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Gravitação

10/10/2008 19:53

Estudo aponta que o ensino de nossos professores é deficiente

Uma pesquisa inédita da Fundação Carlos Chagas, intitulada “Formação de professores para o Ensino Fundamental: instituições formadoras e seus currículos” e realizada a pedido da Fundação Victor Civita (FVC), mostra que a formação de docentes para a educação infantil e fundamental no Brasil é deficiente e inadequada à prática de ensino.

Abrangendo os anos 2001, 2004 e 2006, o estudo foi realizado em agosto deste ano e analisou a grade curricular e a ementa de 71 cursos de Pedagogia das cinco regiões do País, de um recorte de 1.562 cursos existentes. A conclusão é de que as Instituições de Ensino Superior (IES) não oferecem aos futuros professores os elementos necessários para se dar uma boa aula – esses profissionais saem da faculdade sem saber o quê e como ensinar.

De acordo com a pesquisa, os cursos procuram embasar o aluno teoricamente com conceitos de filosofia, sociologia, psicologia e outros campos, e, para essa finalidade dedicam 40% das disciplinas. Mas no momento de lhes dar uma visão prática do que é ensinar, as disciplinas que teriam esse fim – cerca de 30% da grade – também não conseguem aproximar os futuros professores da realidade do ensino na sala de aula.

A análise dos currículos indica que o conteúdo da educação básica (alfabetização, português, matemática, história, geografia, ciências, educação física) é pouco explorado nos cursos de Pedagogia. São apenas abordados superficialmente nas disciplinas de metodologia e práticas de ensino.

“Esses dados exigem uma atitude de renovação naquilo que entendemos por ensinar, porque o que vemos é um ciclo vicioso da não-aprendizagem, vindo desde os cursos superiores até as escolas de Ensino Fundamental”, avalia Claudia Costin, vice-presidente da Fundação Victor Civita, em nota enviada ao PortaldaPropaganda.com.

Ainda segundo o levantamento, as grades curriculares das IES são fragmentárias e não permitem a aproximação entre um curso e outro, dificultando a avaliação objetiva do que há em comum na proposta de ensino das instituições. Só nas grades curriculares dos 71 cursos selecionados, há 3.107 disciplinas.

O estudo da Fundação Carlos Chagas também analisou os concursos públicos para professores do Ensino Fundamental com o objetivo de encontrar uma relação entre o que aprendem os futuros professores e o que as redes públicas de ensino esperam deles. O resultado é similar. “Poucas questões contemplam os fundamentos da educação e são quase ausentes as que abordam a prática docente. Os itens das perguntas se atêm ao conteúdo teórico, de modo superficial, sem se articular com aspectos relevantes para a educação, escola e sala de aula”, analisa Costin.

Porém, neste caso, a pesquisa aponta uma mudança de perspectiva. Nos últimos anos, há uma tendência em incluir mais conteúdos de português e de matemática, “revelando a preocupação das redes de ensino em testar os futuros professores sobre aquilo que vão ensinar”.

Informações enviadas por assessoria de imprensa e postadas, sob adaptação, por Karan Novas.

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