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ABRE

02/12/2003 15:39

O importante é a sintonia com o mercado

Luciana Pellegrino


Apesar da crescente onda de globalização e internacionalização das empresas e dos produtos, a Abre também tem prestado atenção a um movimento sutil, mas importante: a regionalização de marcas e bens de consumo. Daí a ênfase que temos dado às atividades regionais. Hoje já acontecem em quatro regiões — Nordeste, Rio de Janeiro, Sul e Vale do Paraíba, sendo que, em 2004, serão inauguradas no Centro-Oeste —, com programas de trabalho talhados para as necessidades das empresas locais fabricantes e usuárias de embalagem.

Esta preocupação com o mercado regional também nos levou a participar, institucionalmente, da primeira edição da Fispal Nordeste, realizada entre os dias 4 e 7 de novembro, em Recife. Neste evento tivemos a certeza de estar indo no caminho certo: embora os empresários locais pensem no mercado de forma grande, eles buscam soluções em embalagens que se ajustem às necessidades específicas de um público dividido por raça, região, classe econômica etc.

E esta tendência é facilmente comprovada no mercado de produtos de higiene pessoal e beleza. Há cerca de seis anos, víamos nascer no nordeste brasileiro uma linha de produtos que hoje começa a invadir as prateleiras das regiões Sul e Sudeste: os produtos étnicos, especialmente os da linha afro. Não são apenas as suas formulações que atendem a este consumidor; a forma e o grafismo da embalagem acompanham a preocupação em captar os desejos específicos deste consumidor.

Não é para menos. Estamos falando de um mercado em plena ascensão. Hoje, o Estado de Pernambuco, por exemplo, está consolidado como um grande pólo de distribuição de alimentos, além de sua vocação natural (e geográfica) como ponto de partida para as exportações.

De todo o nordeste, Pernambuco também foi o Estado com o maior crescimento industrial entre 2001/2002 (4,1%), com R$ 2,3 bilhões em investimentos alocados e outros R$ 1,5 bilhão em investimentos provisionados. Somente os setores primário, secundário e terciário da indústria de alimentos contabilizam R$ 7,1 bilhões.

Mas toda essa preocupação com o regional não pode nos deixar fora do contexto internacional. Da mesma forma que nossa indústria é afetada por tendências regionais, cedo ou tarde, ela também acabará sendo influenciada pelas macrotendências.

Em visita recente a uma rede de lojas do Reino Unido, a Marks & Spencer, pude detectar como tendência um altíssimo investimento na apresentação das embalagens de produtos de marcas próprias. Estas demonstram uma forte preocupação com a sofisticação e inovam em cada categoria de produto. Por meio de formatos e grafismos elaborados, as embalagens traduzem toda a qualidade do produto, respeitando, contudo, os patamares de preço. Outro ponto interessante é uma comunicação padronizada e de fácil entendimento do consumidor, mediante ícones auto-explicativos.

O fato é que as macro e microtendências acabam se aproximando em determinadas situações de mercado. Cabe ao empresário saber escolher o melhor caminho, na melhor hora. E todas as ações da Abre convergem, justamente, para ajudar esse empresário a encontrar o melhor caminho para o desenvolvimento sustentado e para o engrandecimento do seu negócio.

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luciana@abre.org.brLuciana Pellegrino é diretora-executiva da Abre

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