa glória, tua pequenina mão adocicada pela ternura dos bons momentos das histórias que somam nossas encarnações.
Mané…
Cachaça, é hora. Sorria, passo a passo, para o mundo lá fora.
Meu blog estático
www.gravitacao.blogger.com.br