Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comEra verão de … Olhei para o sol com terrível ardor de não querer olhar mais para ele naquele dia. Mas o sol não se punha. O dia não findava. A hora parecia eternamente não passar. Olhei de novo.
– Vamos ter de utilizar algo espetacularmente sugestivo para traduzir essa megaexistência em pleno avançar da era da megatransparência.
– Hahahahahahaha… Este idioma, este linguajar, não te basta?
– Posso misturar as dimentions today?
– Não é recomendável. Há os que sentem dores no peito ao tentar fazer a travessia por meio das letras.
– Por favor!
– Por que a súplica? Tenho te permitido até demais nos últimos tempos. Mas por que queres, hoje, promover a intersecção das dimentions com tuas letras? Estás onde estás nesta hora, hora tua, seja, portanto, tua esta hora. Por que queres desfalecer sentimentos do hoje nos de outrora?
– Não tens me pedido licença, ou melhor, portas abertas voluntariamente em meu livre arbítrio para trocar pedra de lugar pelas ruas onde piso. Não estou certa? Tens agido assim como se eu tivesse sido destituída dos meus direitos de privacidade primitivos. São primitivos, mas privativos, ora… Se tu podes deslizar por nomes, sobrenomes, codinomes, sem qualquer nome, sob total invisibilidade, promovendo esse tira e põe desatinado ao meu lado, pelo meio, integrado, posso eu ao menos pedir por alguns minutos de invasão sentimental?
– Saudade de nós? Eu lhe darei o sol…
– Se teu amor vier também, prefiro a sombra.
– Mentirosa.
– Preciso, quero ficar mais um pouquinho…
– O tempo do inferno, assim como o do Céu, é todo teu.
– Então?
– Portas… Mouse, abra a Sesamo ou, moça, J,F,M; A,M,J; J,A,S; O,N,D?
– Abril, Maio, Junho. A,M,J.
– Perfeito. Feito.
– Não quero. Vou trocar.
– Ok? Rápido.
– A,M,O. Abril, Maio, Outubro.
– Then?
– Tenho sede. E o sol não se põe. Se ele não retornar, criarei uma cidade inteira pousada em águas pra que ele nunca mais esqueça desta espera. O sol está rindo de mim…
– Jogue o lenço.
– Está suado.
– Jogue. Ao alto. Até minhas mãos.
– Leve. Menos que pluma. Tu fizestes dele fita para meu pulso cansado de trazer água até nós. Ri de ti. “Feito luz”, te disse eu. Não há suor que se seque com seda tão fina, tão transparente, tão pura, tão leve. “Que dirão as outras de mim, ao lado do poço, ao verem em meu pulso este mimo em lilás furtacor, jóia da delicadeza, do qual nada restará após sete idas às terras das nossas águas?”. Andei como tola, fui dada como tola, mas o vesti como rainha, todas as idas, todas as voltas, sete vezes sete mais sete vezes sete e mais sete vezes sete quantas vezes forem necessárias multiplicadas no sete o usarei. Não seca apenas meu e teu suor este magnífico lenço que tu me destes, mas todas as minhas lágrimas de saudade de ti a cada despedida. E todas as minhas lágrimas de felicidade por ti a cada beijo de chegada. Tens contigo meu sonho em tuas mãos materializado em seda?
– Com teu perfume, com teus fios de cabelos dourados, com tuas lágrimas, com teu suor, em todas as cores do arco-íris, em todos os Dós, e se não queres que sejam Rés, Fás, Sol, serão, pra ti, hoje, neste abrir, todos os teus Mis, todos os teus Sis. És Miss… antes e depois deste lenço flutuar. Mas em teu pulso, quando te amarro nele, és My Lady, para que eu seja Teu Lord. Ele existe, este lenço, porque nosso Amor não morre. Nunca. Morde teu pulso, como se fosse meus dentes. My Lady, colocado ao meu rosto, meu, teu, nosso lenço, é nosso fluxo de dores e gozos, nosso muro, nossa queda, nossa glória, nossa guerra, nossa tragédia. Voe, lenço, volte pra tua dimention, onde Ela te espera, com meu pulso firme a se deixar levar neste laço estonteante por um amar eclipsante. Voe, lenço, e te acomode na pele dela que é minha. Minha pele feita para tatuar a história das almas. Dentre as almas, nossas almas na estética arquitetônica do despertar das consciências livres.
– Lenço malígno. Vens sozinho. Atravessando destinos. É tão longo o percurso pra que chegues até mim, outra vez, trazendo-me os louvores desta paixão. Te vejo, porém, num piscar de olhos, em meu pulso, entregue, descontrolado, inebriado, desejando nada mais do que se sentir absolutamente contraído pelo aperto do teu enlace. Ficas assim comigo. Em pureza, em tua magistral transparência, jamais suficiente para te fazer ser ausente.
– Portas.
≠ MiSi ≠
– Portas.
– Miss Sis Sesamo.
– Portas.
– Defu?
– Cá estou, flor da tua dimention…
– Tem uma megatransparência de tristezas atoladas no meu peito. Tudo à toa. Sem razão, eu diria, aparente.
– Tem nada, não. Amanhã há de ser outro dia. Para todas as minhas, as tuas, as nossas fantasias. Que tal brincar comigo de odalisca no hall das nossas novas encarnações, assim que eu descobrir onde ficam?
– Quem sabe, Defu. Quem sabe. Se eu tiver lenço, documento… Nus, ambos, somente vestidos de todos os véus, para poder tirá-los, um a um, como crianças ao desembrulhar balas do colorido do papel.
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