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Gravitação

29/07/2008 20:00

A grande festa do livro e da cultura vai começar

Juliana Martins

Um espaço de 70 mil m² foi montado para receber 800 mil pessoas em mais de 680 horas de programação cultural. Esta é a estrutura da 20ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 14 a 24 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Em 2008, a Bienal coincide com o bicentenário da chegada da família real portuguesa ao País, marcando o início da indústria gráfica e do livro no Brasil, da criação da imprensa e da Biblioteca Nacional.

O evento, realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e organizado pela Francal Feiras, reunirá 350 expositores nacionais e estrangeiros, representando mais de 900 selos editoriais. Sete países – Argentina, Alemanha, Portugal, Espanha, Peru, Uruguai e Japão – mostrarão o melhor de sua produção literária, além, é claro, do Brasil. Serão mais de quatro mil lançamentos, 210 mil títulos e 2,2 milhões de exemplares expostos, verdadeiro deleite para os amantes da leitura. Onze dias serão pouco para desfrutar de tudo que o evento oferece.

De acordo com dados do diretor-executivo da CBL, Eduardo Mendes, 78% dos visitantes da Bienal compram livros no evento. Porém, muito mais do que um importante evento comercial, a Bienal é cenário de atrações para editores, livreiros, distribuidores, gestores de bibliotecas, universidades, escolas e ONG´s, além de professores, estudantes, autores, agentes literários e outros profissionais do mercado cultural.

Espaços e atividades culturais fazem do evento o maior do mercado editorial no Brasil e o segundo maior no mundo. Na programação, praticamente a cada três minutos, acontecerá uma atividade. Um dos maiores sucessos de outras edições, o Salão de Idéias Volkswagen, vai reunir escritores e público. Autores, jornalistas, artistas e críticos literários farão revezamento para falar sobre sua obra, vida e idéias, enquanto o público participa. Já no Fala, Professor!, um ciclo de palestras pautado em educação com foco em metodologia, conteúdo e bibliografia será dedicado aos professores.

O Espaço Literário Ipiranga proporcionará uma excelente oportunidade para a realização de debates culturais com os protagonistas da cena cultural de São Paulo. A programação está dividida em duas. Uma focada nos moldes tradicionais, com personalidades ligadas à vida cultural da cidade conversando com o público, e outra com especialistas em literatura discorrendo sobre obras que são referência obrigatória.

Mas a grande novidade da edição é o projeto Ler é minha praia. Dois mil metros quadrados foram preparados para receber cerca de 80 mil alunos dos ensinos médio e fundamental, reunindo uma série de atividades lúdicas e visitas monitoradas aos estandes das editoras com atividades infanto-juvenis. Pela primeira vez, haverá um sistema de roteiro inteligente, em que crianças e jovens serão orientados a visitar estandes com literatura, livros e atividades específicas para sua faixa etária. Segundo Mendes, intensificar a qualidade da visitação das crianças é fundamental para o aumento da base de leitores. “Afinal, é o nosso futuro leitor”, reitera.

O foco não estará apenas nas crianças, mas, essencialmente, nos universitários. No Espaço Universitário HSBC, por exemplo, acontecerá um ciclo de palestras ministradas por especialistas de renome em áreas como Letras, Marketing, Turismo, Economia, Administração, História, Gastronomia, Comunicação Social, Direito, Estética e Saúde. “Discutir com universitários questões como trânsito, mudanças na língua portuguesa e multicuturalismo é de suma importância. Expandimos o ensino público e, em contrapartida, perdemos qualidade. É a nossa responsabilidade discutir essas questões, repensar a educação e a política pública”, afirma Jaime Pinsky, coordenador do Espaço Universitário HSBC e do Fala, Professor!.

Em razão dos 50 anos do Prêmio Jabuti, a Câmara Brasileira do Livro vai promover uma exposição retrospectiva com diversos escritores vencedores participando da programação cultural da Bienal. Este ano, o Prêmio Jabuti terá 2.141 concorrentes nas 20 categorias, superando as expectativas da comissão organizadora. O total de inscritos para a edição 2008 ultrapassou as 2.052 publicações, sendo que a premiação total bateu na casa de R$ 120 mil.

Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro, enfatiza que a palavra-chave do evento é envolvimento, tanto de autores, leitores, entidades, iniciativa privada como mercado editorial. “Juntos vamos construir um país de leitores, enriquecendo o debate sobre a importância da leitura e promovendo uma qualidade de diversificação da programação cultural que faz da Bienal um evento diferenciado”, declara. Para a executiva, o foco não é a venda de livro, mas a formação de leitores. “O fundamental é o incentivo da freqüência à biblioteca e ao hábito de leitura.”

Segundo pesquisa do Ibope, 4,7 livros são lidos por pessoa ao ano, mas apenas 1,1 é comprado. De acordo com Oswaldo Siciliano, coordenador da Comissão Organizadora, o objetivo da Bienal é “acordar o público para os benefícios que o livro proporciona”. Para o executivo, a maior dificuldade do mercado editorial é a conciliação com o período inflacionário. “O preço do livro é uma questão de escala de produção. O dia em que o Brasil for um país efetivo de leitores, o preço do livro cairá de 30 a 40%”, esclarece. A bienal é o “oxigênio” da atividade editorial – acrescenta Siciliano –, “fazendo com que o mercado não fique saturado”.

A estratégia de comunicação do evento foi delegada às mentes criativas da DM9DDB. A campanha publicitária da Bienal nasceu a partir do Livro de todos, obra literária coletiva que foi elabora na internet com a participação da população. Entre 16 de maio e 16 de junho, as “páginas em branco” ficaram disponíveis no endereço www.livrodetodos.com.br para que cada autor participante continuasse a história a partir da última atualização. O website recebeu 14 mil visitas e 362 textos que foram avaliados, selecionados e editados por uma comissão editorial da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, sob supervisão do jornalista Almyr Gajardoni. O resultado será lançado na Bienal.

O plano de mídia da campanha, com peças em fase de finalização, engloba veiculações em jornais, revistas, publicações especializadas, rádio e emissoras das redes Globo e Record, além de mensagens expostas em linhas do metrô.

Como na edição anterior, o valor pago pelo ingresso pode ser convertido em descontos na aquisição de livros.

Outras novidades do evento podem ser conferidas em www.bienaldolivrosp.com.br, bem como detalhes sobre a programação cultural.

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Oxigênio do mercadoSegundo pesquisa do Ibope, 4,7 livros são lidos por pessoa ao ano, mas apenas 1,1 é comprado. De acordo com Oswaldo Siciliano, coordenador da Comissão Organizadora, o objetivo da Bienal é “acordar o público para os benefícios que o livro proporciona”. Para o executivo, a maior dificuldade do mercado editorial é a conciliação com o período inflacionário. “O preço do livro é uma questão de escala de produção. O dia em que o Brasil for um país efetivo de leitores, o preço do livro cairá de 30 a 40%”, esclarece. A bienal é o “oxigênio” da atividade editorial – acrescenta Siciliano –, “fazendo com que o mercado não fique saturado”.

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