Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comOs aspectos puramente funcionais da embalagem estão dando espaço a conceitos subjetivos, que revelam o produto ao consumidor final de uma forma mais emocional. Como não poderia deixar de ser, este se consolida como grande centro das atenções no desenvolvimento de produtos e embalagens. Mas a questão que surge, hoje, é como esse produto chegará até ele, em quais condições de preço, visibilidade e atratividade no ponto-de-venda, para que o consumidor o veja, se interesse por ele e o leve.
Ciente desse novo posicionamento, a Abre, por intermédio de seu Comitê de Estudos Estratégicos, firmou uma parceria com a Apas – Associação Paulista de Supermercados. A idéia é estreitar o relacionamento entre a indústria e o varejo e, conseqüentemente, chegar mais próximo do consumidor final no ato da compra. Os mercados de auto-serviço são os principais canais para se acessar os consumidores, em todas as suas peculiaridades, e seu funcionamento engloba uma logística bastante complexa, na qual pequenos ajustes podem significar um ganho econômico pela diminuição do tempo de reposição de produtos, aproveitamento de espaço de loja e redução de perdas, resultando num maior volume de vendas.
Como uma primeira ação da parceria Abre/Apas, as entidades desenvolverão, juntas, uma pesquisa direcionada ao setor supermercadista, cujo objetivo é entender melhor o dia-a-dia deste segmento, bem como suas necessidades, além de avaliar como a embalagem pode contribuir para o desenvolvimento do negócio do varejo.
Sabemos que ainda hoje os supermercados enfrentam algumas dificuldades geradas pela falta de comunicação entre esses setores nos quesitos de logística do produto — transporte, armazenagem, empilhamento e arrumação na gôndola. Portanto, a partir dessa pesquisa será possível delinear diretrizes para o projeto e produção de uma embalagem ainda mais adequada, capaz de otimizar a logística do varejo, reduzindo seus custos e melhorando as condições de atendimento do consumidor final. Certamente, essas melhorias terão reflexos diretos no preço e no desempenho das vendas.
Além da pesquisa, a Abre criará um grupo de trabalho, em parceria com a Apas, cuja missão será avaliar os resultados do estudo e propor medidas conjuntas para melhorar a performance das embalagens no PDV.
Em paralelo a esse trabalho junto ao setor supermercadista, o Comitê de Estudos Estratégicos da Abre também dará andamento a uma pesquisa junto aos consumidores finais. Esse projeto, de cunho quantitativo, será a continuação do estudo qualitativo "A percepção do consumidor em relação às embalagens", divulgado no início deste ano.
Na pesquisa anterior foram abordados a percepção e o desempenho das embalagens junto aos consumidores. Desta vez, pretendemos quantificar os atributos mais importantes e mais valorizados nas embalagens pelos consumidores, além de detectar os fatores que realmente exercem alguma influência junto ao consumidor nas etapas de compra, transporte, estocagem e/ou consumo dos produtos.
Dessa forma, as empresas de embalagem terão subsídios para nortear os seus negócios e fazer uma análise criteriosa de seus produtos, reconhecendo se atendem ou não às necessidades e ansiedades do consumidor final. Os investimentos em novas tecnologias ou na reformulação de projetos existentes poderão ser mais bem avaliados e otimizados.
As boas embalagens também poderão passar por uma prova de fogo. Este ano, a Abre realizará a 3ª edição do Prêmio Abre de Design & Embalagem, que, devido ao número reduzido de categorias, consegue ser um dos prêmios mais rigorosos e criteriosos desta área no Brasil.
Além disso, a embalagem vencedora do Prêmio Abre é reconhecida internacionalmente e aceita para participar de prêmios mundialmente famosos, como o WorldStar, concedido pela WPO – World Packaging Organization.
A Abre está certa de que, no atual estágio de desenvolvimento da indústria brasileira de embalagem, a integração entre todos os elos da cadeia é simplesmente fundamental. Trata-se de um setor amadurecido tanto tecnológica como mercadologicamente e, portanto, com plenas condições de crescimento sustentado, a exemplo do que é verificado no cenário internacional.
luciana@abre.org.brLuciana Pellegrino é diretora-executiva da Abre